Fernando Aguerre foi reeleito por unanimidade para mais quatro anos como presidente da International Surfing Association (ISA). Divulgação ISA
Fernando Aguerre seguirá por mais quatro anos no comando da International Surfing Association (ISA). O argentino foi reeleito por unanimidade durante a Assembleia Geral Anual da entidade e inicia um novo mandato em um momento importante para o crescimento mundial e olímpico do surfe.
Aguerre ocupa a presidência da ISA desde 1994. Durante esse período, a modalidade passou por uma transformação significativa. Sobretudo, o surfe conquistou espaço no programa olímpico e fez sua estreia nos Jogos de Tóquio 2020. Depois, voltou ao programa em Paris 2024, com a competição realizada nas ondas de Teahupo’o, no Taiti.
Agora, a atenção da entidade se volta para Los Angeles 2028.
LA28 será prioridade no novo mandato
Um dos principais desafios de Fernando Aguerre será conduzir o surfe até sua terceira participação consecutiva nos Jogos Olímpicos. Em LA28, a disputa acontecerá nas ondas de Lower Trestles, na Califórnia.
Além disso, a ISA pretende continuar trabalhando para ampliar a presença da modalidade em diferentes regiões do planeta. Atualmente, a entidade reúne 120 federações nacionais.
A entrada do Zimbábue, aprovada durante a Assembleia Geral, fez a organização atingir essa marca. Portanto, a expansão internacional continuará entre as prioridades do próximo ciclo.
“O surfe olímpico já foi um sonho impossível, mas juntos tornamos esse sonho realidade”, destacou Aguerre ao comentar sua reeleição.
O dirigente também citou Brisbane 2032. Dessa forma, a ISA já olha além dos próximos Jogos e pretende fortalecer a posição do surfe dentro do Movimento Olímpico.
À frente da ISA desde 1994, Fernando Aguerre teve papel decisivo no processo que levou o surfe aos Jogos Olímpicos. Divulgação ISA
ISA também define nomes do Comitê Executivo
A Assembleia Geral também confirmou outros nomes importantes da administração da entidade. Jean-Luc Arassus, da França, e Barbara Kendall, da Nova Zelândia, foram reeleitos vice-presidentes.
Por outro lado, Afridun Amu, do Afeganistão, foi eleito membro regular do Comitê Executivo da ISA.
Além das eleições, a reunião abordou diferentes áreas de desenvolvimento da entidade. Entre os temas discutidos estavam formação de atletas, antidoping, para surfe, sustentabilidade, proteção dos atletas e apoio às federações nacionais.
Igualdade de gênero ganha destaque
A ISA também apresentou dados relacionados à participação feminina na administração do surfe. Segundo a entidade, 88% das federações filiadas possuem pelo menos uma mulher em posição de liderança.
Além disso, 66% das federações participam de iniciativas voltadas à igualdade de gênero. Ao mesmo tempo, 13 mulheres ocupam atualmente cargos de presidente, CEO ou diretora-executiva nas organizações nacionais ligadas à ISA.
Outro projeto destacado foi o Women’s Judging Program. A iniciativa busca aumentar a participação feminina nos painéis de julgamento e terá uma nova edição durante o ISA World Junior Surfing Championship de 2026, em El Salvador.
Aguerre projeta novo capítulo para o surfe mundial
Após ser reeleito, Fernando Aguerre agradeceu a confiança da comunidade internacional do surfe. O dirigente também reforçou que considera o esporte muito mais do que uma competição.
Para ele, o surfe representa uma cultura e uma forma de conexão com a natureza. Por isso, a ISA pretende combinar o crescimento competitivo da modalidade com iniciativas ambientais, sociais e de desenvolvimento.
Assim, Aguerre inicia mais quatro anos à frente da entidade que governa o surfe mundial. Depois de ajudar a transformar em realidade o antigo objetivo de levar o esporte aos Jogos Olímpicos, o argentino terá agora a missão de fortalecer esse legado e ampliar ainda mais o alcance global do surfe.
