
A ISA anunciou a suspensão provisória de um atleta de suas competições e reforçou seu compromisso com a segurança e a proteção dos surfistas. Foto: Pablo Jimenez / ISA
A ISA anuncia suspensão provisória de um atleta em meio à repercussão de denúncias graves de abuso na comunidade do surfe. Em comunicado divulgado nesta quarta-feira (14), a International Surfing Association informou que seu Comitê Executivo decidiu impedir temporariamente a participação do competidor em eventos sancionados pela entidade.
Segundo a organização, o afastamento tem caráter preventivo e busca proteger a segurança e o bem-estar dos atletas. Entretanto, a ISA ressaltou que a decisão não representa uma conclusão sobre a responsabilidade da pessoa envolvida.
O comunicado oficial da ISA não revela a identidade do competidor. Além disso, a entidade não informou um prazo para a conclusão de seus procedimentos de investigação e análise.
ISA anuncia suspensão provisória e reforça proteção aos atletas
A decisão foi tomada pelo Comitê Executivo da ISA, responsável por aprovar o afastamento preventivo enquanto o caso passa por novas verificações.
De acordo com a entidade, a medida está fundamentada em seu Código de Conduta e Política de Proteção dos Atletas, além do Código de Ética. Esses documentos estabelecem normas de comportamento, mecanismos de denúncia e procedimentos disciplinares.
A ISA também reafirmou seu compromisso com o devido processo, a confidencialidade e os direitos de todas as pessoas envolvidas.
Portanto, a suspensão não deve ser interpretada como uma punição definitiva. Trata-se de uma medida esportiva provisória, cuja continuidade dependerá dos procedimentos previstos nos regulamentos da entidade.
O que diz o Código de Ética da ISA?
O Código de Ética da ISA estabelece regras para prevenir e combater diferentes formas de violência, assédio, discriminação e abuso no ambiente esportivo.
Entre as condutas proibidas estão abuso sexual, violência física, intimidação, assédio psicológico e comportamentos que comprometam a segurança dos participantes.
Além disso, o documento prevê medidas provisórias durante investigações, incluindo a suspensão de pessoas envolvidas em denúncias, quando necessário para proteger os participantes.
Outro ponto importante é que a ISA pode iniciar investigações de maneira independente. Conforme seu Código de Ética, denúncias de terceiros e informações divulgadas pela imprensa também podem motivar uma apuração.
Entretanto, o comunicado desta quarta-feira não esclarece quais informações específicas levaram o Comitê Executivo a adotar a medida.
Entidade possui canal para denúncias de abuso
A ISA também mantém uma política de proteção dos atletas, conhecida internacionalmente como safeguarding.
O programa estabelece mecanismos de prevenção, educação e denúncia, com atenção especial a menores de idade e pessoas em situação de vulnerabilidade.
Segundo a entidade, atletas, treinadores, dirigentes, árbitros e outros profissionais ligados às suas atividades devem respeitar essas normas.
Além disso, a ISA disponibiliza um canal oficial para denúncias de assédio e abuso. Os relatos podem ser apresentados de maneira confidencial ou anônima, embora o anonimato possa limitar determinadas etapas da investigação.
A organização também proíbe retaliações contra pessoas que apresentam denúncias de boa-fé ou colaboram com procedimentos de apuração.
Decisão ocorre após suspensão anunciada pela WSL
O anúncio da ISA acontece três dias depois de a World Surf League (WSL) confirmar a suspensão provisória de um competidor do Championship Tour masculino de 2026.
Na ocasião, a WSL informou que havia recebido denúncias de natureza extremamente grave relacionadas a um encontro privado realizado no Tahiti, em agosto. A organização também esclareceu que o encontro não tinha vínculo com suas atividades.
Embora não tenha divulgado oficialmente o nome do competidor, a WSL confirmou seu afastamento provisório de todos os eventos da liga.
Posteriormente, o jornalista australiano Nick Carroll, da revista Surfing World, apontou o mexicano Alan Cleland Jr. como o atleta suspenso.
AOS Mídia noticiou o primeiro comunicado na reportagem sobre a suspensão anunciada pela WSL após denúncias no Tahiti.
Já a ISA não identificou o atleta em seu novo comunicado nem confirmou expressamente que sua decisão envolve o mesmo competidor afastado pela WSL.
Por isso, as duas manifestações precisam ser apresentadas com essa distinção. Não é possível atribuir à ISA uma identificação que ela não divulgou oficialmente.
ISA não informa prazo para decisão definitiva
Até o momento, a ISA não anunciou uma data para a conclusão da análise. A organização também afirmou que não fará novos comentários sobre as circunstâncias individuais do caso nesta etapa.
Enquanto isso, a suspensão provisória impede a participação do atleta envolvido em eventos sancionados pela entidade.
A ISA destacou ainda que continuará trabalhando com federações nacionais e parceiros para reforçar os princípios de segurança, respeito e integridade no surfe mundial.
Assim, a decisão representa mais um posicionamento institucional diante das denúncias recentes. Entretanto, o afastamento preventivo não constitui uma conclusão de culpa nem substitui eventuais investigações conduzidas pelas autoridades competentes.
Fontes: International Surfing Association (ISA), Código de Ética e Política de Proteção dos Atletas; World Surf League (WSL); e revista australiana Surfing World.
Veja também: carrossel da AOS Mídia sobre o comunicado da ISA no Instagram.