Larry Bertlemann marcou a história do surfe com seu estilo inovador nos anos 1970. Foto: Dan Merkel
Larry Bertlemann, um dos pioneiros do surfe moderno, morreu no sábado (10), aos 71 anos, em Honolulu, no Havaí. Segundo a família, o ex-surfista faleceu no Queen’s Medical Center, após complicações de um ataque cardíaco. A informação foi confirmada à emissora Hawaii News Now.
Conhecido como “The Rubberman”, Bertlemann marcou os anos 1970 com um estilo inovador. Suas curvas fechadas, mudanças rápidas de direção e movimentos próximos à água romperam padrões da época. Além disso, ele explorou manobras aéreas quando essa abordagem ainda era pouco comum. Por isso, tornou-se uma referência para diferentes gerações.
Larry Bertlemann ajudou a transformar o surfe
Nascido em Hilo, em 1955, o havaiano cresceu em Honolulu e começou a surfar ainda criança, nas ondas de Waikiki. Desde cedo, chamou atenção pela criatividade e pela habilidade de mudar a linha da prancha em frações de segundo. Assim, desenvolveu uma abordagem que o diferenciou de outros surfistas de sua geração.
Na década de 1970, Larry Bertlemann trabalhou com o shaper Ben Aipa e utilizou pranchas do modelo stinger. Com isso, conseguiu explorar curvas agressivas e trajetórias pouco convencionais. Seu surfe misturava velocidade, flexibilidade e improvisação. Além disso, sua capacidade de executar movimentos inesperados ampliou as possibilidades de manobras nas ondas.
Além da influência técnica, o havaiano conquistou resultados expressivos. Em 1973, venceu o campeonato nacional dos Estados Unidos. No ano seguinte, ganhou o Duke Kahanamoku Classic. Também chegou ao pódio em eventos como o Pipeline Masters e o Smirnoff Pro. Dessa forma, consolidou seu nome entre os principais surfistas da época.
Larry Bertlemann ganhou projeção internacional e estampou capas das principais revistas de surfe da época. Foto: Art Brewer
A influência de Bertlemann no skate
O impacto de Larry Bertlemann ultrapassou as ondas. Na Califórnia, integrantes do grupo Zephyr, conhecido como Z-Boys, buscaram inspiração em seus movimentos. Entre eles estavam Tony Alva, Jay Adams e Stacy Peralta. Assim, o estilo do havaiano também ajudou a transformar a maneira como os skatistas exploravam suas manobras.
Ao levar a linguagem do surfe para o asfalto, esses skatistas exploraram curvas profundas e posições baixas. Dessa forma, ajudaram a desenvolver um estilo que marcou a evolução da modalidade. Por exemplo, o nome do havaiano ficou associado aos Bert slides, manobra de skate inspirada nesse tipo de curva.
Além disso, a ligação entre os dois esportes reforçou a importância de Bertlemann fora das competições de surfe. Afinal, seus movimentos também serviram de referência para uma geração que ajudou a popularizar o skate moderno.
Larry Bertlemann, pioneiro do surfe moderno, durante uma sessão em Sunset Beach, no Havaí. Foto: Art Brewer
Reconhecimento dentro e fora da água
Bertlemann também se destacou pela personalidade e pela presença na mídia. Durante os anos 1970, apareceu em oito capas das revistas Surfing e Surfer. Além disso, atraiu patrocinadores de fora do mercado tradicional do esporte, como Pepsi, Toyota e United Airlines.
Ao mesmo tempo, sua imagem ajudou a ampliar a visibilidade do surfe para além do público especializado. Dessa maneira, o havaiano ganhou reconhecimento tanto pelas manobras quanto pela personalidade marcante.
Em 2014, o Surfing Walk of Fame homenageou o havaiano na categoria Surf Champion. O reconhecimento reforçou o lugar que ele ocupa na história do esporte.
De acordo com a nota divulgada pela família, Bertlemann também teve uma trajetória como artista. Além disso, deixou três filhos, oito netos e nove bisnetos. Até o momento da divulgação, os familiares não haviam anunciado os detalhes da despedida.
Seu legado ajuda a entender a evolução do surfe, desde a tradição havaiana até as manobras atuais. Afinal, Larry Bertlemann não apenas acompanhou uma mudança de época. Ele ajudou a abrir novos caminhos para o esporte.
Danilo Couto relembra como construiu amizades e conquistou o respeito dos locais no Havaí, em entrevista ao Fala Papah!. Foto: Fred Pompermayer
A experiência de Danilo Couto no Havaí foi marcada por amizades, aprendizado e uma conquista gradual de respeito. Durante sua participação no Fala Papah!, o surfista conversou com Ader Oliveira sobre localismo e explicou como construiu sua relação com os havaianos.
Segundo Danilo, chegar com humildade e compreender a dinâmica dentro da água fizeram diferença nessa trajetória. Além disso, morar no arquipélago permitiu criar vínculos que iam além das temporadas de surfe.
“Fui conquistando o meu respeito aos poucos”, contou o baiano, ao recordar sua convivência com os locais.
