As praias da Bahia fazem parte da história construída pela Federação Baiana de Surf ao longo de cinco décadas. Foto: Fabriciano Jr.
A Federação Baiana de Surf completou 50 anos no dia 27 de julho de 2026. Fundada em 1976, no antigo Clube Português, na Pituba, em Salvador, a entidade acompanhou o crescimento do esporte e participou de alguns dos capítulos mais importantes do surfe na Bahia.
A criação da Federação foi idealizada por Ivo Almeida e por outros apaixonados pelo esporte, entre eles Carlão, Tourão, Menandro, Paulinho Grimaldi, Popó e Maurício Abubakir. Naquele período, o surfe ainda começava a se organizar como modalidade esportiva na Bahia e no Brasil.
Ao longo de cinco décadas, a entidade contribuiu para a realização de campeonatos, formação de atletas, desenvolvimento de novos talentos e fortalecimento institucional do surfe baiano. A trajetória também foi construída por meio de parcerias com organizações como ABRASP, Confederação Brasileira de Surf, antiga ASP e WSL, além de empresas, prefeituras e Governo do Estado.
O litoral baiano recebeu campeonatos que revelaram talentos e fortaleceram o surfe no estado. Foto: Fabriciano Jr.
Federação Baiana de Surf e seus grandes campeões
A história da Federação Baiana de Surf está diretamente ligada às conquistas de atletas que levaram o nome da Bahia ao cenário nacional e internacional.
Jojó de Olivença tornou-se o primeiro baiano campeão brasileiro profissional, o primeiro bicampeão nacional e o primeiro surfista negro a integrar a elite mundial. Mandinho permaneceu durante sete temporadas entre os melhores do mundo e conquistou o título do WQS, circuito que atualmente corresponde ao Challenger Series.
Christiano Spirro também protagonizou resultados históricos ao vencer duas vezes o australiano Mark Occhilupo no Rio de Janeiro e superar o tricampeão mundial Andy Irons em Fiji.
Nas ondas gigantes, Danilo Couto, Márcio Freire e Yuri Soledade formaram o grupo que ficou conhecido mundialmente como Mad Dogs. Os três baianos tornaram-se referências no Big Surf pelo pioneirismo, coragem e contribuição ao desenvolvimento da modalidade.
Outro nome de destaque nessa trajetória é o ilheense Dijackson Santos. Primeiro tricampeão brasileiro e campeão mundial de parasurf, o atleta contou com o acompanhamento da Federação e com o apoio de programas de incentivo, como o Bolsa Atleta.
Seu histórico de conquistas reforça a presença da Bahia no parasurf e mostra a importância de iniciativas voltadas à formação e ao desenvolvimento de atletas.
Campeonato Baiano revelou diferentes gerações
Durante os 50 anos da Federação Baiana de Surf, o Campeonato Baiano revelou e consagrou várias gerações. A relação de campeões e atletas que marcaram a competição inclui Christiano Spirro, Armando Daltro, Jojó de Olivença, Bino Lopes, Marco Fernandez, Rudá Carvalho, Franklin Serpa, Bruno Galini, Maria Eduarda, entre muitos outros.
A Bahia também recebeu competições nacionais e internacionais vencidas por nomes como Kanoa Igarashi, Adriano de Souza e Alex Ribeiro. Esses eventos ajudaram a consolidar o litoral baiano como palco de grandes disputas do surfe.
A construção desse legado passou pelo trabalho de diferentes diretorias e presidentes. Em 2015, a entidade conquistou o inédito título de campeã brasileira de base.
FBSurf projeta os próximos 50 anos
Sob a presidência de Alisson Reis, a FBSurf chega ao cinquentenário com o desafio de preservar sua história e, ao mesmo tempo, preparar o surfe baiano para o futuro.
A entidade pretende continuar trabalhando para tornar o esporte mais forte, popular e profissional, ampliando oportunidades e revelando novos talentos. O cinquentenário representa, portanto, não apenas uma celebração das conquistas do passado, mas também a renovação do compromisso com as próximas gerações.
Circuito Itacaré é SURF 2026 reúne surf, cultura e meio ambiente na Praia da Tiririca. Foto: Fabriciano Jr.
Nos dias 17 e 18 de outubro, a Praia da Tiririca, em Itacaré, recebe mais uma etapa do Circuito Itacaré é SURF 2026. Atletas de diferentes regiões da Bahia disputarão pontos no circuito. Além disso, a programação reunirá ações ambientais, exposições, artistas, comerciantes locais, um workshop e música.
