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Sábado de praia cheia de show de surf em Imbituba
Praia cheia, ativações na areia e high scores na água marcam o penúltimo dia do Circuito Banco do Brasil de Surfe 2025 em Imbituba (SC).
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6 meses atrásem
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Alexandre Aquino
Penúltimo dia da etapa do Circuito Banco do Brasil de Surfe 2025 tem mais um dia de praia lotada na Vila, em Imbituba (SC). Foto: Marcio David / WSL Brasil
O penúltimo dia da terceira etapa do Circuito Banco do Brasil de Surfe 2025 amanheceu com sol forte, praia cheia e boas condições de onda em Imbituba (SC), apesar de o mar ter baixado em relação aos dias anteriores. As melhores formações apareceram mais para o lado direito da praia da Vila, garantindo ação de qualidade e high scores nas baterias de 30 minutos.
A programação começou com o Round 16 do Feminino, seguido pelo Round 16 do Masculino. Logo depois, o evento promoveu a BB Surf Celebration, uma bateria especial de exibição com convidados ilustres do surfe brasileiro. Entre uma ação e outra na areia, como o mutirão do Dia Mundial de Limpeza de Rios e Praias e o WSL Novas Ondas, foi a vez das meninas voltarem para a água para a decisão das Quartas de Final.
O Finals Day está previsto para este domingo, com chamada programada para às 7h30, para possível início às 8h. O evento terá reinício com as Quartas de Final do Masculino, seguido pelas Semifinais do Feminino e do Masculino, antes das grandes Finais. Para fechar com chave de ouro, a banda catarinense Dazaranha sobe ao palco na Vila para celebrar o encerramento da competição.

Lucas Haag vai para o Finals Day da etapa válida pelo QS da WSL em Imbituba. Foto: Marcio David / WSL Brasil
Quartas de final masculinas definidas com despedida de favoritos em Imbituba
A ação deste sábado definiu os oito nomes que seguem vivos na disputa pelo título da etapa de Imbituba do Circuito Banco do Brasil de Surfe 2025. O dia foi marcado por viradas emocionantes, margens de pontuação apertadas e pela despedida de alguns dos maiores destaques das rodadas anteriores.
Logo na primeira bateria, dois atletas que se destacaram nos confrontos anteriores deram adeus ao evento. Mateus Herdy (BRA), em excelente fase, chegou a receber uma nota 7.77 com um aéreo bem executado, sua aposta nos últimos embates, mas seu somatório de 13.17 pontos não foi suficiente para avançar. Quem levou a melhor foi Jadson André (BRA), que surfou com consistência para somar 13.43 pontos e seguir em primeiro, com Caio Costa (BRA) em segundo, deixando Patrick Plachi (BRA) fora do Finals Day.
“A bateria foi muito difícil, a molecada tá quebrando muito. O Mateus é, sem dúvida, um dos nossos maiores talentos atualmente. Sabia que só ia passar se pegasse as melhores ondas e surfasse com tudo. Graças a Deus deu certo. Tenho uma conexão muito forte com Imbituba, aqui as coisas simplesmente acontecem, é até difícil explicar”, disse Jadson após a vitória.
Na bateria de número 2, Miguel Pupo (BRA) também se despediu da competição em uma disputa muito acirrada, decidida no final do último terço dos 30 minutos do confronto. Eliminado junto com Vitor Ferreira (BRA), Miguel viu de perto as vagas nas Quartas ficarem com Heitor Mueller (BRA) e Matheus Navarro (BRA), que quebrou em uma longa direita com sete manobras muito bem conectadas que lhe renderam a liderança do embate.
Na sequência, apesar da derrota do irmão, Samuel Pupo (BRA) manteve o sobrenome da família na disputa do Circuito Banco do Brasil de Surfe na Praia da Vila e apresentou uma das melhores performances do dia. Com um somatório de 14.67 pontos (8.00 e 6.67 pontos), ele garantiu a vaga no domingo decisivo com um surfe variado, abusando das batidas e reverses, terminando com um high score muito aplaudido nas areias da Vila.
No mesmo confronto, Lucas Haag (BRA) protagonizou uma virada emocionante nos minutos finais, carimbando seu nome na rodada seguinte ao totalizar 12.90 pontos de média. Pupo e Haag eliminaram Daniel Templar (BRA), que vinha liderando seus confrontos desde o primeiro dia de disputas, e Ryan Kainalo (BRA), surfista da novíssima geração que também estava muito consistente na competição.
