Gabriel Medina é o atual campeão do Challenger Series em Saquarema (RJ). Foto: WSL / Smorigo
Conhecida como o “Maracanã do Surfe”, a cidade de Saquarema, localizada na Região dos Lagos do Rio de Janeiro, receberá a última etapa do World Surf League (WSL) Challenger Series (CS) nos dias 14 a 21 de outubro. O Corona Saquarema Pro apresentado por Banco do Brasil, realizado pela WSL Latin America, vai coroar na Praia de Itaúna, os novos atletas que farão parte do Championship Tour (CT) 2024, Circuito Mundial de Surfe.
O torneio final, responsável por selecionar os 10 melhores atletas masculinos e as cinco melhores atletas femininas no ranking global, se estende por seis etapas ao longo do ano e desempenha papel fundamental para o acesso à elite do esporte, além de ser o segundo mais importante da modalidade na América Latina em 2023. Finalista do WSL Finals na atual temporada, João Chianca foi um dos surfistas que alcançou a principal divisão do surfe a partir da disputa do Challenger Series, em 2022.
Além da grande final da competição, estão programadas diversas atrações para o público local e fãs de surfe no Corona Saquarema Pro 2023. Uma das principais formas de entretenimento será com a Vila dos Patrocinadores, espaço consolidado pela WSL nas areias de Saquarema. Nesta edição, as ações contarão com participação do Banco do Brasil (um hub para inscrições de atividades gratuitas), Monster (simulador de surf), Natura Kaiak (stand sensorial) e a Prefeitura de Saquarema (stand turístico).
Outras imersões destinadas ao público serão oferecidas pelo Banco do Brasil, que é um dos principais apoiadores da modalidade no país. Na Praia de Itaúna, os visitantes terão à disposição aulas gratuitas de surfe, beach tennis, fitdance, vôlei de praia, yoga e espaço kids, estrutura semelhante à montada em provas do Circuito Banco do Brasil de Surfe.
O evento também será palco de baterias especiais, casos da chamada “Onda Rosa”, em alusão ao Outubro Rosa – com personalidades em disputas de equipe – e do Legends, com ex-atletas do CT e nova geração do surfe. Entre os espetáculos além das ondas, a WSL prepara apresentações inéditas da Esquadrilha CÉU, demonstração acrobática de jet skis, além de ativações interativas com o público local – distribuição de brindes e diversas brincadeiras – e um show nacional para representar a população jovem presente.
“A estrutura que Saquarema oferece, tanto em termos de ondas consistentes quanto do espaço físico, torna a cidade a localização ideal para prática do surfe. A paixão da comunidade pelo esporte tem sido fundamental para o crescimento e desenvolvimento da modalidade, regional e nacionalmente. É uma honra encerrar a temporada aqui”, destaca o presidente da WSL na América Latina, Ivan Martinho.
Consolidada como um dos destinos mais importantes do surfe mundial, Saquarema já sediou outras duas competições da WSL este ano. A primeira delas foi o Saquarema Surf Festival, realizada em abril, que fez parte do Qualifying Series (QS), focado na descoberta de jovens talentos. A segunda, Vivo Rio Pro 2023, correspondeu à oitava etapa do Championship Tour, atraindo os melhores surfistas do mundo e terminando com vitória do brasileiro Yago Dora.
Segundo o relatório de impacto econômico publicado pela EY, o torneio do CT movimentou mais de R$97 milhões, contribuindo significativamente com R$35 milhões para o Produto Interno Bruto (PIB) do município. Além disso, foi registrado um impacto significativo no turismo local, com a ocupação máxima da rede hoteleira e gastos totais de visitantes de aproximadamente R$43 milhões na região.
“O impacto econômico se reflete principalmente em Saquarema, mas a atividade apoiada pela Liga também se estende pela Região dos Lagos e pelo Estado do Rio de Janeiro. Este envolvimento ativo da comunidade contribui para espalharmos a cultura do surfe por todo o país e reconhecer a cidade como capital nacional do surfe”, pontua Martinho.