Considerada um dos principais palcos do surf baiano, a Tiririca receberá competidores locais e de outras regiões do estado. Ao mesmo tempo, a etapa dará visibilidade aos talentos de Itacaré e à nova geração da modalidade.
Espaço Além das Ondas reúne instituições e comunidade local
O Circuito Itacaré é SURF foi criado para integrar esporte, meio ambiente, cultura, conhecimento e economia local. Por isso, as atividades não ficarão restritas às baterias da competição.
Durante o evento, o espaço Além das Ondas reunirá exposições e ações da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC) e do Projeto Baleia Jubarte. Sediada em Ilhéus, a UESC atua na região sul da Bahia. Já o Projeto Baleia Jubarte desenvolve trabalhos de pesquisa, educação ambiental e conservação da espécie. A instituição também mantém uma base em Itacaré.
Artistas e comerciantes locais participarão do espaço. Assim, o público poderá acompanhar a competição e conhecer iniciativas ligadas ao ambiente marinho, à cultura e à economia da cidade. No entanto, o material do evento ainda não detalha as ações que cada participante apresentará.
Workshop com Rodrigo Bareja e música
A programação prevê um workshop com Rodrigo Bareja, que já atuou na área de Comunicação e Marketing da Confederação Brasileira de Surf (CBSurf). A atividade deve promover a troca de conhecimentos e experiências com atletas, profissionais e interessados em surf. Por enquanto, o tema, o horário e os demais detalhes do workshop ainda estão em definição.
Além disso, a música fará parte da programação dos dois dias. Os artistas e horários das apresentações ainda não foram informados. Dessa forma, a competição e as atividades fora da água devem reunir diferentes públicos na Praia da Tiririca.
Com essa proposta, o Circuito Itacaré é SURF 2026 reforça a ligação de Itacaré com a modalidade. Ao mesmo tempo, abre espaço para instituições, artistas e comerciantes locais participarem do evento.
Serviço
Evento: etapa do Circuito Itacaré é SURF 2026 Quando: 17 e 18 de outubro de 2026 Onde: Praia da Tiririca, Itacaré (BA) Contato por WhatsApp: (73) 99831-2421
Cronograma sujeito a alterações pela organização, conforme as condições do mar.
Lapo Coutinho volta com tudo ao Fala Papah! Foto: Divulgação
O Havaí ocupa um lugar especial na história do surfe mundial. No entanto, quem acompanhou o North Shore em outras décadas sabe que o cenário também viveu períodos muito mais tensos. No novo episódio do Fala Papah!, Lapo Coutinho relembra algumas das maiores tretas que presenciou durante seus anos no arquipélago.
Lapo está de volta ao podcast depois da repercussão de sua primeira participação. Desta vez, porém, o programa é praticamente inteiro dedicado às histórias de conflitos, localismo, rivalidades e situações que marcaram uma época do surfe havaiano.
Logo no início, ele explica que o contexto era muito diferente do atual. Além disso, ressalta que o Havaí mudou bastante ao longo dos anos e que muitas das situações relatadas pertencem a outro momento da história do esporte.
Fast Eddie, Biju e outras histórias
Ao longo da conversa, Lapo passa por personagens conhecidos de diferentes gerações. Entre eles estão Fast Eddie, Marcelo Biju, Maurício Pelé, Neco Padaratz, Paulo Moura, Peterson Rosa e Andy Irons.
Uma das histórias envolve Marcelo Biju e uma confusão no Havaí. Em outro momento, Lapo relembra um episódio envolvendo Maurício Pelé no Backdoor Shootout em Honolua Bay. Posteriormente, aparecem também as histórias de Neco e de Paulo Moura, além de situações envolvendo havaianos conhecidos daquela época.
O programa ainda entra nos bastidores das competições. Lapo conta, por exemplo, como determinadas situações podiam colocar até mesmo juízes e integrantes da organização sob enorme pressão. Assim, o episódio ajuda a mostrar um lado do circuito profissional que dificilmente aparecia nas transmissões.
Andy Irons e a pressão de uma disputa mundial
Já na parte final, Lapo relembra um episódio envolvendo Andy Irons durante uma disputa pelo título mundial. A história mostra como a tensão competitiva podia se misturar ao ambiente do North Shore.
Além das brigas, o episódio procura explicar por que esse cenário mudou. Segundo Lapo, o aumento do profissionalismo, regras mais claras nas competições e uma atuação maior das autoridades contribuíram para reduzir os episódios de violência. Ao mesmo tempo, uma geração que protagonizou aquele período envelheceu e o próprio ambiente do surfe profissional se transformou.
Dessa forma, o novo Fala Papah! não se resume a uma sequência de histórias de pancadaria. O programa também funciona como um registro de uma fase do Havaí que marcou gerações de surfistas brasileiros.
