Esdras Morais, surfista baiano radicado em Santa Catarina, celebra a conquista da bolsa ISA 2024, que impulsionará sua carreira no surfe competitivo. Foto: Divulgação
O surfista brasileiro Esdras Morais, natural da Bahia e atualmente radicado em Santa Catarina, foi um dos contemplados com a bolsa de estudos da International Surfing Association (ISA). O programa, que distribuiu US$ 20.000 entre 40 jovens atletas de 23 países, tem como objetivo apoiar jovens talentos de comunidades carentes, incentivando tanto suas carreiras esportivas quanto seus estudos.
Um destaque entre jovens atletas de todo o mundo
A diversidade dos premiados reflete a missão global da ISA de expandir o surfe para novos territórios e oferecer oportunidades para atletas de diferentes contextos. Entre os países representados estão Gana, Turquia, Venezuela, Libéria, Jamaica, Filipinas, Irã, Tailândia e Madagascar. Esdras se destaca como um dos nomes brasileiros no programa, com potencial para representar o país nos mais altos níveis do esporte.
Desde a criação do programa em 2007, mais de US$ 408.500 foram concedidos a mais de 400 surfistas em todo o mundo. Grandes nomes, como Daniela Rosas (Peru) e Carlos Muñoz (Costa Rica), começaram suas trajetórias com o apoio da ISA, conquistando títulos importantes e até mesmo participando dos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020.
A jornada de Esdras Morais
Esdras Morais é um exemplo inspirador de determinação e disciplina. Apaixonado pelo surfe, o jovem atleta encontrou na prática do esporte não apenas um estilo de vida, mas uma ferramenta para desenvolver sua disciplina e foco. Hoje, ele vê no surfe uma forma de conhecer novos lugares, culturas e pessoas, ampliando suas perspectivas tanto dentro quanto fora do mar.
Atualmente, radicado em Santa Catarina, Esdras treina intensamente para aprimorar suas habilidades e competir em alto nível. Seu sonho é consolidar uma carreira no surfe competitivo, ao mesmo tempo em que planeja ingressar na faculdade para cursar Educação Física. Com o apoio financeiro da bolsa ISA, ele terá a oportunidade de participar de mais competições e receber treinamento especializado, fatores essenciais para elevar ainda mais seu desempenho.
Brasileiros contemplados pelo Programa ISA
Ao longo dos anos, vários jovens surfistas brasileiros já foram reconhecidos pela ISA com a prestigiosa bolsa de estudos, reforçando o potencial do surfe no Brasil. Confira os atletas contemplados:
2022: Kemily Sampaio, Alma Corgiolu, Fabricio Conceição de Jesus e João Rafael Cardoso Mendes
2021: Sarah Ozorio e Letícia Calleia
2020: Rayan Fadul, Cauã Costa, Maria Eduarda e Maria Clara
2016: Raul Bormann
2014: Kauê Germano e Vinícius Parra
2013: Kauê Germano, Vinícius Parra e Bruno Marroche
2009: Victor Bernardo
A inclusão de Esdras Morais nessa lista de talentos demonstra a continuidade e a relevância do programa no Brasil, incentivando novas gerações a crescerem no surfe competitivo e no ambiente educacional.
O impacto das bolsas ISA
Para o presidente da ISA, Fernando Aguerre, o programa de bolsas vai muito além do surfe. Segundo Aguerre, a iniciativa não apenas incentiva a formação de atletas de elite, mas também promove a construção de sonhos e oferece oportunidades concretas para jovens de todo o mundo.
“Estamos inspirando sonhos e criando oportunidades para crianças de todos os cantos do planeta. Não se trata apenas de surfar; é sobre dar uma chance para que jovens talentosos possam vencer na vida, dentro ou fora d’água”, afirmou Aguerre.
O futuro promissor de Esdras
A conquista da bolsa ISA representa um marco na trajetória de Esdras Morais, que agora poderá investir mais em sua formação como surfista profissional. O apoio financeiro permitirá ao jovem competir em campeonatos importantes, ganhar visibilidade e se desenvolver como atleta.
Sua determinação em evoluir no esporte, aliada ao compromisso com os estudos, reforça que sonhos são alcançados com dedicação e disciplina. Com o incentivo certo, ele promete ir ainda mais longe e se tornar um dos grandes nomes do surfe.
Fernando Aguerre foi reeleito por unanimidade para mais quatro anos como presidente da International Surfing Association (ISA). Divulgação ISA
Fernando Aguerre seguirá por mais quatro anos no comando da International Surfing Association (ISA). O argentino foi reeleito por unanimidade durante a Assembleia Geral Anual da entidade e inicia um novo mandato em um momento importante para o crescimento mundial e olímpico do surfe.
