Confira a previsão das ondas Portugal para o MEO Rip Curl Pro 2025. Foto: WSL / Thiago Diz
A nova previsão das ondas Portugal para o MEO Rip Curl Pro 2025 indica boas condições no fim de semana, mas o início da semana será marcado por ondas grandes e vento desfavorável. Com um forte padrão de tempestades no Atlântico, a WSL pode precisar ser estratégica para avançar na competição.
Fim de semana com boas condições para o surfe
A janela de espera abre com ondas promissoras, especialmente no sábado e no domingo, quando o mar estará mais alinhado e com vento mais fraco pela manhã.
Sábado (15/03): Ondas entre 1,5m e 2m, com boas condições na parte da manhã, mas vento maral aumentando à tarde.
Domingo (16/03): Ondas menores, entre 1m e 1,3m, ainda limpas pela manhã, mas com vento sul trazendo dificuldades à tarde.
Semana de mar agitado e desafiador
A partir de segunda-feira, um swell intenso atinge a costa de Peniche, trazendo ondas entre 4m e 6m no pico da tempestade. O vento sul forte pode dificultar a competição em Supertubos.
Segunda-feira (17/03): Ondas começam em 1,5m e podem chegar até 6m no fim do dia. O vento sul deixará o mar desorganizado.
Terça-feira (18/03): Swell forte continua, com ondas entre 3m e 4,5m, mas vento maral intenso deve prejudicar as condições.
Quarta-feira (19/03): O mar ainda estará grande, com ondas entre 2,5m e 4m e vento lateral, o que pode gerar algumas janelas de boas ondas.
Longo prazo: esperança para o próximo fim de semana
O próximo fim de semana (22-23/03) pode ser essencial para a finalização da etapa, já que há chances de mudança nos ventos. No entanto, a incerteza ainda é grande, e a WSL seguirá monitorando a previsão.
A organização pode considerar mudar a competição para outros picos da região, como Molhe Leste, Belgas e Lagide, caso Supertubos não ofereça condições ideais.
A previsão das ondas Portugal para o MEO Rip Curl Pro 2025 indica condições variáveis ao longo da janela de competição (15 a 25 de março). O primeiro fim de semana oferece boas oportunidades, enquanto a semana seguinte será marcada por ondas grandes e vento desfavorável.
Com base nos dados meteorológicos e na dinâmica das marés, a organização da WSL já começa a esboçar um cronograma de possíveis chamadas. O plano da organização é rodar o máximo de baterias possível até a maré seca neste sábado, aproveitando que nos últimos dois dias as condições se mantiveram razoáveis nesse período.
Provável cronograma da WSL
Sábado (15/03) – Abertura da competição
Primeira chamada: 4h30 da madrugada (horário de Brasília) | 7h30 (horário de Portugal).
Possível início: 5h (Brasília) | 8h (Portugal).
Condições esperadas:Ondas de 1,5m a 2m, vento fraco pela manhã e tendência de maré baixa com boa formação. À tarde, vento maral pode comprometer a qualidade das ondas.
Heats previstos:Round 1 masculino (MOR) seguido pelo Round 1 feminino (WOR) e, se possível, parte do Elimination Round (MER).
Domingo (16/03) – Continuidade com ondas menores
Primeira chamada: 4h30 (Brasília) | 7h30 (Portugal).
Possível início: 5h (Brasília) | 8h (Portugal).
Condições esperadas:Ondas de 1m a 1,3m, com vento fraco na parte da manhã e aumento do vento sul à tarde.
Heats previstos: Continuação do Elimination Round e possível início do Round of 32 masculino.
Segunda-feira (17/03) – Swell forte e desorganizado
Ondas começam em 1,5m e sobem para 6m no fim do dia.
Vento sul forte deixa o mar mexido e difícil para competição.
A WSL pode tentar rodar baterias no início da manhã, antes da tempestade se intensificar.
Terça-feira (18/03) e Quarta-feira (19/03) – Condições críticas
Swell entre 3m e 4,5m, mas com mar mexido devido ao vento maral.
Baixa chance de competição nesses dias, com possível adiamento até quinta.