Na última disputa do dia no masculino, Weslley Dantas (BRA) confirmou sua fase dominante no circuito sul-americano. Ele venceu a bateria com 14.16 pontos, a maior média do dia, mostrando versatilidade e leitura precisa das direitas bem escolhidas. O australiano Ben Zanatta (AUS) foi outro que brilhou novamente, com uma nota 8.17, eliminando Gabriel Klaussner (BRA) e o argentino Franco Radziunas (ARG). Zanatta é agora o único não-brasileiro entre os oito surfistas que entraram em ação no domingo.
“O mar baixou, mas estava perfeito para algumas manobras e aéreos. Eu sabia que ia ser uma bateria complicada, mas consegui achar as ondas certas. Estou feliz por avançar mais uma vez”, comentou Weslley, que já garantiu vaga no Challenger anteriormente e atualmente lidera o ranking do QS na América do Sul com autoridade após uma temporada recheada de bons resultados.
Silvana Lima e Laura Raupp voltam a se enfrentar em fase decisiva em Imbituba
O sábado também foi decisivo para a chave feminina do Circuito Banco do Brasil de Surfe 2025. Silvana Lima (BRA) e Laura Raupp (BRA) avançaram às semifinais e se reencontram mais uma vez em fases decisivas, repetindo o duelo que já ocorreu quatro vezes em eventos recentes.
Silvana começou o dia em grande estilo. Na segunda bateria do Round das 16, ela marcou 8.33 pontos, a maior nota do evento feminino. A nota foi construída com uma combinação de rasgada e duas batidas executadas com muita fluidez, força e velocidade.
“Nossa, estou muito feliz. Consegui surfar super bem aquela onda do oito. Realmente não consegui trocar o 4 porque o mar está bem loteria ali. Quando você está com a quarta prioridade é difícil virem três, quatro séries… vem uma ou duas. Mas amarradona de ter mostrado um pouquinho do meu surfe”, celebrou Silvana após a performance.
As duas garantiram lugar na Semifinal ao vencerem suas respectivas baterias nas Quartas de Final. Laura Raupp superou a jovem peruana Brianna Barthelmess (PER) na primeira bateria mulher-a-mulher do dia. Na sequência, Silvana eliminou Maria Eduarda Cesar (BRA) com mais uma atuação sólida.
“Eu fico super animada de ver essa nova geração quebrando, me dando uma dura. A Laura só tem me dado dura nas finais. Nessas baterias de quatro passando duas ela me libera ainda (risos). Mas eu me sinto super orgulhosa de mim mesma, de inspirar todas essas meninas a irem atrás dos sonhos delas, a ficarem entre as melhores do mundo. E eu tô aqui fazendo o que eu amo, eu amo surfar, amo competir, e espero que eu fique ainda um bom tempo dando trabalho pra essa nova geração”, disse Silvana.
Além das classificadas, o Brasil sofreu duas baixas importantes nas Quartas. Tainá Hinckel (BRA), vencedora da última etapa do Circuito em Natal e atual líder do ranking sul-americano da WSL, foi eliminada pela peruana Catalina Zariquiey (PER). No último confronto do dia, Alexia Monteiro (BRA) foi derrotada pela experiente Daniella Rosas (PER).
No domingo decisivo, Laura e Silvana se enfrentam no primeiro confronto, enquanto Catalina e Daniella se encontram na segunda bateria.

O sábado foi marcado por muitas ações na praia da Vila, em Imbituba. Foto: Christian Bender
Ação especial marca o Dia Mundial de Limpeza de Rios e Praias durante o evento
A manhã desta sexta-feira foi marcada por uma mobilização especial na Praia da Vila, como parte das atividades paralelas do Circuito Banco do Brasil de Surfe 2025. Em celebração ao Dia Mundial de Limpeza de Rios e Praias, o evento promoveu uma grande ação de conscientização ambiental em parceria com o Instituto EcoSurf.
A iniciativa reforça o compromisso do Circuito com a sustentabilidade, um dos pilares centrais do projeto, e ganha ainda mais relevância por acontecer na capital nacional da baleia-franca, berço de uma biodiversidade única e frágil.