No podcast Fala Papah, Jadson André revela episódios de racismo vividos em aeroportos e fala sobre preconceito, julgamento pela aparência e experiências marcantes na carreira. Foto: WSL / Thiago Diz
O surfista Jadson André, um dos nomes da geração que colocou o Brasil na elite do surf mundial, falou abertamente sobre episódios de racismo que já enfrentou ao longo da carreira. O relato foi feito durante participação no podcast Fala Papah e trouxe à tona situações vividas principalmente em aeroportos, durante viagens para competições internacionais.
Acostumado a viajar pelo mundo competindo no mais alto nível do surf profissional, Jadson contou que já foi questionado ao entrar em filas de prioridade em check-ins de companhias aéreas. Segundo ele, em diversas ocasiões ouviu que estaria “na fila errada”, julgamento feito com base apenas na aparência e na forma como estava vestido.
Um dos episódios mais marcantes aconteceu no Aeroporto de Guarulhos. O surfista relatou que estava em uma fila para resolver um problema de bagagem quando foi ofendido por uma mulher que se recusou a aceitar a orientação que ele deu sobre a ausência de prioridade naquele atendimento. A situação escalou a ponto de Jadson procurar a Polícia Federal, que abordou a mulher e ofereceu a possibilidade de registrar ocorrência.
Além desse caso, o atleta mencionou outras situações constrangedoras vividas em aeroportos. Em uma delas, após ser tratado de maneira inadequada por um funcionário, acabou recebendo um upgrade de classe como tentativa de reparação. Jadson destacou que passou a se vestir de forma mais formal durante viagens justamente para evitar novos julgamentos precipitados.
Durante a conversa, o surfista também refletiu sobre os limites entre denúncia legítima e exageros nas redes sociais. Ele reconheceu que o racismo e a xenofobia são realidades presentes na sociedade, mas ponderou que é importante manter equilíbrio ao tratar do tema.
O episódio reforça um debate que vai além do esporte. A trajetória de Jadson André mostra que o preconceito pode atingir qualquer pessoa, independentemente da carreira ou do reconhecimento profissional.
O episódio completo está disponível no canal do podcast Fala Papah:
Lapo Coutinho fala sobre o câncer, dor e decisões difíceis em entrevista ao Fala Papah. Foto: Reprodução
Lapo Coutinho abriu o coração em um dos trechos mais impactantes já exibidos no canal Fala Papah. Na conversa, o lendário baiano falou de forma direta e sincera sobre o câncer, os desafios do tratamento e as decisões difíceis que precisou tomar ao longo da jornada.
O momento é marcado por reflexões profundas sobre dor, qualidade de vida, família e espiritualidade. Durante o episódio, Lapo compartilha como estava encarando a evolução da doença no período da gravação e revela quais eram suas prioridades naquele momento delicado.
Entre os pontos mais fortes da conversa, ele destaca que sua principal missão era não sentir dor. A frase resume o estado emocional e físico que vivia naquele instante. Ao longo do trecho, também aborda o impacto do diagnóstico na família, os medos naturais e o esforço para manter serenidade diante da incerteza.
A entrevista não tem caráter médico e não pretende orientar decisões clínicas. Trata-se do relato pessoal de Lapo Coutinho sobre sua própria experiência. É um registro honesto de um momento específico de sua trajetória.
Após a gravação do episódio, Lapo optou por iniciar tratamento com quimioterapia diante da evolução do quadro. A atualização reforça que decisões relacionadas ao câncer são complexas e podem mudar conforme o acompanhamento médico e o avanço da doença.
O corte publicado no canal Fala Papah destaca a dimensão humana da história. Mais do que discutir procedimentos, o vídeo apresenta uma reflexão sobre coragem, fé e enfrentamento.
O trecho completo está disponível no YouTube do Fala Papah e integra um dos episódios mais assistidos do canal, que tem se consolidado como espaço para conversas profundas dentro do universo do surfe e além dele.