Quinta-feira (20/03) e Sexta-feira (21/03) – Melhorando
Mar ainda grande (2,5m a 4m), mas ventos podem se tornar mais favoráveis.
Se confirmada a melhora, a WSL pode retomar o evento para os rounds finais.
Fim de semana (22-23/03) – Janela para decisões
Previsão de melhora no vento e ondas na faixa de 1,5m a 2,5m.
Possível realização das quartas, semis e finais.
Impacto do vento e das marés
A WSL está de olho na maré baixa, que pode ser essencial para a qualidade das ondas em Supertubos. Como o evento é móvel, há a possibilidade de mudança de local para Molhe Leste, Belgas ou Lagide caso o vento prejudique Supertubos.
Além disso, o swell previsto entre 18 e 20 de março pode ser problemático. Se o vento maral permanecer forte, pode ser necessário um grande intervalo sem competição até que as condições melhorem, ou uma mudança para outro local.
No podcast Fala Papah, Jadson André revela episódios de racismo vividos em aeroportos e fala sobre preconceito, julgamento pela aparência e experiências marcantes na carreira. Foto: WSL / Thiago Diz
O surfista Jadson André, um dos nomes da geração que colocou o Brasil na elite do surf mundial, falou abertamente sobre episódios de racismo que já enfrentou ao longo da carreira. O relato foi feito durante participação no podcast Fala Papah e trouxe à tona situações vividas principalmente em aeroportos, durante viagens para competições internacionais.
Acostumado a viajar pelo mundo competindo no mais alto nível do surf profissional, Jadson contou que já foi questionado ao entrar em filas de prioridade em check-ins de companhias aéreas. Segundo ele, em diversas ocasiões ouviu que estaria “na fila errada”, julgamento feito com base apenas na aparência e na forma como estava vestido.
Um dos episódios mais marcantes aconteceu no Aeroporto de Guarulhos. O surfista relatou que estava em uma fila para resolver um problema de bagagem quando foi ofendido por uma mulher que se recusou a aceitar a orientação que ele deu sobre a ausência de prioridade naquele atendimento. A situação escalou a ponto de Jadson procurar a Polícia Federal, que abordou a mulher e ofereceu a possibilidade de registrar ocorrência.
Além desse caso, o atleta mencionou outras situações constrangedoras vividas em aeroportos. Em uma delas, após ser tratado de maneira inadequada por um funcionário, acabou recebendo um upgrade de classe como tentativa de reparação. Jadson destacou que passou a se vestir de forma mais formal durante viagens justamente para evitar novos julgamentos precipitados.
Durante a conversa, o surfista também refletiu sobre os limites entre denúncia legítima e exageros nas redes sociais. Ele reconheceu que o racismo e a xenofobia são realidades presentes na sociedade, mas ponderou que é importante manter equilíbrio ao tratar do tema.
O episódio reforça um debate que vai além do esporte. A trajetória de Jadson André mostra que o preconceito pode atingir qualquer pessoa, independentemente da carreira ou do reconhecimento profissional.
O episódio completo está disponível no canal do podcast Fala Papah:
Christian Bezerra, COO da WPS, fala sobre classificação olímpica do surfe para 2028. Foto: Reprodução
As propostas que podem alterar os critérios de classificação do surfe para os Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028 viraram um dos assuntos mais debatidos do esporte no cenário internacional. A notícia ganhou repercussão em diferentes mídias digitais após a AOS Mídia publicar o tema em primeira mão, trazendo ao público as informações iniciais sobre as mudanças discutidas nos bastidores.
O assunto agora entra em um novo capítulo com uma entrevista exclusiva no Fala Papah!, podcast apresentado por Ader Oliveira, gravada e publicada no canal do YouTube do projeto. O convidado é Christian Bezerra, COO da WPS (World Professional Surfers), entidade que representa os surfistas profissionais e atua como ponte institucional em pautas que envolvem os atletas do Championship Tour (CT).
Quem é a WPS e por que a opinião dela pesa
A WPS é uma organização que representa os interesses dos surfistas profissionais, especialmente os atletas que competem na elite mundial. Na entrevista, Christian comenta como essas propostas são percebidas do ponto de vista de quem está diretamente ligado ao dia a dia dos atletas e ao impacto que qualquer mudança pode gerar na preparação, no calendário e no caminho até a vaga olímpica.