Aguerre ocupa a presidência da ISA desde 1994. Durante esse período, a modalidade passou por uma transformação significativa. Sobretudo, o surfe conquistou espaço no programa olímpico e fez sua estreia nos Jogos de Tóquio 2020. Depois, voltou ao programa em Paris 2024, com a competição realizada nas ondas de Teahupo’o, no Taiti.
Agora, a atenção da entidade se volta para Los Angeles 2028.
LA28 será prioridade no novo mandato
Um dos principais desafios de Fernando Aguerre será conduzir o surfe até sua terceira participação consecutiva nos Jogos Olímpicos. Em LA28, a disputa acontecerá nas ondas de Lower Trestles, na Califórnia.
Além disso, a ISA pretende continuar trabalhando para ampliar a presença da modalidade em diferentes regiões do planeta. Atualmente, a entidade reúne 120 federações nacionais.
A entrada do Zimbábue, aprovada durante a Assembleia Geral, fez a organização atingir essa marca. Portanto, a expansão internacional continuará entre as prioridades do próximo ciclo.
“O surfe olímpico já foi um sonho impossível, mas juntos tornamos esse sonho realidade”, destacou Aguerre ao comentar sua reeleição.
O dirigente também citou Brisbane 2032. Dessa forma, a ISA já olha além dos próximos Jogos e pretende fortalecer a posição do surfe dentro do Movimento Olímpico.
À frente da ISA desde 1994, Fernando Aguerre teve papel decisivo no processo que levou o surfe aos Jogos Olímpicos. Divulgação ISA
ISA também define nomes do Comitê Executivo
A Assembleia Geral também confirmou outros nomes importantes da administração da entidade. Jean-Luc Arassus, da França, e Barbara Kendall, da Nova Zelândia, foram reeleitos vice-presidentes.
Por outro lado, Afridun Amu, do Afeganistão, foi eleito membro regular do Comitê Executivo da ISA.
Além das eleições, a reunião abordou diferentes áreas de desenvolvimento da entidade. Entre os temas discutidos estavam formação de atletas, antidoping, para surfe, sustentabilidade, proteção dos atletas e apoio às federações nacionais.
Igualdade de gênero ganha destaque
A ISA também apresentou dados relacionados à participação feminina na administração do surfe. Segundo a entidade, 88% das federações filiadas possuem pelo menos uma mulher em posição de liderança.
Além disso, 66% das federações participam de iniciativas voltadas à igualdade de gênero. Ao mesmo tempo, 13 mulheres ocupam atualmente cargos de presidente, CEO ou diretora-executiva nas organizações nacionais ligadas à ISA.
Outro projeto destacado foi o Women’s Judging Program. A iniciativa busca aumentar a participação feminina nos painéis de julgamento e terá uma nova edição durante o ISA World Junior Surfing Championship de 2026, em El Salvador.
Aguerre projeta novo capítulo para o surfe mundial
Após ser reeleito, Fernando Aguerre agradeceu a confiança da comunidade internacional do surfe. O dirigente também reforçou que considera o esporte muito mais do que uma competição.
Para ele, o surfe representa uma cultura e uma forma de conexão com a natureza. Por isso, a ISA pretende combinar o crescimento competitivo da modalidade com iniciativas ambientais, sociais e de desenvolvimento.
Assim, Aguerre inicia mais quatro anos à frente da entidade que governa o surfe mundial. Depois de ajudar a transformar em realidade o antigo objetivo de levar o esporte aos Jogos Olímpicos, o argentino terá agora a missão de fortalecer esse legado e ampliar ainda mais o alcance global do surfe.
Campeão mundial master da ISA em 2024, Diego Rosa é o novo convidado do Fala Papah!. Foto: ISA / Pablo Franco
Conquistar um título mundial costuma ser o ponto mais alto da carreira de um atleta. No caso de Diego Rosa, porém, a maior vitória aconteceu muito antes de subir ao lugar mais alto do pódio.
Em entrevista ao podcast Fala Papah!, o campeão mundial master da ISA abriu o coração para contar como enfrentou um período de depressão, se afastou completamente do surfe e precisou reconstruir a própria vida antes de voltar a competir.
A depressão afastou Diego Rosa do surfe
Depois de muitos anos competindo em alto nível, Diego Rosa viu sua carreira mudar de rumo. Sem patrocínio e longe do circuito profissional, entrou em uma fase extremamente difícil.
Durante a conversa, ele revelou que ficou quase dois anos sem surfar, ganhou cerca de 25 quilos e perdeu completamente a motivação para praticar o esporte que sempre fez parte da sua vida.
Segundo Diego, houve momentos em que sequer tinha vontade de sair da cama. Ele também contou que chegou a recorrer ao álcool e só mais tarde compreendeu que estava enfrentando uma depressão.
O surfista fez questão de destacar que, durante muitos anos, acreditava que a depressão era apenas um estado passageiro. Depois de viver essa experiência, mudou completamente sua visão sobre o assunto.