“A presença de resíduos nos ambientes naturais é um problema recorrente. Muitos desses materiais acabam sendo levados pelos rios até os oceanos, impactando diretamente a vida marinha”, destacou Amanda Suita, bióloga e coordenadora do Instituto EcoSurf, que também lidera as ações ambientais do Circuito.
A ação contou com o apoio de diversas entidades, como associações de surf e pesca, moradores locais, as Secretarias de Agricultura, Pesca e Meio Ambiente, e de Infraestrutura, além da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), por meio do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos e do Laboratório de Zoologia.
Além da coleta de resíduos, será produzido um relatório técnico com os materiais recolhidos, contribuindo para o mapeamento do impacto ambiental na região. A UDESC também compartilhou dados sobre os efeitos da poluição na fauna marinha: “Encontramos com frequência resíduos sólidos no trato digestivo de animais marinhos. Ações como essa são fundamentais para a preservação das espécies”, destacou um dos pesquisadores presentes.
Com a mobilização, o Circuito Banco do Brasil de Surfe segue mostrando que o esporte pode ser uma poderosa ferramenta de transformação, promovendo não apenas competição de alto nível, mas também consciência ambiental e cidadania.

BB Surfe Celebration reúne lendas do surfe em bateria especial. Foto: Marcio David / WSL Brasil
BB Surf Celebration homenageia ídolos do passado em bateria simbólica na praia da Vila
Um momento especial de celebração à história do esporte com a realização da BB Surfe Celebration, uma bateria de exibição que reuniu nomes consagrados do surfe nacional, todos vestindo a lycra amarela em clima de festa e reverência, sem caráter competitivo.
Sem a necessidade de definir um vencedor, a bateria foi um tributo à trajetória de grandes ídolos que marcaram época dentro e fora da água. Entre os convidados estava Renan Rocha, ex-integrante da elite do Championship Tour por 15 temporadas. Rocha foi protagonista de momentos memoráveis no surfe mundial, como sua nota 10 em uma lendária bateria do Pipe Masters contra Shane Beschen — na época, recordista absoluto ao somar 30 pontos quando o critério era baseado na soma das três melhores ondas. Renan se despediu do circuito profissional em 2006, em uma etapa do QS.
Outro nome de destaque foi o da catarinense Jacqueline Silva, pioneira do surfe feminino de competição no Brasil. Vice-campeã mundial em 2002 e integrante do CT a partir de 1999, Jacque segue fazendo história fora da água como árbitra e referência técnica, sendo uma das vozes femininas mais respeitadas no julgamento de campeonatos no país. Na bateria, ela surfou de frontside para as direitas da Praia da Vila, enquanto Renan optou pelo backside nas mesmas ondas.

Prefeito Michell Peninha rouba a cena na praia da Vila. Foto: Marcio David / WSL Brasil
A bateria ainda contou com Piu Pereira, santista radicado em Santa Catarina e um dos primeiros brasileiros a se destacar no circuito mundial; Fábio Carvalho, tricampeão catarinense e nome histórico do surfe no estado; além do anfitrião Michel “Peninha”, atual prefeito de Imbituba e entusiasta da cultura do surfe local.
A BB Surfe Celebration reforça o compromisso do Circuito Banco do Brasil de Surfe em valorizar a memória esportiva brasileira, conectando diferentes gerações de surfistas e reconhecendo quem abriu caminho para o atual momento de protagonismo do Brasil nas ondas do mundo.
Além da bateria festiva que homenageou ídolos do passado, o sábado também foi marcado por uma ação especial voltada para o futuro do surfe. O programa WSL Novas Ondas desembarcou em Imbituba com uma atividade imersiva voltada para crianças da comunidade local.
Os surfistas Lucas Costa (BRA), Sophia Gonçalves (BRA) e Jadson André participaram da iniciativa, promovendo um bate-papo inspirador seguido de uma aula prática de surfe na Praia da Vila. A ação proporcionou às crianças a oportunidade de vivenciar o esporte de perto, aprendendo com atletas profissionais e fortalecendo a conexão com o mar e com os valores do surfe.
Para mais informações, visite WorldSurfLeague.com.
Competições
Jadson André relata racismo em aeroportos
No Fala Papah, Jadson André revela episódios de racismo em aeroportos e fala sobre preconceito e julgamento pela aparência.
