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A importância do Circuito Banco do Brasil de Surfe

Circuito Banco do Brasil de Surfe começa nesta terça (22) em Maresias com previsão promissora de ondas e disputa acirrada no QS e Longboard.

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Ondas perfeitas com swell de sul na Praia de Maresias, São Sebastião (SP). Foto: Aleko Stergiou

Maresias recebe o Circuito Banco do Brasil de Surfe 2025 a partir desta terça-feira (22). Foto: Aleko Stergiou

O Circuito Banco do Brasil de Surfe 2025 começa nesta terça-feira (22) com grandes expectativas e uma estrutura que consolida seu papel fundamental no desenvolvimento do surfe brasileiro. A etapa de abertura, realizada na Praia de Maresias, em São Sebastião (SP), entre os dias 22 e 27 de abril, é válida como QS 6.000, pontuando tanto para o ranking regional da WSL South America quanto para o ranking exclusivo do próprio circuito.

Esse ranking interno contabiliza os resultados das cinco etapas do circuito e define o campeão e a campeã da temporada. Os líderes finais garantem convites para o Saquarema Pro apresentado por Banco do Brasil, etapa do Challenger Series que acontece em outubro, no encerramento da temporada internacional da WSL na América do Sul.

Pontuação e estrutura do circuito

As etapas do Circuito Banco do Brasil são classificadas como QS 6.000, QS 4.000 ou QS 2.000, de acordo com a pontuação que oferecem ao vencedor. Em 2025, o circuito terá uma etapa QS 6.000 (Maresias), três etapas QS 4.000 (Natal-RN, Imbituba-SC e uma em local a definir) e uma QS 2.000, também com local a confirmar. No total, os atletas terão 12 mil pontos em disputa, o que amplia suas chances de classificação para o Challenger Series e, futuramente, para o Championship Tour (CT), a elite do surfe mundial.

Laura Raupp e Mateus Sena campeões do Circuito Banco do Brasil de Surfe 2024 (Crédito da Foto: Aleko Stergiou / WSL Latam)

Laura Raupp e Mateus Sena são os atuais campeões do Circuito Banco do Brasil de Surfe. Foto: Aleko Stergiou / WSL Latam

Campeões que fizeram história no circuito

Em apenas três temporadas, o Circuito Banco do Brasil de Surfe já revelou e valorizou grandes nomes do cenário nacional. Entre os campeões estão:

  • 2024: Mateus Sena (RN) e Laura Raupp (SC)
  • 2023: Ian Gouveia (PE) e Tainá Hinckel (SC)
  • 2022: Gabriel Klaussner (SP) e Silvana Lima (CE)

Esses resultados comprovam a importância do circuito como plataforma de ascensão para jovens talentos e nomes em afirmação no cenário profissional.

Ondas perfeitas com swell de sul na Praia de Maresias, São Sebastião (SP). Foto: Aleko Stergiou

Praia de Maresias tem semana com ondas promissoras, especialmente na quarta-feira. Foto: Aleko Stergiou

Maresias como palco estratégico

A etapa de Maresias chega como destaque do calendário, não só pelo peso da pontuação, mas pela tradição da praia, conhecida por suas ondas intensas e desafiadoras. A previsão indica uma semana promissora, com boas ondulações e expectativa alta para quarta-feira (23), quando o swell atinge seu auge. O cenário ideal de Maresias ocorre com swell de sul e vento leste (terral), condição que pode se apresentar em momentos da semana. Além disso, uma nova ondulação está prevista para o fim de semana, o que deve manter as disputas em alto nível até o encerramento do evento.

Categoria Longboard e atrações paralelas

Outro atrativo desta etapa é a realização da categoria Longboard, com 1.000 pontos em jogo nos rankings regionais masculino e feminino. Nomes como Phil Rajzman, Jefson Silva, Luana Soares e Chloe Calmon figuram entre os principais concorrentes, reforçando o alto nível técnico da disputa.

A etapa também é marcada por ações de sustentabilidade, inclusão social, equidade de gênero e bem-estar. Além do surfe, a abertura em Maresias conta com o show beneficente do cantor norte-americano Donavon Frankenreiter, ex-surfista profissional e ícone da surf music. A apresentação acontece na segunda-feira (21), e toda a renda líquida será destinada ao Fundo Social de São Sebastião.

