Tainá Hinckel é campeã do Dream Tour da CBSurf. Foto: Pablo NZ
A catarinense Tainá Hinckel garantiu o título feminino do Dream Tour, a nova divisão de elite do surfe profissional brasileiro. Nesta quarta-feira, em ondas difíceis na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro (RJ), Tainá viu as suas concorrentes caírem e garantiu a taça antes mesmo de avançar às quartas de final da etapa.
Com o título, Tainá tem vaga garantida no ISA Games de 2024, que acontece em Porto Rico e vale vaga nas Olimpíadas para as sete melhores mulheres elegíveis. O Brasil será representado ainda por Tatiana Weston-Webb e Luana Silva na categoria feminina; Filipe Toledo, João Chianca e Gabriel Medina na masculina.
Conforme adiantou o canal AOS Mídia no post “A uma bateria do título“, Tainá Hinckel só perderia o título do Dream Tour se não avançasse às quartas ou se a carioca Júlia Duarte vencesse a etapa.
Tainá vê concorrentes caírem e faz a sua parte nas oitavas de final. Foto: Pablo NZ
Antes de etapa na Barra começar, Silvana Lima e Yanca Costa também tinham chances remotas de título. Ambas precisavam vencer o evento e torcer para Tainá perder antes das quartas de final sem ter vencido a sua bateria de estreia. Assim, uma delas poderia empatar com Tainá tanto na pontuação quanto no número de baterias vencidas ao longo da temporada. O próximo critério seria a soma da pontuação da última bateria de cada etapa.
Logo na primeira bateria do dia, Silvana deu adeus ao evento depois de perder para Monik Santos e Kayane Reis em uma bateria com pontuações muito baixas. Monik totalizou 4.17 pontos em 20 possíveis, enquanto Kayane obteve 3.50 e Silvana somou 2.83, sendo eliminada precisando de apenas 1.17 em um mar com pouquíssimas ondas.
Na quarta bateria, Júlia Duarte fez a sua parte e estreou com vitória, deixando para trás Jéssica Bianca e Potira Castaman.
Kemily Sampaio derrota Júlia Duarte, vice-líder do ranking do Dream Tour. Foto: Pablo NZ
Em seguida, Tainá Hinckel mandou bem e avançou em primeiro lugar, com Karol Ribeiro em segundo e Mariana Areno dando adeus à prova.
Com a vitória, Tainá tirou a pequena chance de título de Yanca Costa, que ainda foi eliminada no último confronto do round 1 pela convidada Isabelle Nalu e a também catarinense Laura Raupp.
Nas oitavas de final, a pressão foi toda pra cima de Júlia Duarte, que enfrentou Kemily Sampaio. Caso Júlia fosse eliminada, Tainá Hinckel já teria a taça garantida antes mesmo de enfrentar Taís de Almeida.
Kemily fez uma ótima apresentação e registrou um dos maiores somatórios da etapa até o momento, 13.66 pontos. Júlia Duarte não conseguiu repetir as boas performances da estreia e ainda cometeu uma interferência, deixando o caminho livre para Tainá conquistar o título brasileiro de 2023.
Irmãs Monik e Nicole Santos se enfrentam na abertura das quartas de final. Foto: Pablo NZ
Já com a taça garantida, a catarinense ainda derrotou Taís de Almeida por 11.34 a 9.60 pontos, sendo festejada pelo pai, Carlos Kxot, e pelas amigas ao sair da água.
Ainda na tarde da última quarta-feira, Juliana dos Santos quebrou o recorde de Kemily ao anotar 14.33 pontos em uma belíssima batalha com Laura Raupp, que obteve 12.03.
Nas quartas de final, uma bateria muito interessante logo no primeiro confronto: as irmãs pernambucanas Monik e Nicole Santos vão se enfrentar pela primeira vez no Dream Tour.
Em seguida, Sol Carrion e Kemily Sampaio brigam por outra vaga na semifinal. O terceiro duelo reúne Tainá Hinckel e Diana Cristina. Por fim, Juliana dos Santos e Analu Silva buscam a última vaga nas semis da etapa.
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No podcast Fala Papah, Jadson André revela episódios de racismo vividos em aeroportos e fala sobre preconceito, julgamento pela aparência e experiências marcantes na carreira. Foto: WSL / Thiago Diz
O surfista Jadson André, um dos nomes da geração que colocou o Brasil na elite do surf mundial, falou abertamente sobre episódios de racismo que já enfrentou ao longo da carreira. O relato foi feito durante participação no podcast Fala Papah e trouxe à tona situações vividas principalmente em aeroportos, durante viagens para competições internacionais.
Acostumado a viajar pelo mundo competindo no mais alto nível do surf profissional, Jadson contou que já foi questionado ao entrar em filas de prioridade em check-ins de companhias aéreas. Segundo ele, em diversas ocasiões ouviu que estaria “na fila errada”, julgamento feito com base apenas na aparência e na forma como estava vestido.
Um dos episódios mais marcantes aconteceu no Aeroporto de Guarulhos. O surfista relatou que estava em uma fila para resolver um problema de bagagem quando foi ofendido por uma mulher que se recusou a aceitar a orientação que ele deu sobre a ausência de prioridade naquele atendimento. A situação escalou a ponto de Jadson procurar a Polícia Federal, que abordou a mulher e ofereceu a possibilidade de registrar ocorrência.
Além desse caso, o atleta mencionou outras situações constrangedoras vividas em aeroportos. Em uma delas, após ser tratado de maneira inadequada por um funcionário, acabou recebendo um upgrade de classe como tentativa de reparação. Jadson destacou que passou a se vestir de forma mais formal durante viagens justamente para evitar novos julgamentos precipitados.
