Aos 60 anos, Mike Stewart desiste de disputar a última etapa do Mundial em El Fronton depois de imbróglio com inscrição. Foto: @olaviolenta2021
Uma das maiores lendas do bodyboard mundial, o havaiano Mike Stewart fez um post nas redes sociais nesta quarta-feira criticando os organizadores do Circuito Mundial e explicando o motivo da sua desistência do Fronton King, última etapa da temporada.
Segundo o atleta de 60 anos, o fato de não ter comparecido pessoalmente ao check in para fazer a inscrição fez com o que os organizadores do Circuito tirassem a sua condição de cabeça de chave e o colocassem nas triagens, gerando uma grande revolta na lenda do bodyboard.
“Lamentavelmente, eu me retirei do evento do Fronton IBC de 2023 com base no fato de que a organização do evento me privou ilegalmente da minha classificação. Uma classificação pela qual trabalhei muito durante todo o ano para obter. Acredito ser fundamental não aceitar essa ação, que normalizaria a ideia de criar regras conforme avançamos, ignorando completamente o livro de regras. Desejo a melhor sorte para todos os atletas incrivelmente talentosos no evento, assim como para Pierre e Tanner em sua busca pelo título mundial”, escreveu Mike, que acrescentou mais algumas explicações em um vídeo (veja abaixo).
“Eu achei muito importante tomar uma posição e simplesmente dizer que isso não é aceitável, porque haverá outros atletas me seguindo, atletas mais jovens que terão que suportar a mesma ação ilegal. É quase como se o regime ditatorial estivesse tomando decisões de forma arbitrária e completamente sem prestar contas a ninguém, então estou realmente decepcionado. Quero dizer, isso não é apenas uma dificuldade normal do esporte, e estou simplesmente desapontado que tenha chegado a isso, sabe? É realmente lamentável”, lamentou o havaiano.
“Eu estava ansioso e treinando muito para me ir bem aqui, e agora não vou poder competir. Para mim, como atleta, é devastador. Infelizmente, não estarei no evento este ano. Aceitarei quaisquer comentários ou sugestões fora da plataforma, então você pode enviar comentários e eu responderei detalhadamente. Há muita história por trás disso que provavelmente será revelada com o tempo, e podemos discuti-la nos comentários. Obrigado a todos por acompanharem, e desejo a melhor sorte para todos os outros competidores no evento, e para os bodyboarders que estão representando, o que é incrível. Boa sorte a Pierre e Tanner na busca pelo título mundial”, finalizou Mike Stewart.
Até o momento, a International Bodyboarding Corporation (IBC) e os organizadores do Fronton King não se manifestaram sobre o caso, mas o bicampeão mundial Amaury Lavernhe, que também atua como representante dos atletas no IBC World Tour, entendeu que o post do havaiano não veio em um bom momento: “Mike tem o direito de expressar seus sentimentos após o que aconteceu, mas não acredito que tenha sido o momento certo, com Tanner (McDaniel) lutando com todo o seu coração e paixão por um título… não importa a entidade, os atletas estão arriscando suas vidas às vezes apenas para realizar um sonho. Por favor, convido a respeitar o processo dos próximos dias, quando um novo campeão mundial será coroado…”, pediu Amaury em comentário no post de Mike.
Há poucos dias, um atleta ligado a Mike Stewart e que também compete no Circuito Mundial, o havaiano Sammy Morretino (integrante da equipe de pranchas de Mike e campeão mundial de Drop Knee), repostou um texto de um canal havaiano com duras críticas ao IBC World Tour pelo fato de o grupo não ter assumido a falta de pagamento aos finalistas do Arica Cultura Bodyboard no Chile.
Vale ressaltar que, assim como Morretino, Tanner McDaniel – finalista do evento no Chile junto com o francês Pierre Louis Costes e líder do ranking mundial – também faz parte da equipe de Mike.
“O IBC World Tour continua a promover a disputa pelo título de campeão mundial Pro masculino de 2023, mas permite que esses dois atletas permaneçam sem pagamento por suas empolgantes performances no Arica Cultura Bodyboard 2023, no Chile. A desculpa deles é que o ‘promotor’ não manteve seu compromisso. Nesse caso, uma organização respeitável simplesmente pagaria a Tanner e PLC e exigiria uma garantia de desempenho para promoções futuras. Mas não, eles não mostraram nenhuma inclinação para resolver essa situação constrangedora. Continuem a coletar suas taxas de autorização sem responsabilidade, IBC. Estamos falando apenas de $ 9.000,00, IBC. Vocês estão tão falidos que não podem cobrir isso??? #MantenhaOEntusiasmoVivo **O IBC optou por bloquear @hawaiibodyboarding em vez de resolver o problema. Escondendo-o debaixo do tapete enquanto continuam a lucrar com os atletas. Legal”, cita o texto postado originalmente pelo canal Hawaii Bodyboarding.