O apoio da família foi fundamental
Outro ponto importante destacado por Diego Rosa foi o apoio recebido durante esse processo.
Ele afirmou que a família, especialmente a esposa, teve papel decisivo para ajudá-lo a reencontrar o caminho. Além disso, contou que buscou forças na espiritualidade e decidiu mudar completamente sua rotina para deixar aquele período para trás.
O surfe se tornou o caminho para a recuperação
Curiosamente, Diego Rosa não voltou ao mar pensando em títulos.
Segundo ele, a decisão de voltar a surfar aconteceu porque precisava recuperar a saúde física e mental.
Com o retorno aos treinos, a disposição voltou, a qualidade de vida melhorou e o esporte passou a ser uma ferramenta para reconstruir sua autoestima. Somente depois desse processo surgiu novamente a vontade de competir.
Pouco tempo depois, vieram os resultados.
Diego conquistou o Campeonato Brasileiro Master, voltou a ter patrocinadores e alcançou o maior feito da carreira ao vencer o Mundial Master da ISA em 2024.
Antes da conquista do ouro, Diego superou a depressão. Foto: ISA / Jersson Barboza
A música “Curing” nasceu dessa transformação
Durante o episódio, Diego também falou sobre “Curing”, música gravada em parceria com Murilo Naspolini, conhecido artisticamente como Murahead.
A canção retrata exatamente o período mais difícil vivido pelo surfista. A letra aborda sentimentos como escuridão, perda de rumo e a reconstrução até alcançar novamente a esperança.
Segundo Diego, a música representa sua caminhada desde o “fundo do poço” até a conquista do ouro mundial.
Um novo Diego Rosa
Quem acompanhou a carreira de Diego Rosa no circuito profissional certamente percebeu outra mudança.
Conhecido no passado por ser um atleta mais fechado e intenso durante as competições, ele afirma que hoje vive uma fase completamente diferente.
O surfista reconhece que amadureceu, aprendeu com os erros e entende que estar mais leve, sorridente e aberto às pessoas trouxe benefícios dentro e fora do esporte.
Uma mensagem para quem enfrenta momentos difíceis
Ao final da entrevista, Diego Rosa deixou uma mensagem para quem passa por dificuldades semelhantes.
Ele incentivou as pessoas a não desistirem da prática esportiva, ressaltando que o exercício pode ser um importante aliado da saúde física e mental. Também aconselhou atletas a planejarem a vida além da carreira competitiva, evitando que o fim do ciclo esportivo provoque crises emocionais.
Para ele, sempre existe a possibilidade de recomeçar.
Christian Bezerra, COO da WPS, fala sobre classificação olímpica do surfe para 2028. Foto: Reprodução
As propostas que podem alterar os critérios de classificação do surfe para os Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028 viraram um dos assuntos mais debatidos do esporte no cenário internacional. A notícia ganhou repercussão em diferentes mídias digitais após a AOS Mídia publicar o tema em primeira mão, trazendo ao público as informações iniciais sobre as mudanças discutidas nos bastidores.
O assunto agora entra em um novo capítulo com uma entrevista exclusiva no Fala Papah!, podcast apresentado por Ader Oliveira, gravada e publicada no canal do YouTube do projeto. O convidado é Christian Bezerra, COO da WPS (World Professional Surfers), entidade que representa os surfistas profissionais e atua como ponte institucional em pautas que envolvem os atletas do Championship Tour (CT).
Quem é a WPS e por que a opinião dela pesa
A WPS é uma organização que representa os interesses dos surfistas profissionais, especialmente os atletas que competem na elite mundial. Na entrevista, Christian comenta como essas propostas são percebidas do ponto de vista de quem está diretamente ligado ao dia a dia dos atletas e ao impacto que qualquer mudança pode gerar na preparação, no calendário e no caminho até a vaga olímpica.
O ponto central: calendário, meritocracia e previsibilidade
Durante a conversa, Christian destaca que o CT funciona como a principal plataforma competitiva do surfe profissional, com eventos ao longo do ano em diferentes condições e formatos. Para ele, qualquer alteração que aumente a dependência de eventos específicos pode criar cenários de maior imprevisibilidade e exigir ainda mais logística dentro de um calendário já muito intenso.
A discussão, portanto, não é apenas sobre números de vagas. Ela passa pela busca de um modelo que equilibre representatividade global, critérios esportivos, planejamento e justiça competitiva para quem está disputando a elite.
Debate internacional e interesse comum no melhor cenário
O processo olímpico envolve várias entidades e interesses diferentes. A ISA tem papel central por ser a federação internacional reconhecida pelo Comitê Olímpico Internacional. Já a WSL organiza o principal circuito profissional do esporte. No meio disso, a visão dos atletas e de seus representantes é uma peça importante para que o sistema final não gere distorções e preserve o nível técnico do surfe olímpico.