Como Danilo Couto encontrou seu espaço no Havaí
Ao responder sobre possíveis dificuldades por ser brasileiro, Danilo afirmou que teve uma boa adaptação. Embora tenha precisado se posicionar em algumas situações no início, ele destacou as amizades que construiu ao longo dos anos.
Com o tempo, passou a conviver e viajar com havaianos. Dessa forma, sua presença deixou de ser apenas a de um visitante que aparecia durante os melhores meses de ondas.
Segundo o surfista, essa proximidade fez com que alguns o considerassem, de certa maneira, um local. Entretanto, o reconhecimento veio aos poucos, como resultado da convivência e da postura que adotou.
Esperar a vez e aproveitar as oportunidades
Para Danilo, entender o funcionamento do pico é fundamental. Durante a entrevista, ele citou atitudes como respeitar a vez dos outros, esperar o momento certo e evitar desperdiçar oportunidades.
Na avaliação do baiano, os locais observam o comportamento de quem chega. Por isso, a maneira de agir dentro da água pode influenciar a recepção de um visitante.
Além do respeito, ele destacou a disposição para encarar as ondas. O surfista precisa demonstrar atitude quando surge sua oportunidade, sem ignorar a dinâmica de quem já está no mar.
Assim, Danilo relaciona a conquista de espaço a uma combinação de paciência, convivência e comprometimento com o surfe.
O localismo mudou ao longo dos anos?
Danilo também comentou as mudanças que percebeu no Havaí. Segundo ele, os excessos foram maiores no passado. Hoje, a presença de câmeras e a estrutura do esporte tornam determinadas atitudes mais visíveis.
Ainda assim, ele considera que os havaianos continuam protegendo suas ondas e observando quem chega. Na sua avaliação, os visitantes também passaram a compreender melhor essa dinâmica.
O relato apresenta sua experiência pessoal com o localismo. Ao falar sobre o tema, Danilo enfatiza que conseguiu construir uma convivência positiva e duradoura com os moradores.
A diferença entre convivência e preconceito no esporte
Durante a conversa, Danilo fez uma distinção importante. Ele afirmou que sentiu pouco preconceito por parte dos havaianos, mas identificou resistência aos brasileiros no ambiente esportivo.
Para o baiano, o crescimento do Brasil no surfe provocou incômodo em outros espaços. Por outro lado, sua relação cotidiana com os locais do Havaí foi marcada por afinidades e amizades.
Segundo ele, brasileiros que chegam com tranquilidade e respeito podem ser bem recebidos. Já atitudes de desrespeito tendem a gerar conflitos.
A trajetória de Danilo Couto no Havaí mostra como o respeito pode ser construído ao longo do tempo. Mais do que encontrar boas ondas, sua experiência envolveu aprender a conviver e fazer parte de uma comunidade.
Assista ao corte no canal Fala Papah! no YouTube e confira a conversa de Danilo Couto com Ader Oliveira sobre localismo, respeito e surfe no Havaí.
Apoie quem apoia o podcast: use o cupom FALAPAPAH e ganhe 15% de desconto no site da Naturebarr.
Lapo Coutinho relembra, no Fala Papah!, a agressão que sofreu no Havaí e conta como o conflito chegou ao fim.
A trajetória de Lapo Coutinho no Havaí também tem episódios de violência. Em entrevista a Ader Oliveira no Fala Papah!, o surfista baiano contou que foi espancado por dez homens. Segundo seu relato, dois rottweilers reforçavam a intimidação e impediam qualquer tentativa de reação.
“Eu fui espancado lá por 10”, afirmou Lapo, ao identificar os agressores como integrantes dos Black Trunks. Durante a conversa, ele explicou como saiu de casa até o local da agressão. Além disso, relembrou o apoio que recebeu de outros moradores e o pedido de desculpas que ouviu anos depois.
Como Lapo Coutinho foi levado até o local
Segundo Lapo, ele cuidava do quintal de casa quando foi chamado para sair. Estava de sunga, vestiu uma camisa e acompanhou os homens. No entanto, o encontro terminou em uma agressão coletiva.
Ao relembrar a cena, o baiano descreveu os cães próximos enquanto recebia os golpes. Diante daquela situação, decidiu não reagir. Sentou no chão e colocou as mãos sobre a cabeça para se proteger.
O relato surgiu durante uma conversa sobre a violência enfrentada por brasileiros no surfe havaiano. Na avaliação de Lapo, muitos precisavam suportar intimidações porque voltariam ao arquipélago para competir nas temporadas seguintes.
Assim, o episódio ajuda a compreender o ambiente que ele descreve: além dos desafios dentro da água, havia conflitos e ameaças em terra.
O apoio de outros locais no Havaí
Apesar da agressão, Lapo contou que encontrou apoio entre moradores de outras partes da ilha. Segundo ele, pessoas do West Side assumiram sua defesa e ajudaram a mudar o rumo do conflito.