Sophia Medina, Piscina de ondas da Praia da Grama, em Itupeva (SP), Wavegarden, World Surf League, QS, Circuito Banco do Brasil de Surfe, Fazenda da Grama, Wave Pool. Foto: WSL / Daniel Smorigo

Sophia Medina é uma das candidatas ao título da etapa. Foto: WSL / Daniel Smorigo

Compromisso com o esporte e com o Brasil

Com patrocínio do Banco do Brasil, a iniciativa reforça o papel do esporte como ferramenta de transformação social. Há mais de 30 anos, o BB apoia atletas e projetos em diversas modalidades. No surfe, o banco é patrocinador oficial da WSL no Brasil e idealizador do Squad BB, que reúne atletas e influenciadores conectados ao propósito de promover qualidade de vida, inclusão e engajamento social.

Entre os nomes já consagrados que representam esse compromisso estão Filipe Toledo, bicampeão mundial; Italo Ferreira, campeão mundial e primeiro medalhista olímpico do surfe; Tatiana Weston-Webb e Silvana Lima, referências no surfe feminino nacional; além de talentos em ascensão como Juliana Santos e Tainá Hinckel.

Show beneficente com Donavon Frankenreiter abre etapa da WSL em São Sebastião. Foto: Divulgação

Show beneficente com Donavon Frankenreiter abre etapa da WSL em São Sebastião. Foto: Divulgação

Destaques nos rankings regionais

Nos rankings da WSL South America, após a primeira etapa do QS 2025 em Saquarema, os destaques são Weslley Dantas e Tainá Hinckel, líderes dos rankings masculino e feminino com 6.000 pontos. Outros nomes que começaram muito bem na temporada são Daniel Templar, Vitor Ferreira, Caio Costa, Sophia Medina, Silvana Lima e Daniella Rosas.

Já no Longboard, Ignacio Pignataro e Luana Soares encabeçam os rankings masculino e feminino, com Phil Rajzman, Jefson Silva, Inés Beisso e Chloe Calmon entre os concorrentes diretos ao título.

Com esse conjunto de iniciativas esportivas, sociais e culturais, o Circuito Banco do Brasil de Surfe reforça sua importância não apenas como vitrine de talentos, mas como um movimento que impacta positivamente a vida de atletas, comunidades e todo o ecossistema do surfe no Brasil.

Lista de baterias da etapa de Maresias

Triagem masculina

1 Mathias Ramos (BRA), Murillo Coura (BRA), Daniel Matos (BRA), Sergio Luan (BRA)
2 Bryan Almeida (BRA), Israel Braga (BRA), Cauã Gonçalves (BRA), Philippe Chagas (BRA)

Triagem feminina

1 Manuela Medeiros (BRA), Kiany Cristina (BRA), Maite Santander (BRA)
2 Julia Luz (BRA), Nalu Carratu (BRA), Aurora Ribeiro (BRA), Giovanna Michels (BRA)

Round 1 masculino

1 Roberto Araki (CHI), Douglas Silva (BRA), Facundo Arreyes (BRA) e classificado da triagem
2 Cauet Frazão (BRA), Eduardo Motta (BRA), Lucas Pérez Del Solar (PER), Felipe Alves (BRA)
3 Luan Wood (BRA), João Artur Arruda (BRA), Anuar Chiah (BRA), Davi Jihad (BRA)
4 Samuel Igo De Souza (BRA), Diego Aguiar (BRA), Gabriel Ogasahara (BRA), Pedro Santos (BRA)
5 Guilherme Lemos (BRA), Francisco Bellorin (VEN), Noel De La Torre (CHI), Luis Henrique Araújo (BRA)
6 Raul Rios (PER), Mariano Arreyes (ARG), Madson Costa (BRA), Tomas Goransky (ARG)
7 Rafael Barbosa (BRA), Thiago Passeri (ARG), Pedro Dib (BRA), Giuliano Arreyes (ARG)
8 Marcos Correa (BRA), Philippe Neves (BRA), Ryan Coelho (BRA), Lucas Di George (BRA)
9 Fabricio Rocha (BRA), Matheus Neves (BRA), Pablo Gabriel Da Silva (BRA) e classificado da triagem
10 Gabriel Andre (BRA), Ryan Martins (BRA), Joao Godoy (BRA), Lucas Haag (BRA)
11 Valentin Neves (BRA), Santiago Muniz (ARG), Lucas Catapam (BRA), Theo Fresia (BRA)
12 Wallace Vasco (BRA), Eric Bahia (BRA), Reimundo Berry (CHI), Joaquin Muñoz Larreta (ARG)
13 Luan Ferreyra (BRA), Wiggolly Dantas (BRA), Kailani Renno (BRA), Lautaro Rojas Thill (ARG)
14 Caio Costa (BRA), Takeshi Oyama (BRA), Felipe Ximenes (BRA), Gabriel Ljubicic (PER)
15 Renan Peres Pulga (BRA), Martin Ottado (URU), Luel Felipe (BRA), Giovani Pontes (BRA)
16 Sunny Pires (BRA), Tomas Lopez Moreno (ARG), Sebastian Olarte (URU), Marcell Neves (BRA)


