Caio Ibelli comemora o título do Surfing Champions Trophy 2026 nas Maldivas. Foto: Ted Grambeau
Caio Ibelli é o grande campeão do Four Seasons Maldives Surfing Champions Trophy 2026. Na final geral, o brasileiro superou o australiano Bede Durbidge por apenas 0,66 ponto. Assim, tornou-se o primeiro surfista do Brasil a conquistar o título geral na história do evento.
A vitória aconteceu nas ondas de Sultans, nas Maldivas. Além disso, encerrou uma trajetória surpreendente. Duas semanas antes da competição, Ibelli estava no interior da Austrália, longe do oceano. No entanto, uma convocação de última hora mudou completamente seus planos.
Apesar do pouco tempo de preparação, o brasileiro venceu as categorias Single Fin e Twin Fin. Posteriormente, garantiu uma vaga na decisão do título geral. Portanto, sua passagem pelo torneio terminou com três conquistas e uma atuação histórica.
Convocado de última hora, Caio Ibelli transformou uma oportunidade inesperada em uma conquista histórica para o surfe brasileiro. Foto: Ted Grambeau
Caio Ibelli aposta em prancha assimétrica
Depois de alguns dias de espera, Sultans apresentou excelentes condições para a final. O novo swell trouxe ondas longas, fortes e com boas oportunidades de tubo. Além disso, o vento offshore ajudou a melhorar a formação das ondas.
Bede Durbidge escolheu a prancha thruster que havia usado para vencer sua categoria. Por outro lado, Caio Ibelli tomou uma decisão mais ousada. Mesmo com ondas maiores, ele entrou no mar com uma twin fin assimétrica da Draft.
A escolha surpreendeu porque muitos esperavam que o brasileiro também usasse uma thruster. Contudo, Ibelli decidiu confiar no equipamento com o qual se identificava. Segundo o surfista, aquela prancha representava seu estilo e sua personalidade.
Antes da decisão, Ibelli testou diferentes equipamentos durante os dias sem competição. Dessa forma, conseguiu encontrar uma configuração adequada para as condições de Sultans. No momento mais importante da semana, a aposta funcionou.
Caio Ibelli apostou em uma twin fin assimétrica para disputar a final nas ondas de Sultans. Foto: Ted Grambeau
Uma onda muda a final nas Maldivas
Durbidge começou melhor e assumiu a liderança rapidamente. Primeiramente, o australiano recebeu 6,50 pontos. Em seguida, acrescentou uma nota 7,00 ao seu placar.
Ibelli respondeu com 5,50, mas ainda precisava de uma onda mais expressiva. Depois disso, o mar ficou parado por um longo período. Enquanto os dois competidores esperavam, o australiano manteve a vantagem.
Quando as ondas voltaram, porém, a situação mudou completamente. Com a prioridade, Ibelli partiu do início da bancada em uma das melhores ondas da bateria. Logo depois, desapareceu dentro do tubo.
O brasileiro atravessou a primeira seção e acelerou para alcançar um segundo tubo. Após sair com controle, ainda executou uma sequência de manobras críticas. Como resultado, os juízes deram 8,33 pontos, a maior nota da final.
Durante a espera, Ibelli havia imaginado mentalmente a oportunidade necessária para virar a bateria. Então, quando a onda apareceu, ele conseguiu transformar aquela preparação em desempenho.
Bede Durbidge mostrou força e experiência durante a final do Surfing Champions Trophy 2026. Foto: Ted Grambeau
Decisão termina com diferença mínima
Bede Durbidge continuou pressionando até os últimos segundos. Além de encontrar seus próprios tubos, o australiano quase completou uma das ondas mais longas da final. Mesmo assim, não conseguiu recuperar a liderança.
Ibelli reforçou seu placar com uma nota 5,83. Consequentemente, Durbidge precisava de 7,17 pontos para vencer. Perto do encerramento, o australiano encontrou sua última oportunidade e realizou quatro manobras fortes.
A apresentação, entretanto, recebeu 6,23 pontos. Portanto, o resultado não foi suficiente para mudar a decisão.
Caio Ibelli terminou com 14,16 pontos, enquanto Durbidge somou 13,50. Assim, somente 0,66 ponto separou os dois finalistas.
Título marca retomada competitiva de Ibelli
O título possui um significado especial para Caio Ibelli. Afinal, o ex-integrante do Championship Tour chegou às Maldivas sem saber como responderia à competição.