Campeão mundial master da ISA em 2024, Diego Rosa é o novo convidado do Fala Papah!. Foto: ISA / Pablo Franco
Conquistar um título mundial costuma ser o ponto mais alto da carreira de um atleta. No caso de Diego Rosa, porém, a maior vitória aconteceu muito antes de subir ao lugar mais alto do pódio.
Em entrevista ao podcast Fala Papah!, o campeão mundial master da ISA abriu o coração para contar como enfrentou um período de depressão, se afastou completamente do surfe e precisou reconstruir a própria vida antes de voltar a competir.
A depressão afastou Diego Rosa do surfe
Depois de muitos anos competindo em alto nível, Diego Rosa viu sua carreira mudar de rumo. Sem patrocínio e longe do circuito profissional, entrou em uma fase extremamente difícil.
Durante a conversa, ele revelou que ficou quase dois anos sem surfar, ganhou cerca de 25 quilos e perdeu completamente a motivação para praticar o esporte que sempre fez parte da sua vida.
Segundo Diego, houve momentos em que sequer tinha vontade de sair da cama. Ele também contou que chegou a recorrer ao álcool e só mais tarde compreendeu que estava enfrentando uma depressão.
O surfista fez questão de destacar que, durante muitos anos, acreditava que a depressão era apenas um estado passageiro. Depois de viver essa experiência, mudou completamente sua visão sobre o assunto.
O apoio da família foi fundamental
Outro ponto importante destacado por Diego Rosa foi o apoio recebido durante esse processo.
Ele afirmou que a família, especialmente a esposa, teve papel decisivo para ajudá-lo a reencontrar o caminho. Além disso, contou que buscou forças na espiritualidade e decidiu mudar completamente sua rotina para deixar aquele período para trás.
O surfe se tornou o caminho para a recuperação
Curiosamente, Diego Rosa não voltou ao mar pensando em títulos.
Segundo ele, a decisão de voltar a surfar aconteceu porque precisava recuperar a saúde física e mental.
Com o retorno aos treinos, a disposição voltou, a qualidade de vida melhorou e o esporte passou a ser uma ferramenta para reconstruir sua autoestima. Somente depois desse processo surgiu novamente a vontade de competir.
Pouco tempo depois, vieram os resultados.
Diego conquistou o Campeonato Brasileiro Master, voltou a ter patrocinadores e alcançou o maior feito da carreira ao vencer o Mundial Master da ISA em 2024.
Antes da conquista do ouro, Diego superou a depressão. Foto: ISA / Jersson Barboza
A música “Curing” nasceu dessa transformação
Durante o episódio, Diego também falou sobre “Curing”, música gravada em parceria com Murilo Naspolini, conhecido artisticamente como Murahead.
A canção retrata exatamente o período mais difícil vivido pelo surfista. A letra aborda sentimentos como escuridão, perda de rumo e a reconstrução até alcançar novamente a esperança.
Segundo Diego, a música representa sua caminhada desde o “fundo do poço” até a conquista do ouro mundial.
Um novo Diego Rosa
Quem acompanhou a carreira de Diego Rosa no circuito profissional certamente percebeu outra mudança.
Conhecido no passado por ser um atleta mais fechado e intenso durante as competições, ele afirma que hoje vive uma fase completamente diferente.
O surfista reconhece que amadureceu, aprendeu com os erros e entende que estar mais leve, sorridente e aberto às pessoas trouxe benefícios dentro e fora do esporte.
Uma mensagem para quem enfrenta momentos difíceis
Ao final da entrevista, Diego Rosa deixou uma mensagem para quem passa por dificuldades semelhantes.
Ele incentivou as pessoas a não desistirem da prática esportiva, ressaltando que o exercício pode ser um importante aliado da saúde física e mental. Também aconselhou atletas a planejarem a vida além da carreira competitiva, evitando que o fim do ciclo esportivo provoque crises emocionais.
Para ele, sempre existe a possibilidade de recomeçar.
Christian Bezerra, COO da WPS, fala sobre classificação olímpica do surfe para 2028. Foto: Reprodução
As propostas que podem alterar os critérios de classificação do surfe para os Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028 viraram um dos assuntos mais debatidos do esporte no cenário internacional. A notícia ganhou repercussão em diferentes mídias digitais após a AOS Mídia publicar o tema em primeira mão, trazendo ao público as informações iniciais sobre as mudanças discutidas nos bastidores.