Round 2 masculino

1 Franco Radziunas (ARG), Krystian Kymeron (BRA), vencedor bateria 1, segundo colocado bateria 2
2 Alex Ribeiro (BRA), Mateus Sena (BRA), vencedor bateria 2, segundo colocado bateria 1
3 Daniel Templar (BRA), Rickson Falcão (BRA), vencedor bateria 3, segundo colocado bateria 4
4 Igor Moraes (BRA), Felipe Oliveira (BRA), vencedor bateria 4, segundo colocado bateria 3
5 Jose Francisco (BRA), Heitor Mueller (BRA), vencedor bateria 5, segundo colocado bateria 6
6 Weslley Leite (BRA), Ryan Kainalo (BRA), vencedor bateria 6, segundo colocado bateria 5
7 Daniel Adisaka (BRA), Alonso Correa (PER), vencedor bateria 7, segundo colocado bateria 8
8 Mateus Herdy (BRA), Fernando Junior (BRA), vencedor bateria 8, segundo colocado bateria 7
9 Michael Rodrigues (BRA), Thiago Camarão (BRA), vencedor bateria 9, segundo colocado bateria 10
10 Cauã Costa (BRA), Kaue Germano (BRA), vencedor bateria 10, segundo colocado bateria 9
11 Peterson Crisanto (BRA), Matheus Navarro (BRA), vencedor bateria 11, segundo colocado bateria 12
12 Jadson Andre (BRA), Nacho Gundesen (ARG), vencedor bateria 12, segundo colocado bateria 11
13 Lucas Silveira (BRA), Rodrigo Saldanha (BRA), vencedor bateria 13, segundo colocado bateria 14
14 Weslley Dantas (BRA), Rafael Teixeira (BRA), vencedor bateria 14, segundo colocado bateria 13
15 Vitor Ferreira (BRA), Gabriel Klaussner (BRA), vencedor bateria 15, segundo colocado bateria 16
16 Lucas Vicente (BRA), Leo Casal (BRA), vencedor bateria 16, segundo colocado bateria 15

Round 1 feminino

1 Victoria Muñoz Larreta (ARG), Maria Eduarda Cesar (BRA), Carol Bastides (BRA) e uma classificada da triagem
2 Kemily Sampaio (BRA), Potira Castaman (BRA), Karol Ribeiro (BRA), Maeva Guastala (BRA)
3 Isabela Saldanha (BRA), Matilda Bultó (CHL), Valentina Zanoni (BRA), Juliana Meneguel (BRA)
4 Luara Mandelli (BRA), Sol Carrion (BRA), Paloma Pardo (BRA), Isabela De Liz (BRA)

Round 2 feminino

1 Sophia Medina (BRA), Isidora Bultó (CHL), Catalina Zariquiey (PER) e uma classificada do round anterior
2 Juliana Santos (BRA), Isabelle Nalu (BRA), Luana Reis (BRA) e uma classificada do round anterior
3 Tainá Hinckel (BRA), Melanie Giunta (PER), Camila Sanday (PER) e uma classificada do round anterior
4 Arena Rodriguez (PER), Estela López (CHL), Sophia Gonçalves (BRA) e uma classificada do round anterior
5 Laura Raupp (BRA), Alexia Monteiro (BRA), Julia Nicanor (BRA) e uma classificada do round anterior
6 Vera Jarisz (ARG), Julia Duarte (BRA), Mayara Zampieri (BRA) e uma classificada do round anterior
7 Silvana Lima (BRA), Sol Aguirre (PER), Brianna Barthelmess (PER) e uma classificada do round anterior
8 Daniella Rosas (PER), Kiany Hyakutake (BRA), Kalea Gervasi (PER) e uma classificada do round anterior

Round 1 longboard masculino

1 Ignacio Pignataro (URU), Leonardo Esteves Martins (BRA), Phil Rajzman (BRA)
2 Wenderson Biludo (BRA), Julian Schweizer (URU), Romaldo Nascimento (BRA), Pedro Bento (BRA)
3 Alexandre Escobar (BRA), Carlos Bahia (BRA), Fabio Santos (BRA), João Luís Da Silva (BRA)
4 Jefson Silva (BRA), Heriberto Torres Martínez (MEX), Hideki Duarte (BRA), Gabriel Moura (BRA)


Round 1 longboard feminino

1 Chloe Calmon (BRA)
2 Rayane Amaral (BRA), Ayllar Cinti (BRA)
3 Evelin Neves (BRA), Inés Beisso (URU)
4 Luana Soares (BRA), Katelyn Oliveira (BRA)

 

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Competições

Jadson André relata racismo em aeroportos

No Fala Papah, Jadson André revela episódios de racismo em aeroportos e fala sobre preconceito e julgamento pela aparência.