Inicialmente, ele pretendia encarar o torneio de forma descontraída. No entanto, a vitória na categoria Single Fin reacendeu seu entusiasmo competitivo. Depois, o sucesso com a Twin Fin aumentou sua confiança.
Ibelli também voltou a realizar manobras aéreas, algo que não fazia havia bastante tempo. Além disso, pôde compartilhar toda a experiência com a esposa e o filho. Por isso, definiu a viagem como uma das semanas mais importantes de sua vida.
A conquista também representa um marco para o surfe brasileiro. Embora atletas do país tenham participado de todas as edições, nenhum havia vencido o título geral. Agora, 14 anos depois da estreia do campeonato, Caio Ibelli escreve seu nome nessa história.
Campeão das categorias Single Fin e Twin Fin, Caio Ibelli também conquistou o título geral do Surfing Champions Trophy 2026. Foto: Ted Grambeau
Formato valoriza a adaptação dos atletas
Criado em 2011, o Surfing Champions Trophy é uma competição exclusiva para convidados. Durante o evento, seis surfistas disputam baterias com pranchas single fin, twin fin e thruster. Dessa maneira, precisam adaptar suas técnicas a três períodos diferentes da evolução dos equipamentos.
Na edição de 2026, essa liberdade foi decisiva. Durbidge apostou na familiaridade da thruster. Em contrapartida, Ibelli escolheu a criatividade de uma twin fin assimétrica.
Por fim, a decisão confirmou o equilíbrio do torneio. Depois de chegar como substituto de última hora, Caio Ibelli deixou as Maldivas como campeão das categorias Single Fin e Twin Fin, além de vencedor geral do Surfing Champions Trophy 2026.
A nova geração do surfe brasileiro entra em ação na etapa decisiva do Hang Loose Surf Attack 2026, em Maresias. Foto: Erik Medalha
As baterias da terceira e última etapa do Hang Loose Surf Attack 2026 estão definidas. A competição começa nesta quinta-feira (17), na Praia de Maresias, em São Sebastião (SP), e segue até sábado (19), com a definição dos campeões da 36ª edição do tradicional circuito de base.
A etapa decisiva reunirá atletas das categorias Sub-12, Sub-14, Sub-16 e Sub-18, no masculino e feminino. Os confrontos do primeiro round já foram montados pela organização, incluindo os principais candidatos aos títulos da temporada.
Líderes entram na disputa
No Sub-18 Masculino, John Muller, líder do ranking depois das duas primeiras etapas, estreia na primeira bateria, enquanto Kalani Robles, segundo colocado, está na quinta bateria. Muller chega embalado pela conquista da medalha de cobre no Mundial Júnior da International Surfing Association (ISA), em El Salvador.
A Sub-16 Masculino terá Vini Palma, atual líder da categoria, abrindo sua participação na primeira bateria. Entre seus principais concorrentes, Nicolas Pereira aparece na sexta bateria, enquanto Saymon Rocha está na sétima.
Na Sub-14 Masculino, Matheus Jhones está na quinta bateria do round inicial. Saymon Rocha aparece na quarta, enquanto Lucas Peixoto disputa a oitava bateria.
Já na Sub-12 Masculino, Rafael Miranda abre a competição na primeira bateria, ao lado de Kalani Sakugawa, Luke Schmidt e Gael Amorim.
Disputas femininas
Entre as meninas, Julia Stefani está na quinta bateria do Sub-18, enquanto Alexia Oliveira, Isabel Meyer, Manu Medeiros e Carol Bastides são as cabeças das quatro primeiras baterias.
No Sub-16, Carol Bastides aparece na quinta bateria e Mariana Elias na sexta. Julia Stefani disputa a terceira bateria.
A Sub-14 terá Alexia Oliveira na quinta bateria, enquanto Isabel Meyer, Joana Costa, Catarina Kobayashi e Maria Clara encabeçam as quatro primeiras.
Na Sub-12 Feminino, Maria Clara, vencedora das duas primeiras etapas da temporada, está na primeira bateria. Fernanda Pina encabeça a segunda e Nayma Mathey a terceira.
Pontuação maior na etapa final
A passagem por Maresias será decisiva para a definição dos campeões. A terceira etapa tem peso 1,5 no ranking, aumentando as possibilidades de mudanças nas classificações individuais e na disputa entre as associações.