O assunto agora entra em um novo capítulo com uma entrevista exclusiva no Fala Papah!, podcast apresentado por Ader Oliveira, gravada e publicada no canal do YouTube do projeto. O convidado é Christian Bezerra, COO da WPS (World Professional Surfers), entidade que representa os surfistas profissionais e atua como ponte institucional em pautas que envolvem os atletas do Championship Tour (CT).
Quem é a WPS e por que a opinião dela pesa
A WPS é uma organização que representa os interesses dos surfistas profissionais, especialmente os atletas que competem na elite mundial. Na entrevista, Christian comenta como essas propostas são percebidas do ponto de vista de quem está diretamente ligado ao dia a dia dos atletas e ao impacto que qualquer mudança pode gerar na preparação, no calendário e no caminho até a vaga olímpica.
O ponto central: calendário, meritocracia e previsibilidade
Durante a conversa, Christian destaca que o CT funciona como a principal plataforma competitiva do surfe profissional, com eventos ao longo do ano em diferentes condições e formatos. Para ele, qualquer alteração que aumente a dependência de eventos específicos pode criar cenários de maior imprevisibilidade e exigir ainda mais logística dentro de um calendário já muito intenso.
A discussão, portanto, não é apenas sobre números de vagas. Ela passa pela busca de um modelo que equilibre representatividade global, critérios esportivos, planejamento e justiça competitiva para quem está disputando a elite.
Debate internacional e interesse comum no melhor cenário
O processo olímpico envolve várias entidades e interesses diferentes. A ISA tem papel central por ser a federação internacional reconhecida pelo Comitê Olímpico Internacional. Já a WSL organiza o principal circuito profissional do esporte. No meio disso, a visão dos atletas e de seus representantes é uma peça importante para que o sistema final não gere distorções e preserve o nível técnico do surfe olímpico.
Rodrigo Sphaier é um dos principais nomes do longboard brasileiro, modalidade que foi recusada pelo COI para os Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028. Foto: ISA / Jersson Barboza
A International Surfing Association (ISA) recebeu uma resposta negativa do Comitê Olímpico Internacional (COI) para dois dos principais pedidos apresentados para os Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028 (LA28). Em comunicado oficial divulgado nesta terça-feira (9), a entidade lamentou a decisão do COI de não incluir o Longboard no programa olímpico e também de não ampliar o número de vagas para atletas de surfe.
As negativas frustram os planos da ISA, que tem trabalhado ativamente para fortalecer a presença do surfe no cenário olímpico desde a estreia da modalidade em Tóquio 2020. A entidade esperava ver o Longboard reconhecido como disciplina olímpica e defendia maior participação de atletas no surfe, o formato atual da competição.
“Obviamente, estamos desapontados com a notícia de que o Longboard não fará parte de LA28 e que também não receberemos mais vagas para nossos atletas”, afirmou o presidente da ISA, Fernando Aguerre.
O pedido da ISA por mais vagas no surfe também foi rejeitado pelo COI. Foto: ISA / Tim McKenna
Apesar da resposta negativa, a ISA reconheceu os critérios do COI, especialmente o compromisso com a igualdade de gênero, como fator determinante nas decisões sobre os esportes e cotas para os Jogos. Ainda assim, destacou que o Longboard tem ganhado espaço e reconhecimento internacional, com provas bem-sucedidas em eventos como os Jogos Pan-Americanos.
“Estamos orgulhosos da contribuição do surfe para o sucesso dos Jogos Olímpicos e continuaremos nossa jornada”, reforçou Aguerre. “Como surfistas, aprendemos a ser pacientes e persistentes. Foi assim que conseguimos incluir o surfe em Tóquio e será com essa mesma energia que seguiremos em frente.”
A ISA segue comprometida com a expansão do surfe em suas diversas disciplinas e pretende continuar o diálogo com o COI e com o comitê organizador de Brisbane 2032 para futuras possibilidades. No entanto, a decisão do COI representa um revés importante para os planos imediatos da entidade de ampliar a representação do esporte nos Jogos de LA28.