Assista ao vídeo e acompanhe outras entrevistas no canal:
Ex integrante da elite mundial, Fábio Silva relembra no Fala Papah por que abandonou o WCT em 1997 e fala sobre saúde, família e sua origem no Titanzinho. Foto: Reprodução.
O novo episódio do podcast Fala Papah, já disponível no YouTube, traz um dos relatos mais emblemáticos e humanos da história do surfe brasileiro. Cria da comunidade do Titanzinho, em Fortaleza, o cearense Fábio Silva revisita sua trajetória no esporte, marcada por talento, ascensão precoce, decisões difíceis e desafios que extrapolaram as competições.
Nos anos 1990, Fábio foi apontado como uma das grandes promessas do surfe nacional. Campeão brasileiro nas categorias de base, vice campeão brasileiro profissional em 1996 e vencedor de uma etapa do WQS na França em 1997, ele conquistou vaga na elite mundial naquele mesmo ano. Em sua temporada de estreia no WCT, figurava entre os 44 melhores surfistas do planeta e ocupava a 38ª colocação após cinco etapas disputadas.
Foi nesse contexto que Fábio surpreendeu o surfe brasileiro ao abandonar o circuito mundial em julho de 1997. À época, o surfista explicou que o desgaste das viagens constantes, a distância da família, o nascimento da filha, a dificuldade com o idioma inglês e o desejo de retomar os estudos pesaram na decisão. Ele renegociou contratos e optou por seguir competindo nos circuitos nacionais.
No episódio do Fala Papah, gravado em dezembro de 2025 nas ruas do Titanzinho, em frente ao mar que moldou sua história, Fábio revisita essa escolha com maturidade. Ele reflete sobre como aquela decisão, tomada em um contexto diferente, hoje pode ser compreendida à luz de temas que ganharam força no esporte, como saúde mental, bem estar e identidade.
No podcast, Fábio revela um detalhe pouco conhecido daquele momento. Ele chegou a embarcar para a etapa de Jeffreys Bay, na África do Sul, uma das mais tradicionais do circuito mundial. A decisão de abandonar a elite, porém, foi tomada ainda durante a viagem.
Sozinho, sem dominar o inglês, pressionado pelo ambiente do circuito e emocionalmente fragilizado, Fábio desembarcou no aeroporto de Johannesburgo e optou por retornar ao Brasil antes mesmo de seguir para a praia. Ele não chegou a competir nem a entrar no mar. A escolha foi feita ainda no avião, na ida, em um momento silencioso e decisivo da sua carreira.
Um episódio que ajuda a entender o peso psicológico enfrentado por atletas em uma época em que temas como saúde mental, acolhimento e adaptação cultural praticamente não existiam no esporte de alto rendimento.
Além da carreira esportiva, Fábio fala abertamente sobre os obstáculos enfrentados fora da água. De origem humilde, criado em uma comunidade periférica, ele precisou lidar com dificuldades financeiras, limitações estruturais e preconceito por ser nordestino, mesmo após alcançar reconhecimento internacional.
O episódio também aborda momentos delicados de saúde. Fábio relembra a trombose venosa sofrida em 2015, inicialmente confundida com um AVC, que causou paralisia temporária do lado esquerdo do corpo. Após tratamento e fisioterapia intensa, conseguiu se recuperar sem sequelas. Cerca de dez anos depois, em 2025, voltou a enfrentar um novo quadro de trombose, desta vez nas pernas e nos pés, após uma longa viagem de ônibus do Sergipe ao Ceará, o que motivou uma grande mobilização de apoio no meio do surfe.
Mesmo diante de tantas dificuldades, Fábio segue ligado ao surfe e à sua comunidade, mantendo uma escolinha no Titanzinho sempre que as condições físicas permitem. Humilde, simples e extremamente querido, ele representa uma geração e uma história que ajudam a entender o surfe brasileiro para além de títulos e rankings.