Lapo Coutinho viveu de perto boa parte desse período. Agora, ele reúne algumas dessas histórias e explica como era estar no North Shore quando, como ele próprio resume no episódio, “o bicho pegava”.
Christiano Spirro e Ader Oliveira durante a gravação do Fala Papah!. Foto: Divulgação
Christiano Spirro é um dos nomes mais importantes da história do surfe baiano. Integrante da elite mundial em 1999, o surfista de Salvador foi o convidado do novo episódio do Fala Papah!, podcast do AOS Mídia. Durante a conversa, ele relembrou momentos marcantes da carreira e histórias envolvendo Andy Irons, Kelly Slater, Shane Dorian e outros grandes nomes do surfe mundial.
Hoje fisioterapeuta, Christiano Fráguas, o popular Spirro, voltou no tempo para contar como um jovem surfista da Bahia conseguiu chegar ao principal circuito do planeta. Além disso, falou sobre uma época em que a realidade dos atletas brasileiros era muito diferente da atual.
Christiano Spirro e a treta com Andy Irons
Um dos momentos mais divertidos da conversa é a história da vitória de Spirro sobre Andy Irons em Fiji. O brasileiro relembra a bateria contra o havaiano e conta que, naquele dia, a disputa não terminou quando a sirene tocou.
Depois da derrota, Andy Irons ficou furioso com a estratégia utilizada pelo baiano. No Fala Papah!, Spirro conta como foi o encontro entre os dois após a bateria e relembra, com muito bom humor, a tensão provocada pelo resultado.
Além da história em si, o episódio ajuda a entender como eram diferentes as disputas daquela geração. Na época, por exemplo, algumas baterias ainda aconteciam sem o sistema de prioridade utilizado atualmente.
Final histórica em Sunset Beach
Spirro também relembra uma campanha histórica em Sunset Beach, no Havaí. O baiano chegou à decisão de uma etapa do WQS e dividiu a final com Kelly Slater, Shane Dorian e outros adversários de peso.
No entanto, existe um lado dramático nessa história. Antes da decisão, Spirro sofreu uma lesão na coluna. Mesmo machucado, voltou ao mar para disputar a final. Posteriormente, o problema físico teria consequências importantes para sua trajetória no circuito.
Por isso, a passagem por Sunset ocupa um lugar especial em suas lembranças. Ao mesmo tempo em que conquistou um dos resultados mais expressivos da carreira, Spirro enfrentou uma lesão que prejudicou sua sequência como atleta profissional.
Shane Dorian, Rob Machado e outras histórias
As quase duas horas de conversa também renderam muitas histórias de bastidores. Afinal, Spirro conviveu e competiu com alguns dos principais surfistas do mundo durante uma geração marcante do circuito profissional.
Entre os casos, ele conta o dia em que entrou por engano em uma onda de Shane Dorian durante um treino em Fiji. A situação terminou com a prancha do havaiano quebrada e um constrangido Spirro oferecendo-se para pagar o prejuízo.
Rob Machado também aparece nas lembranças. Dessa vez, Spirro recorda, bem-humorado, uma bateria no Japão em que enfrentou o norte-americano e admite ter levado uma verdadeira “surra” dentro d’água.
Além deles, Kelly Slater, Fábio Gouveia, Jojó de Olivença, Armando Daltro, Neco Padaratz, Teco Padaratz, Peterson Rosa, Guilherme Herdy, Renan Rocha e Vitor Ribas estão entre os personagens lembrados durante o programa.
Da elite mundial à fisioterapia
Apesar do clima de muita resenha, o episódio também apresenta outro lado de Christiano Spirro. Depois da carreira competitiva, ele decidiu voltar aos estudos e se formou em Fisioterapia. Assim, iniciou uma segunda trajetória profissional longe dos campeonatos.
Durante a conversa, Spirro fala sobre a importância da educação na vida dos atletas e sobre as dificuldades de viver exclusivamente do surfe. Além disso, compara sua geração com a realidade atual, na qual os jovens também podem construir uma carreira por meio das redes sociais e da criação de conteúdo.
Atualmente, embora não dispute mais o circuito profissional, Spirro continua competindo em eventos da categoria Master. Dessa forma, mantém viva uma relação com a competição que começou ainda muito jovem nas praias da Bahia.
Por fim, o baiano analisa o atual sistema de classificação para o Championship Tour e revela um sonho que ainda pretende realizar no surfe: fazer uma surf trip reunindo a esposa e os três filhos.
O episódio completo de Christiano Spirro no Fala Papah! está disponível no YouTube e no Spotify.