Depois das duas primeiras etapas, os líderes são John Muller (Sub-18), Vini Palma (Sub-16), Matheus Jhones (Sub-14) e Rafael Miranda (Sub-12), no masculino. No feminino, lideram Julia Stefani (Sub-18), Carol Bastides (Sub-16), Alexia Oliveira (Sub-14) e Maria Clara (Sub-12).
Entre as associações, Ubatuba chega a Maresias na liderança, seguida por Guarujá e Praia Grande.
O Hang Loose Surf Attack 2026 começou no Guarujá, passou por Ubatuba e agora chega a Maresias para a terceira e última etapa. A competição acontece de quinta-feira (17) a sábado (19).
A terceira etapa do Hang Loose Surf Attack 2026 tem patrocínio da Hang Loose e apoio da Fu Wax, A Firma Pizzas, Tachão de Ubatuba e Secretaria de Esporte e Lazer da Prefeitura Municipal de São Sebastião, Associação de Surf de São Sebastião (ASSS) e Associação de Surf de Maresias (ASM). A homologação é da Federação de Surf do Estado de São Paulo (SPSurf). Hospedagem oficial: Pousada Maréatoa.
Confira as baterias completas da etapa decisiva do Hang Loose Surf Attack 2026 no AOS Mídia.
Fernando Aguerre foi reeleito por unanimidade para mais quatro anos como presidente da International Surfing Association (ISA). Divulgação ISA
Fernando Aguerre seguirá por mais quatro anos no comando da International Surfing Association (ISA). O argentino foi reeleito por unanimidade durante a Assembleia Geral Anual da entidade e inicia um novo mandato em um momento importante para o crescimento mundial e olímpico do surfe.
Aguerre ocupa a presidência da ISA desde 1994. Durante esse período, a modalidade passou por uma transformação significativa. Sobretudo, o surfe conquistou espaço no programa olímpico e fez sua estreia nos Jogos de Tóquio 2020. Depois, voltou ao programa em Paris 2024, com a competição realizada nas ondas de Teahupo’o, no Taiti.
Agora, a atenção da entidade se volta para Los Angeles 2028.
LA28 será prioridade no novo mandato
Um dos principais desafios de Fernando Aguerre será conduzir o surfe até sua terceira participação consecutiva nos Jogos Olímpicos. Em LA28, a disputa acontecerá nas ondas de Lower Trestles, na Califórnia.
Além disso, a ISA pretende continuar trabalhando para ampliar a presença da modalidade em diferentes regiões do planeta. Atualmente, a entidade reúne 120 federações nacionais.
A entrada do Zimbábue, aprovada durante a Assembleia Geral, fez a organização atingir essa marca. Portanto, a expansão internacional continuará entre as prioridades do próximo ciclo.
“O surfe olímpico já foi um sonho impossível, mas juntos tornamos esse sonho realidade”, destacou Aguerre ao comentar sua reeleição.
O dirigente também citou Brisbane 2032. Dessa forma, a ISA já olha além dos próximos Jogos e pretende fortalecer a posição do surfe dentro do Movimento Olímpico.
À frente da ISA desde 1994, Fernando Aguerre teve papel decisivo no processo que levou o surfe aos Jogos Olímpicos. Divulgação ISA
ISA também define nomes do Comitê Executivo
A Assembleia Geral também confirmou outros nomes importantes da administração da entidade. Jean-Luc Arassus, da França, e Barbara Kendall, da Nova Zelândia, foram reeleitos vice-presidentes.
Por outro lado, Afridun Amu, do Afeganistão, foi eleito membro regular do Comitê Executivo da ISA.
Além das eleições, a reunião abordou diferentes áreas de desenvolvimento da entidade. Entre os temas discutidos estavam formação de atletas, antidoping, para surfe, sustentabilidade, proteção dos atletas e apoio às federações nacionais.
Igualdade de gênero ganha destaque
A ISA também apresentou dados relacionados à participação feminina na administração do surfe. Segundo a entidade, 88% das federações filiadas possuem pelo menos uma mulher em posição de liderança.
Além disso, 66% das federações participam de iniciativas voltadas à igualdade de gênero. Ao mesmo tempo, 13 mulheres ocupam atualmente cargos de presidente, CEO ou diretora-executiva nas organizações nacionais ligadas à ISA.
Outro projeto destacado foi o Women’s Judging Program. A iniciativa busca aumentar a participação feminina nos painéis de julgamento e terá uma nova edição durante o ISA World Junior Surfing Championship de 2026, em El Salvador.