Com isso, a disputa passou a envolver os próprios locais. O baiano lembrou que essa proteção foi importante para chegar a um acordo e encerrar as ameaças.
Durante a entrevista, ele também associou aquele período à sua rotina de estudos na Universidade do Havaí. Portanto, as dificuldades não se limitavam ao surfe: interferiam na vida que construía no arquipélago.
O pedido de desculpas e o convite de Natal
Anos depois, a história ganhou outro capítulo. Lapo afirmou que recebeu um pedido de desculpas quando voltou ao Havaí, em 1997. Além disso, contou que o assunto voltou a aparecer em conversas posteriores.
Ao recordar o encerramento do conflito, ele mencionou até um convite para passar o Natal com o homem com quem havia se desentendido. Entretanto, preferiu não participar da celebração, pois ainda considerava tudo muito recente.
A lembrança levou a um momento de humor na entrevista. Lapo contou que enviou uma moqueca preparada com um peixe que havia recebido anteriormente do próprio anfitrião. A história arrancou risadas durante a conversa com Ader Oliveira.
Ainda assim, o tom descontraído do desfecho não diminui a gravidade da agressão narrada. O depoimento reúne medo, relações de amizade e tentativas de reconciliação em um capítulo marcante da trajetória de Lapo Coutinho no Havaí.
Assista ao corte no canal Fala Papah! no YouTube e acompanhe o relato nas palavras do próprio Lapo.
Apoie quem apoia o podcast: use o cupom FALAPAPAH e ganhe 15% de desconto no site da Naturebarr.
Uma bateria entre Andy Irons e Armando Daltro terminou com uma prancha furada e tensão dentro da água. Em entrevista ao Fala Papah!, o brasileiro contou que o havaiano atingiu seu equipamento após uma disputa de marcação em Haleiwa.
Segundo Mandinho, tudo começou quando ele conseguiu escapar da marcação de Andy e pegar uma onda. Depois, ao voltar para marcar o adversário, viu a situação mudar.
“Ele enfiou o bico da prancha na minha”, relatou. Na sequência, Armando confirmou que o contato chegou a furar sua prancha.
Como começou a disputa entre Andy Irons e Armando Daltro
Naquela bateria, Andy estava em posição de classificação, enquanto Armando precisava de uma onda para avançar. Por isso, o havaiano tentou limitar a movimentação do brasileiro.
Entretanto, Mandinho percebeu uma oportunidade de escapar. Ele esperou a onda chegar perto e fez um movimento que, segundo seu relato, surpreendeu o adversário.
A estratégia funcionou. Armando conseguiu pegar a onda e virar a disputa entre os dois. Em seguida, voltou ao fundo e passou a marcar Andy.
Foi nesse momento que, de acordo com o brasileiro, o havaiano enfiou o bico da prancha em seu equipamento. Apesar da tensão, Armando disse que não respondeu à provocação.
A prancha furada e o medo de uma agressão
Ao recordar o episódio, Mandinho contou que Andy ficou xingando dentro da água. Além disso, lembrou uma discussão envolvendo Neco Padaratz após a bateria.
Sobre a participação de Neco, porém, Armando fez uma ressalva: acredita que o brasileiro tenha visto o ocorrido e falado com Andy. Ele não afirmou saber exatamente o motivo da discussão.
Mandinho também admitiu que ficou com medo de uma possível agressão. Ainda assim, considerava que não havia feito nada errado ao escapar da marcação.
“Eu só usei a minha esperteza e dei a volta nele”, explicou.
Por fim, Armando contou que saiu rapidamente e se juntou aos outros atletas. Neco venceu a bateria, e Mandinho avançou em segundo lugar.
A estratégia por trás da virada
Antes de contar a história, Armando explicou como estudava as condições do mar e o comportamento dos adversários. Para ele, escolher o posicionamento certo era parte fundamental da competição.
Por exemplo, observava onde entravam as melhores ondas e imaginava quais manobras conseguiria executar nelas. Além disso, acompanhava as baterias anteriores para ajustar sua estratégia.
Na disputa em Haleiwa, essa leitura ajudou o brasileiro a encontrar uma saída para a marcação. Naquela época, a bateria não tinha o sistema de prioridade mencionado na conversa.
Por isso, a disputa por posicionamento tinha um peso importante. No entanto, Armando diferenciou o uso das regras de uma atitude agressiva contra o adversário.
Neco Padaratz e Kieren Perrow também aparecem no relato
O corte reúne outras lembranças da carreira de Mandinho. Entre elas, estão três derrotas seguidas para Neco Padaratz, com quem mantinha uma boa relação.
Apesar da frustração de perder repetidamente para o mesmo competidor, Armando disse que não conseguiu guardar mágoa do amigo.
Além disso, relembrou uma disputa com Kieren Perrow em Margaret River. Segundo ele, os dois encostaram as bordas das pranchas e receberam uma interferência dupla.
Essas histórias mostram como estratégia, rivalidade e amizade conviviam no circuito. O episódio com Andy, entretanto, se destaca pelo dano à prancha e pela tensão que Armando descreve.