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Jadson André, Corona Saquarema Pro 2023, Challenger Series da World Surf League (WSL), Praia de Itaúna, Saquarema (RJ). Foto: WSL / Thiago Diz

No podcast Fala Papah, Jadson André revela episódios de racismo vividos em aeroportos e fala sobre preconceito, julgamento pela aparência e experiências marcantes na carreira. Foto: WSL / Thiago Diz

O surfista Jadson André, um dos nomes da geração que colocou o Brasil na elite do surf mundial, falou abertamente sobre episódios de racismo que já enfrentou ao longo da carreira. O relato foi feito durante participação no podcast Fala Papah e trouxe à tona situações vividas principalmente em aeroportos, durante viagens para competições internacionais.

Acostumado a viajar pelo mundo competindo no mais alto nível do surf profissional, Jadson contou que já foi questionado ao entrar em filas de prioridade em check-ins de companhias aéreas. Segundo ele, em diversas ocasiões ouviu que estaria “na fila errada”, julgamento feito com base apenas na aparência e na forma como estava vestido.

Um dos episódios mais marcantes aconteceu no Aeroporto de Guarulhos. O surfista relatou que estava em uma fila para resolver um problema de bagagem quando foi ofendido por uma mulher que se recusou a aceitar a orientação que ele deu sobre a ausência de prioridade naquele atendimento. A situação escalou a ponto de Jadson procurar a Polícia Federal, que abordou a mulher e ofereceu a possibilidade de registrar ocorrência.

Além desse caso, o atleta mencionou outras situações constrangedoras vividas em aeroportos. Em uma delas, após ser tratado de maneira inadequada por um funcionário, acabou recebendo um upgrade de classe como tentativa de reparação. Jadson destacou que passou a se vestir de forma mais formal durante viagens justamente para evitar novos julgamentos precipitados.

Durante a conversa, o surfista também refletiu sobre os limites entre denúncia legítima e exageros nas redes sociais. Ele reconheceu que o racismo e a xenofobia são realidades presentes na sociedade, mas ponderou que é importante manter equilíbrio ao tratar do tema.

O episódio reforça um debate que vai além do esporte. A trajetória de Jadson André mostra que o preconceito pode atingir qualquer pessoa, independentemente da carreira ou do reconhecimento profissional.

O episódio completo está disponível no canal do podcast Fala Papah:

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Bahia

Lapo Coutinho fala sobre o câncer no Fala Papah

Lapo Coutinho fala sobre o câncer, dor e decisões difíceis em entrevista ao Fala Papah. Veja o trecho e a atualização do tratamento.

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Lapo Coutinho fala sobre o câncer, dor e decisões difíceis em entrevista ao Fala Papah. Foto: Reprodução

Lapo Coutinho abriu o coração em um dos trechos mais impactantes já exibidos no canal Fala Papah. Na conversa, o lendário baiano falou de forma direta e sincera sobre o câncer, os desafios do tratamento e as decisões difíceis que precisou tomar ao longo da jornada.

O momento é marcado por reflexões profundas sobre dor, qualidade de vida, família e espiritualidade. Durante o episódio, Lapo compartilha como estava encarando a evolução da doença no período da gravação e revela quais eram suas prioridades naquele momento delicado.

Entre os pontos mais fortes da conversa, ele destaca que sua principal missão era não sentir dor. A frase resume o estado emocional e físico que vivia naquele instante. Ao longo do trecho, também aborda o impacto do diagnóstico na família, os medos naturais e o esforço para manter serenidade diante da incerteza.

A entrevista não tem caráter médico e não pretende orientar decisões clínicas. Trata-se do relato pessoal de Lapo Coutinho sobre sua própria experiência. É um registro honesto de um momento específico de sua trajetória.

Após a gravação do episódio, Lapo optou por iniciar tratamento com quimioterapia diante da evolução do quadro. A atualização reforça que decisões relacionadas ao câncer são complexas e podem mudar conforme o acompanhamento médico e o avanço da doença.

O corte publicado no canal Fala Papah destaca a dimensão humana da história. Mais do que discutir procedimentos, o vídeo apresenta uma reflexão sobre coragem, fé e enfrentamento.