Aguerre projeta novo capítulo para o surfe mundial
Após ser reeleito, Fernando Aguerre agradeceu a confiança da comunidade internacional do surfe. O dirigente também reforçou que considera o esporte muito mais do que uma competição.
Para ele, o surfe representa uma cultura e uma forma de conexão com a natureza. Por isso, a ISA pretende combinar o crescimento competitivo da modalidade com iniciativas ambientais, sociais e de desenvolvimento.
Assim, Aguerre inicia mais quatro anos à frente da entidade que governa o surfe mundial. Depois de ajudar a transformar em realidade o antigo objetivo de levar o esporte aos Jogos Olímpicos, o argentino terá agora a missão de fortalecer esse legado e ampliar ainda mais o alcance global do surfe.
O cenário paradisíaco de Sultans, nas Maldivas, recebe o Surfing Champions Trophy 2026 entre os dias 4 e 11 de setembro. Foto: Divulgação Four Seasons
O Surfing Champions Trophy 2026 está pronto para transformar as águas cristalinas das Ilhas Maldivas em um palco de técnica, criatividade e adaptação. Entre os dias 4 e 11 de setembro, seis surfistas convidados disputarão a 14ª edição do torneio em Sultans, uma das ondas de direita mais conhecidas do Atol de Malé Norte.
A competição será realizada nas proximidades do Four Seasons Resort Maldives at Kuda Huraa. Além disso, o período de espera de oito dias permitirá que os organizadores escolham as melhores condições antes de liberar os atletas para o mar.
Seis surfistas e três tipos de prancha
Mason Ho, Caio Ibelli, Bede Durbidge, Felicity Palmateer, Travis Logie e o surfista maldivo Ahmed Hishaam formam o grupo de competidores. Embora tenham trajetórias bastante diferentes, todos precisarão demonstrar versatilidade para conquistar o título.
Por outro lado, Bede Durbidge deixará temporariamente sua função de treinador para retornar às disputas. Felicity Palmateer levará ao evento sua experiência em competições, ondas grandes e comunicação. Enquanto isso, Travis Logie retorna ao torneio dez anos depois de sua primeira participação. Finalmente, Ahmed Hishaam contará com uma vantagem especial: o conhecimento adquirido durante uma vida inteira surfando nas águas locais.
Formato exige adaptação dos atletas no Surfing Champions Trophy 2026
O grande diferencial do Surfing Champions Trophy 2026 está no uso de três tipos de prancha. Inicialmente, os atletas competirão com modelos single fin, equipados com uma única quilha. Depois, enfrentarão a divisão twin fin, que utiliza duas quilhas. Por fim, chegarão às modernas pranchas thruster, com três quilhas.
Cada equipamento muda a velocidade, o tempo dos movimentos e as linhas escolhidas na onda. Portanto, dominar apenas uma prancha não será suficiente. O campeão precisará ajustar sua técnica ao longo de todas as fases.
Esse formato valoriza a capacidade de adaptação e, ao mesmo tempo, celebra diferentes períodos da evolução do surfe. Desde sua estreia, em 2011, o evento já recebeu nomes como Kelly Slater, Carissa Moore, Taj Burrow, Joel Parkinson, Rob Machado, Maya Gabeira e Mark Occhilupo.
O brasileiro Caio Ibelli está entre os seis surfistas convidados para disputar o Surfing Champions Trophy 2026. Foto: Arquivo pessoal
Ondas de Sultans favorecem o espetáculo
As condições recentes no Oceano Índico aumentam a expectativa para o campeonato. Uma sequência consistente de ondulações manteve o Atol de Malé Norte ativo nas últimas semanas. Assim, o cenário é promissor para o início do período de espera.
Sultans oferece paredes longas e abertas, ideais para explorar as características de cada prancha. Consequentemente, os competidores poderão apresentar linhas clássicas com as single fins, velocidade com as twin fins e manobras mais modernas com as thrusters.
Em 2025, Michel Bourez conquistou o título geral após retornar de uma lesão. Além da vitória, o taitiano conseguiu a única nota 10 perfeita daquela edição. Agora, seis novos competidores terão a oportunidade de escrever seu nome na história do torneio.
Com grandes atletas, um formato único e uma das paisagens mais impressionantes do planeta, o Surfing Champions Trophy 2026 promete uma semana inesquecível. As pranchas estão prontas, os surfistas estão chegando e o Oceano Índico prepara o último elemento necessário: as ondas.