O post original foi respondido por Amaury Lavernhe, bicampeão mundial e representante dos atletas na IBC. “Ainda não têm ideia do que está acontecendo nos bastidores… apenas atrás de suas telas. O IBC resolverá isso até o final do ano; já é oficial”, ironizou Amaury.
Imprevistos no Fronton King
Considerado um dos eventos mais emocionantes do bodyboarding mundial, com ondas impressionantes na rasa bancada de El Fronton e um show de imagens na transmissão ao vivo, o Fronton King tem sofrido com alguns problemas este ano.
Além da polêmica envolvendo Mike Stewart, dois atletas chilenos que estão entre os Top 10 do ranking foram excluídos da prova – os irmãos Moisés (terceiro) e Rodrigo Silva (oitavo no ranking). A IBC não se manifestou publicamente, mas, nos bastidores, especula-se que a punição tenha sido motivada por questões de indisciplina.
Na última terça, problemas técnicos no sistema de transmissão ao vivo do evento forçaram a direção de prova a perder um dia de boas ondas em El Fronton, adiando a competição.
Mas, para a alegria de todos, a prova teve sequência nesta quarta, ainda com boas condições. O francês Amaury Lavernhe e o sul-africano Tristan Roberts deram um show, totalizando 18.75 e 17.50 pontos, respectivamente. Entre os brasileiros, Uri Valadão foi o único a garantir vaga no round 7 com antecedência. Eder Luciano, Sócrates Santana e Gabriel Braga terão uma nova chance no round 6. Já Hermano Castro deu adeus à prova em sua estreia no round 4.
Outros brasileiros no Fronton King são Guilherme Montenegro, que aguarda o round 6 da categoria Júnior, e Matheus Rodrigues, escalado na repescagem (round 5) da mesma categoria.
Finalistas do ArcelorMittal Wahine Bodyboard Pro 2026 em Jacaraípe, Serra (ES). Foto: Divulgação
As brasileiras brilharam no ArcelorMittal Wahine Bodyboard Pro 2026, em Jacaraípe, na Serra (ES), com título mundial e presença nas três finais. Soraia Rocha conquistou o Mundial Master, enquanto Luna Hardman encerrou a temporada como vice-campeã mundial profissional.
Além disso, Maylla Venturin e Melissa Souza ficaram em segundo lugar na etapa nas categorias profissional e Júnior, respectivamente. Já Joselani Amorim e Elizangela Fragoso subiram ao pódio da Master, ampliando a presença brasileira entre as melhores da competição.
Dessa forma, o Brasil reuniu resultados expressivos em diferentes categorias. Ao longo da disputa, as atletas garantiram classificações nos últimos segundos e protagonizaram finais apertadas diante do público em casa.
Pódio da categoria Master no Wahine Bodyboard Pro 2026. Foto: Divulgação
Soraia Rocha conquista o título mundial Master
Soraia Rocha assegurou o principal título brasileiro no encerramento do evento. Na final Master, venceu Marta Leitão por apenas 0,50 ponto. Assim, conquistou tanto a etapa quanto o título mundial.
Antes da decisão, Soraia superou duas compatriotas. Primeiro, venceu Juliana Dourado nas quartas de final. Em seguida, derrotou Joselani Amorim por dois pontos na semifinal.
Enquanto isso, Elizangela Fragoso chegou à outra semifinal, mas perdeu para Marta Leitão. Com isso, Joselani e Elizangela terminaram empatadas em terceiro lugar.
Ao vencer a final, Soraia colocou o Brasil no topo do pódio Master. Além do título, a delegação brasileira celebrou a presença de três atletas entre as quatro primeiras colocadas.
Campeãs mundiais da IBC em 2026. Foto: Divulgação
Luna Hardman fecha temporada como vice-campeã mundial
Além da conquista na Master, o Brasil teve destaque no ranking mundial profissional com Luna Hardman. A atleta encerrou a temporada como vice-campeã mundial, somando outro resultado importante para o país.
No penúltimo dia, Luna registrou a maior soma do Round 6, com 14,50 pontos. Em seguida, enfrentou Alice Teotônio nas quartas de final, em uma bateria decidida por uma diferença mínima.