O trecho completo está disponível no YouTube do Fala Papah e integra um dos episódios mais assistidos do canal, que tem se consolidado como espaço para conversas profundas dentro do universo do surfe e além dele.

Assista ao vídeo e acompanhe outras entrevistas no canal:

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Brasil

Por que Fábio Silva abandonou a elite mundial do surfe

Ex integrante da elite mundial, Fábio Silva relembra no Fala Papah por que abandonou o WCT e fala sobre saúde, família e o Titanzinho.

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Ex integrante da elite mundial, Fábio Silva relembra no Fala Papah por que abandonou o WCT em 1997 e fala sobre saúde, família e sua origem no Titanzinho. Foto: Reprodução.

O novo episódio do podcast Fala Papah, já disponível no YouTube, traz um dos relatos mais emblemáticos e humanos da história do surfe brasileiro. Cria da comunidade do Titanzinho, em Fortaleza, o cearense Fábio Silva revisita sua trajetória no esporte, marcada por talento, ascensão precoce, decisões difíceis e desafios que extrapolaram as competições.

Nos anos 1990, Fábio foi apontado como uma das grandes promessas do surfe nacional. Campeão brasileiro nas categorias de base, vice campeão brasileiro profissional em 1996 e vencedor de uma etapa do WQS na França em 1997, ele conquistou vaga na elite mundial naquele mesmo ano. Em sua temporada de estreia no WCT, figurava entre os 44 melhores surfistas do planeta e ocupava a 38ª colocação após cinco etapas disputadas.

Foi nesse contexto que Fábio surpreendeu o surfe brasileiro ao abandonar o circuito mundial em julho de 1997. À época, o surfista explicou que o desgaste das viagens constantes, a distância da família, o nascimento da filha, a dificuldade com o idioma inglês e o desejo de retomar os estudos pesaram na decisão. Ele renegociou contratos e optou por seguir competindo nos circuitos nacionais.

No episódio do Fala Papah, gravado em dezembro de 2025 nas ruas do Titanzinho, em frente ao mar que moldou sua história, Fábio revisita essa escolha com maturidade. Ele reflete sobre como aquela decisão, tomada em um contexto diferente, hoje pode ser compreendida à luz de temas que ganharam força no esporte, como saúde mental, bem estar e identidade.

No podcast, Fábio revela um detalhe pouco conhecido daquele momento. Ele chegou a embarcar para a etapa de Jeffreys Bay, na África do Sul, uma das mais tradicionais do circuito mundial. A decisão de abandonar a elite, porém, foi tomada ainda durante a viagem.

Sozinho, sem dominar o inglês, pressionado pelo ambiente do circuito e emocionalmente fragilizado, Fábio desembarcou no aeroporto de Johannesburgo e optou por retornar ao Brasil antes mesmo de seguir para a praia. Ele não chegou a competir nem a entrar no mar. A escolha foi feita ainda no avião, na ida, em um momento silencioso e decisivo da sua carreira.

Um episódio que ajuda a entender o peso psicológico enfrentado por atletas em uma época em que temas como saúde mental, acolhimento e adaptação cultural praticamente não existiam no esporte de alto rendimento.

Além da carreira esportiva, Fábio fala abertamente sobre os obstáculos enfrentados fora da água. De origem humilde, criado em uma comunidade periférica, ele precisou lidar com dificuldades financeiras, limitações estruturais e preconceito por ser nordestino, mesmo após alcançar reconhecimento internacional.

O episódio também aborda momentos delicados de saúde. Fábio relembra a trombose venosa sofrida em 2015, inicialmente confundida com um AVC, que causou paralisia temporária do lado esquerdo do corpo. Após tratamento e fisioterapia intensa, conseguiu se recuperar sem sequelas. Cerca de dez anos depois, em 2025, voltou a enfrentar um novo quadro de trombose, desta vez nas pernas e nos pés, após uma longa viagem de ônibus do Sergipe ao Ceará, o que motivou uma grande mobilização de apoio no meio do surfe.

Mesmo diante de tantas dificuldades, Fábio segue ligado ao surfe e à sua comunidade, mantendo uma escolinha no Titanzinho sempre que as condições físicas permitem. Humilde, simples e extremamente querido, ele representa uma geração e uma história que ajudam a entender o surfe brasileiro para além de títulos e rankings.

O episódio completo do Fala Papah com Fábio Silva está disponível no YouTube, Spotify e Apple Podcasts.

Veja mais episódios do Fala Papah!

Episódio 5 – Lapo Coutinho

Episódio 4 – Filipe Toledo

Episódio 3 – Silvana Lima

Episódio 2 – Jessé Mendes

Episódio 1 – Uri Valadão

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