O ponto central: calendário, meritocracia e previsibilidade
Durante a conversa, Christian destaca que o CT funciona como a principal plataforma competitiva do surfe profissional, com eventos ao longo do ano em diferentes condições e formatos. Para ele, qualquer alteração que aumente a dependência de eventos específicos pode criar cenários de maior imprevisibilidade e exigir ainda mais logística dentro de um calendário já muito intenso.
A discussão, portanto, não é apenas sobre números de vagas. Ela passa pela busca de um modelo que equilibre representatividade global, critérios esportivos, planejamento e justiça competitiva para quem está disputando a elite.
Debate internacional e interesse comum no melhor cenário
O processo olímpico envolve várias entidades e interesses diferentes. A ISA tem papel central por ser a federação internacional reconhecida pelo Comitê Olímpico Internacional. Já a WSL organiza o principal circuito profissional do esporte. No meio disso, a visão dos atletas e de seus representantes é uma peça importante para que o sistema final não gere distorções e preserve o nível técnico do surfe olímpico.
No Fala Papah, Pinga e Daniel Cortez analisam a formação da Brazilian Storm e projetam possível gap de até 10 anos no surfe brasileiro. Foto: Reprodução
O debate sobre um possível gap no surfe brasileiro ganhou força no Fala Papah após as análises de Luiz Henrique Pinga e Daniel Cortez sobre base, mercado e formação de atletas.
A fala surgiu dentro de um debate mais amplo sobre mercado, surfwear, investimento e formação de atletas. O tema repercutiu rapidamente entre profissionais do setor e também começou a circular fora do Brasil, levantando um ponto central: o surfe brasileiro não virou potência por acaso.
“Não foi à toa”: o que sustentou a Brazilian Storm
No recorte, os convidados lembram que a fase vitoriosa do Brasil foi consequência de um ecossistema mais sólido no passado: equipes estruturadas dentro das marcas, programas consistentes de base, viagens com atletas, ações estratégicas e um calendário nacional forte, que criava experiência competitiva.
Daniel Cortez cita, por exemplo, o período em que “a gente tinha 10 atletas” na equipe da Volcom, com um programa completo de desenvolvimento.
Já Pinga reforça um ponto essencial da formação:
“Tem que aprender a perder para começar a ganhar.”
Segundo ele, os circuitos nacionais e os formatos de transição ajudavam os jovens a entender o jogo do alto rendimento, preparando-os mentalmente e tecnicamente para o cenário mundial.
Por que eles acreditam que vem um “gap”
Na conversa, os participantes deixaram claro que não se trata de “caça às bruxas” nem de responsabilizar apenas um lado. Para eles, houve uma soma de fatores que foram alterando o ecossistema ao longo do tempo. No entanto, ele reconhece que o mercado de surfwear e o ambiente estrutural do esporte têm parcela importante nesse cenário.
Daniel Cortez complementa a análise com uma visão externa:
“Eu tô vendo o que tá rolando lá fora… os caras estão fazendo exatamente isso que a gente fez ali atrás e parou de fazer.”
A lógica apresentada no debate é direta: enquanto o Brasil reduziu parte da estrutura que sustentava a base, outros países passaram a investir justamente nesse modelo.
Austrália e Europa no radar
Cortez aponta a Austrália como exemplo de retomada estrutural. Já Pinga amplia o olhar e menciona o crescimento europeu, citando Espanha (especialmente as Canárias), além da evolução de Portugal e o surgimento de jovens talentos em diferentes centros do continente.
A leitura feita no episódio não é de que o surfe brasileiro perdeu relevância, mas de que o jogo internacional evoluiu — e que, sem investimento consistente na base, pode haver um intervalo significativo entre a geração atual e a próxima leva dominante.
Investir na base e pensar no longo prazo
No fim do trecho, eles reforçam que não existe um único culpado. Foram mudanças, decisões e adaptações ao longo do tempo que moldaram o cenário atual.
E também resumem o alerta: sem estrutura sólida e investimento contínuo, o país pode enfrentar um período de transição mais longo do que se imagina.
O debate não soa como pessimismo, mas como reflexão estratégica.