Publicado
2 semanas atrásem
23/02/2026Por
aos-midia
No podcast Fala Papah, Jadson André revela episódios de racismo vividos em aeroportos e fala sobre preconceito, julgamento pela aparência e experiências marcantes na carreira. Foto: WSL / Thiago Diz
O surfista Jadson André, um dos nomes da geração que colocou o Brasil na elite do surf mundial, falou abertamente sobre episódios de racismo que já enfrentou ao longo da carreira. O relato foi feito durante participação no podcast Fala Papah e trouxe à tona situações vividas principalmente em aeroportos, durante viagens para competições internacionais.
Acostumado a viajar pelo mundo competindo no mais alto nível do surf profissional, Jadson contou que já foi questionado ao entrar em filas de prioridade em check-ins de companhias aéreas. Segundo ele, em diversas ocasiões ouviu que estaria “na fila errada”, julgamento feito com base apenas na aparência e na forma como estava vestido.
Um dos episódios mais marcantes aconteceu no Aeroporto de Guarulhos. O surfista relatou que estava em uma fila para resolver um problema de bagagem quando foi ofendido por uma mulher que se recusou a aceitar a orientação que ele deu sobre a ausência de prioridade naquele atendimento. A situação escalou a ponto de Jadson procurar a Polícia Federal, que abordou a mulher e ofereceu a possibilidade de registrar ocorrência.
Além desse caso, o atleta mencionou outras situações constrangedoras vividas em aeroportos. Em uma delas, após ser tratado de maneira inadequada por um funcionário, acabou recebendo um upgrade de classe como tentativa de reparação. Jadson destacou que passou a se vestir de forma mais formal durante viagens justamente para evitar novos julgamentos precipitados.
Durante a conversa, o surfista também refletiu sobre os limites entre denúncia legítima e exageros nas redes sociais. Ele reconheceu que o racismo e a xenofobia são realidades presentes na sociedade, mas ponderou que é importante manter equilíbrio ao tratar do tema.
O episódio reforça um debate que vai além do esporte. A trajetória de Jadson André mostra que o preconceito pode atingir qualquer pessoa, independentemente da carreira ou do reconhecimento profissional.
O episódio completo está disponível no canal do podcast Fala Papah:
Bahia
Lapo Coutinho fala sobre o câncer no Fala Papah
Lapo Coutinho fala sobre o câncer, dor e decisões difíceis em entrevista ao Fala Papah. Veja o trecho e a atualização do tratamento.
Publicado
2 semanas atrásem
23/02/2026Por
aos-midia
Lapo Coutinho fala sobre o câncer, dor e decisões difíceis em entrevista ao Fala Papah. Foto: Reprodução
Lapo Coutinho abriu o coração em um dos trechos mais impactantes já exibidos no canal Fala Papah. Na conversa, o lendário baiano falou de forma direta e sincera sobre o câncer, os desafios do tratamento e as decisões difíceis que precisou tomar ao longo da jornada.
O momento é marcado por reflexões profundas sobre dor, qualidade de vida, família e espiritualidade. Durante o episódio, Lapo compartilha como estava encarando a evolução da doença no período da gravação e revela quais eram suas prioridades naquele momento delicado.
Entre os pontos mais fortes da conversa, ele destaca que sua principal missão era não sentir dor. A frase resume o estado emocional e físico que vivia naquele instante. Ao longo do trecho, também aborda o impacto do diagnóstico na família, os medos naturais e o esforço para manter serenidade diante da incerteza.
A entrevista não tem caráter médico e não pretende orientar decisões clínicas. Trata-se do relato pessoal de Lapo Coutinho sobre sua própria experiência. É um registro honesto de um momento específico de sua trajetória.
Após a gravação do episódio, Lapo optou por iniciar tratamento com quimioterapia diante da evolução do quadro. A atualização reforça que decisões relacionadas ao câncer são complexas e podem mudar conforme o acompanhamento médico e o avanço da doença.
O corte publicado no canal Fala Papah destaca a dimensão humana da história. Mais do que discutir procedimentos, o vídeo apresenta uma reflexão sobre coragem, fé e enfrentamento.
O trecho completo está disponível no YouTube do Fala Papah e integra um dos episódios mais assistidos do canal, que tem se consolidado como espaço para conversas profundas dentro do universo do surfe e além dele.