Apesar da boa campanha, Luna perdeu o confronto por apenas 0,40 ponto. Dessa forma, terminou o Wahine Pro em quinto lugar e fechou o ano com o vice mundial.
Maylla Venturin leva o Brasil à final profissional
Finalistas da etapa na categoria profissional. Foto: Divulgação
Maylla Venturin, por sua vez, garantiu a presença brasileira na final profissional da etapa. Para isso, venceu Alice Teotônio na semifinal, com uma apresentação que incluiu uma onda de sete pontos.
Na sequência, Maylla enfrentou Namika Yamashita, que já havia assegurado o título mundial. A japonesa venceu a decisão, enquanto a brasileira ficou com o segundo lugar no Wahine Pro.
Assim, Maylla terminou a etapa no pódio da categoria profissional. Seu resultado somou-se ao vice mundial de Luna e reforçou o destaque das brasileiras na competição.
Melissa Souza garante mais um pódio para as brasileiras
Pódio da categoria Júnior no Wahine Bodyboard Pro 2026. Foto: Divulgação
Na Júnior, Melissa Souza protagonizou uma classificação emocionante. Nos últimos segundos da semifinal, conseguiu uma onda de seis pontos e venceu Alice Teotônio.
Com isso, avançou à final contra Luana Dourado. A portuguesa, porém, levou a melhor e conquistou o título mundial da categoria. Melissa encerrou a etapa como vice-campeã, garantindo mais um pódio brasileiro.
Assim, as brasileiras terminaram o Wahine Pro com conquistas nas três categorias. Além do título mundial de Soraia e do vice mundial de Luna, o país celebrou os pódios de Maylla, Melissa, Joselani e Elizangela.
Demi Brasil vence a etapa do Circuito Municipal de Itacaré na Praia da Tiririca. Foto: Fabriciano Júnior
O surfe e o bodyboard movimentaram Itacaré com duas competições realizadas em fins de semana consecutivos. Primeiro, a cidade recebeu a 1ª etapa do Circuito Municipal de Surf de Itacaré 2026, que contou com 101 inscritos em dez categorias. Depois, foi a vez do Itacaré Bodyboard Festival, válido como segunda etapa do Circuito Baiano de Bodyboarding.
As competições reuniram atletas de diferentes gerações. Além disso, nomes conhecidos do cenário baiano e nacional dividiram as ondas com representantes locais.
Demi Brasil vence três locais na Pro-Am
Na principal categoria masculina do Circuito Municipal, Demi Brasil levou o título da Pro-Am. Representante de Morro de São Paulo, ele marcou 12,33 pontos na final.
Demi superou três atletas locais de Itacaré na decisão. Davi Silva terminou em segundo, seguido por Yagê Araújo e Alandresson Martins.
No feminino, Maria Eduarda confirmou sua condição de uma das atletas de ponta do surfe brasileiro. Campeã brasileira nas categorias de base e atualmente dedicada às competições da WSL, ela venceu a Pro-Am Feminino com 11,50 pontos.
Mayté Lima ficou com o segundo lugar. Luna Jin-Ly e Petra Edelman completaram a final.
Rudá Nascimento faz três finais e vence duas categorias na Tiririca. Foto: Fabriciano Júnior
Rudá Nascimento chega a três finais
Entre os atletas da nova geração, Rudá Nascimento foi um dos grandes destaques. Ele disputou três finais e terminou a competição com dois títulos e um vice-campeonato.
Rudá venceu as categorias Sub-12 e Sub-14. Além disso, ficou em segundo lugar na Sub-16, vencida por João Jesus.
Mauy Schmidt conquistou a Sub-18, enquanto Ariel Micol venceu a Sub-10 e Jano Sanders ficou com a Sub-08. Nas categorias Social, Henzo Gabriel e Leocádia Marinne foram os campeões.
Lucas Santo surpreende favoritos na categoria Pro do Baiano de Bodyboard. Foto: Fabriciano Júnior
Lucas Santos surpreende favoritos no bodyboard
Na sequência das competições em Itacaré, o Itacaré Bodyboard Festival foi realizado nos dias 8 e 9 de agosto. O evento valeu como segunda etapa do Circuito Baiano de Bodyboarding e teve realização da Federação Baiana de Bodyboarding (FEBEB).
Um dos grandes personagens da competição foi o local Lucas Santos. Sua trajetória até o título ganhou força justamente na fase eliminatória.