Assista ao vídeo e acompanhe outras entrevistas no canal:
Brasil
Por que Fábio Silva abandonou a elite mundial do surfe
Ex integrante da elite mundial, Fábio Silva relembra no Fala Papah por que abandonou o WCT e fala sobre saúde, família e o Titanzinho.
Publicado
1 mês atrásem
28/01/2026Por
aos-midia
Ex integrante da elite mundial, Fábio Silva relembra no Fala Papah por que abandonou o WCT em 1997 e fala sobre saúde, família e sua origem no Titanzinho. Foto: Reprodução.
O novo episódio do podcast Fala Papah, já disponível no YouTube, traz um dos relatos mais emblemáticos e humanos da história do surfe brasileiro. Cria da comunidade do Titanzinho, em Fortaleza, o cearense Fábio Silva revisita sua trajetória no esporte, marcada por talento, ascensão precoce, decisões difíceis e desafios que extrapolaram as competições.
Nos anos 1990, Fábio foi apontado como uma das grandes promessas do surfe nacional. Campeão brasileiro nas categorias de base, vice campeão brasileiro profissional em 1996 e vencedor de uma etapa do WQS na França em 1997, ele conquistou vaga na elite mundial naquele mesmo ano. Em sua temporada de estreia no WCT, figurava entre os 44 melhores surfistas do planeta e ocupava a 38ª colocação após cinco etapas disputadas.
Foi nesse contexto que Fábio surpreendeu o surfe brasileiro ao abandonar o circuito mundial em julho de 1997. À época, o surfista explicou que o desgaste das viagens constantes, a distância da família, o nascimento da filha, a dificuldade com o idioma inglês e o desejo de retomar os estudos pesaram na decisão. Ele renegociou contratos e optou por seguir competindo nos circuitos nacionais.
No episódio do Fala Papah, gravado em dezembro de 2025 nas ruas do Titanzinho, em frente ao mar que moldou sua história, Fábio revisita essa escolha com maturidade. Ele reflete sobre como aquela decisão, tomada em um contexto diferente, hoje pode ser compreendida à luz de temas que ganharam força no esporte, como saúde mental, bem estar e identidade.
No podcast, Fábio revela um detalhe pouco conhecido daquele momento. Ele chegou a embarcar para a etapa de Jeffreys Bay, na África do Sul, uma das mais tradicionais do circuito mundial. A decisão de abandonar a elite, porém, foi tomada ainda durante a viagem.
Sozinho, sem dominar o inglês, pressionado pelo ambiente do circuito e emocionalmente fragilizado, Fábio desembarcou no aeroporto de Johannesburgo e optou por retornar ao Brasil antes mesmo de seguir para a praia. Ele não chegou a competir nem a entrar no mar. A escolha foi feita ainda no avião, na ida, em um momento silencioso e decisivo da sua carreira.
Um episódio que ajuda a entender o peso psicológico enfrentado por atletas em uma época em que temas como saúde mental, acolhimento e adaptação cultural praticamente não existiam no esporte de alto rendimento.
Além da carreira esportiva, Fábio fala abertamente sobre os obstáculos enfrentados fora da água. De origem humilde, criado em uma comunidade periférica, ele precisou lidar com dificuldades financeiras, limitações estruturais e preconceito por ser nordestino, mesmo após alcançar reconhecimento internacional.
O episódio também aborda momentos delicados de saúde. Fábio relembra a trombose venosa sofrida em 2015, inicialmente confundida com um AVC, que causou paralisia temporária do lado esquerdo do corpo. Após tratamento e fisioterapia intensa, conseguiu se recuperar sem sequelas. Cerca de dez anos depois, em 2025, voltou a enfrentar um novo quadro de trombose, desta vez nas pernas e nos pés, após uma longa viagem de ônibus do Sergipe ao Ceará, o que motivou uma grande mobilização de apoio no meio do surfe.
Mesmo diante de tantas dificuldades, Fábio segue ligado ao surfe e à sua comunidade, mantendo uma escolinha no Titanzinho sempre que as condições físicas permitem. Humilde, simples e extremamente querido, ele representa uma geração e uma história que ajudam a entender o surfe brasileiro para além de títulos e rankings.
O episódio completo do Fala Papah com Fábio Silva está disponível no YouTube, Spotify e Apple Podcasts.
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