Lucas passou duas baterias da triagem em segundo lugar. No entanto, cresceu de produção nos confrontos homem a homem e passou a derrubar alguns dos principais favoritos.
Nas quartas de final, superou Lucas Rodrigues. Depois, eliminou o bicampeão mundial Uri Valadão. Na grande final, Lucas completou a campanha ao derrotar Gabriel Braga, atleta da elite mundial, e conquistou o Main Event Pro.
Juliana Dourado faz a festa na Pro feminina. Foto: Fabriciano Júnior
Juliana Dourado confirma favoritismo
Entre as mulheres, a multicampeã baiana Juliana Dourado confirmou o favoritismo na Pro Feminino. Ela venceu a decisão com 11,50 pontos, enquanto Liz Bensabath terminou em segundo lugar.
Liz também teve motivos para comemorar em Itacaré. Antes do vice na Pro, ela conquistou o título da Open Feminino.
Na Open Masculino, Yure Wolff ficou com a vitória. Alexandre Milazzo conquistou a BB Master e Camila Cesar venceu a categoria Social.
Com os dois eventos, Itacaré recebeu competições de surfe e bodyboard em diferentes categorias. Da nova geração aos atletas experientes, as disputas colocaram novamente as ondas da cidade como palco de destaque para os esportes de prancha na Bahia.
Finalistas da Pro feminina no Municipal de Itacaré. Foto: Fabriciano Júnior
Thomas Rovira sofre grave acidente durante o Itacoatiara Pro. Foto: Arquivo pessoal
A comunidade do bodyboard vem se mobilizando em apoio ao atleta colombiano Thomas Rovira, que sofreu um grave acidente durante o Itacoatiara Pro, tradicional etapa do circuito mundial realizada em Itacoatiara, em Niterói (RJ).
O caso ganhou grande repercussão nas redes sociais após relatos publicados pelo atleta Thiago Jatobá e pela namorada de Thomas, Luiza. Segundo as informações divulgadas, o bodyboarder sofreu uma grave lesão na coluna após um acidente enquanto saía do mar em condições pesadas durante o campeonato.
Itacoatiara possui algumas das ondas mais pesadas do Brasil. Foto: Divulgação Itacoatiara Pro
Thomas precisou passar por uma cirurgia de descompressão da medula. Em nota enviada pelo Hospital Estadual Azevedo Lima, a unidade informou que o procedimento ocorreu sem intercorrências e que o estado de saúde do atleta é estável.
O Itacoatiara Pro é considerado um dos eventos mais tradicionais e importantes do bodyboard mundial. A competição reúne atletas de diversos países e é reconhecida internacionalmente pelas condições desafiadoras das ondas de Itacoatiara.
O organizador do evento, Giuliano Lara, publicou um vídeo atualizando o estado de saúde de Thomas e reforçando que o atleta vem recebendo acompanhamento e apoio.
“Espero que todos estejam bem, como muitos de vocês já devem saber, o atleta profissional de bodyboard da Colômbia, Thomas Rovira, sofreu um acidente aqui no último sábado. Nós acompanhamos todo o atendimento e estamos em contato constante com a equipe do Hospital Estadual Azevedo Lima. Eu já estive lá com a família, ele está bem, precisou passar por uma cirurgia sim, mas correu tudo bem, ele está lúcido, confiante e já está recebendo visitas”, afirmou Giuliano Lara.
Thomas durante o evento deste ano. Foto: Arquivo pessoal
O organizador também destacou que parceiros do evento disponibilizaram suporte médico especializado para ajudar na recuperação do atleta.
“A gente conseguiu, com os nossos parceiros, um médico especialista em coluna e fisioterapia para a total recuperação do Thomas, para que, em breve, ele possa estar surfando aqui com a gente. É claro que boas vibrações e orações são sempre muito bem-vindas”, completou.
Thomas mora no Brasil há cerca de um ano. O atleta colombiano veio ao país inicialmente para competir no Itacoatiara Pro do ano passado, mas acabou se apaixonando pelo Brasil e decidiu permanecer no país.
O colombiano conheceu Niterói há um ano e se apaixonou pelo lugar. Foto: Arquivo pessoal
Atualmente, uma campanha de arrecadação vem sendo compartilhada nas redes sociais para ajudar nos custos da recuperação do atleta. Segundo Luiza, namorada de Thomas, os gastos com medicamentos, transporte, fisioterapia e recuperação ainda são indefinidos.
Quem quiser ajudar pode contribuir através da vakinha online criada para apoiar o atleta colombiano durante o processo de recuperação.