Durante a conversa, o surfista também refletiu sobre os limites entre denúncia legítima e exageros nas redes sociais. Ele reconheceu que o racismo e a xenofobia são realidades presentes na sociedade, mas ponderou que é importante manter equilíbrio ao tratar do tema.
O episódio reforça um debate que vai além do esporte. A trajetória de Jadson André mostra que o preconceito pode atingir qualquer pessoa, independentemente da carreira ou do reconhecimento profissional.
O episódio completo está disponível no canal do podcast Fala Papah:
Lapo Coutinho fala sobre o câncer, dor e decisões difíceis em entrevista ao Fala Papah. Foto: Reprodução
Lapo Coutinho abriu o coração em um dos trechos mais impactantes já exibidos no canal Fala Papah. Na conversa, o lendário baiano falou de forma direta e sincera sobre o câncer, os desafios do tratamento e as decisões difíceis que precisou tomar ao longo da jornada.
O momento é marcado por reflexões profundas sobre dor, qualidade de vida, família e espiritualidade. Durante o episódio, Lapo compartilha como estava encarando a evolução da doença no período da gravação e revela quais eram suas prioridades naquele momento delicado.
Entre os pontos mais fortes da conversa, ele destaca que sua principal missão era não sentir dor. A frase resume o estado emocional e físico que vivia naquele instante. Ao longo do trecho, também aborda o impacto do diagnóstico na família, os medos naturais e o esforço para manter serenidade diante da incerteza.
A entrevista não tem caráter médico e não pretende orientar decisões clínicas. Trata-se do relato pessoal de Lapo Coutinho sobre sua própria experiência. É um registro honesto de um momento específico de sua trajetória.
Após a gravação do episódio, Lapo optou por iniciar tratamento com quimioterapia diante da evolução do quadro. A atualização reforça que decisões relacionadas ao câncer são complexas e podem mudar conforme o acompanhamento médico e o avanço da doença.
O corte publicado no canal Fala Papah destaca a dimensão humana da história. Mais do que discutir procedimentos, o vídeo apresenta uma reflexão sobre coragem, fé e enfrentamento.
O trecho completo está disponível no YouTube do Fala Papah e integra um dos episódios mais assistidos do canal, que tem se consolidado como espaço para conversas profundas dentro do universo do surfe e além dele.
Assista ao vídeo e acompanhe outras entrevistas no canal:
Ex integrante da elite mundial, Fábio Silva relembra no Fala Papah por que abandonou o WCT em 1997 e fala sobre saúde, família e sua origem no Titanzinho. Foto: Reprodução.
O novo episódio do podcast Fala Papah, já disponível no YouTube, traz um dos relatos mais emblemáticos e humanos da história do surfe brasileiro. Cria da comunidade do Titanzinho, em Fortaleza, o cearense Fábio Silva revisita sua trajetória no esporte, marcada por talento, ascensão precoce, decisões difíceis e desafios que extrapolaram as competições.
Nos anos 1990, Fábio foi apontado como uma das grandes promessas do surfe nacional. Campeão brasileiro nas categorias de base, vice campeão brasileiro profissional em 1996 e vencedor de uma etapa do WQS na França em 1997, ele conquistou vaga na elite mundial naquele mesmo ano. Em sua temporada de estreia no WCT, figurava entre os 44 melhores surfistas do planeta e ocupava a 38ª colocação após cinco etapas disputadas.
Foi nesse contexto que Fábio surpreendeu o surfe brasileiro ao abandonar o circuito mundial em julho de 1997. À época, o surfista explicou que o desgaste das viagens constantes, a distância da família, o nascimento da filha, a dificuldade com o idioma inglês e o desejo de retomar os estudos pesaram na decisão. Ele renegociou contratos e optou por seguir competindo nos circuitos nacionais.
No episódio do Fala Papah, gravado em dezembro de 2025 nas ruas do Titanzinho, em frente ao mar que moldou sua história, Fábio revisita essa escolha com maturidade. Ele reflete sobre como aquela decisão, tomada em um contexto diferente, hoje pode ser compreendida à luz de temas que ganharam força no esporte, como saúde mental, bem estar e identidade.
No podcast, Fábio revela um detalhe pouco conhecido daquele momento. Ele chegou a embarcar para a etapa de Jeffreys Bay, na África do Sul, uma das mais tradicionais do circuito mundial. A decisão de abandonar a elite, porém, foi tomada ainda durante a viagem.
Sozinho, sem dominar o inglês, pressionado pelo ambiente do circuito e emocionalmente fragilizado, Fábio desembarcou no aeroporto de Johannesburgo e optou por retornar ao Brasil antes mesmo de seguir para a praia. Ele não chegou a competir nem a entrar no mar. A escolha foi feita ainda no avião, na ida, em um momento silencioso e decisivo da sua carreira.
Um episódio que ajuda a entender o peso psicológico enfrentado por atletas em uma época em que temas como saúde mental, acolhimento e adaptação cultural praticamente não existiam no esporte de alto rendimento.
Além da carreira esportiva, Fábio fala abertamente sobre os obstáculos enfrentados fora da água. De origem humilde, criado em uma comunidade periférica, ele precisou lidar com dificuldades financeiras, limitações estruturais e preconceito por ser nordestino, mesmo após alcançar reconhecimento internacional.
O episódio também aborda momentos delicados de saúde. Fábio relembra a trombose venosa sofrida em 2015, inicialmente confundida com um AVC, que causou paralisia temporária do lado esquerdo do corpo. Após tratamento e fisioterapia intensa, conseguiu se recuperar sem sequelas. Cerca de dez anos depois, em 2025, voltou a enfrentar um novo quadro de trombose, desta vez nas pernas e nos pés, após uma longa viagem de ônibus do Sergipe ao Ceará, o que motivou uma grande mobilização de apoio no meio do surfe.
Mesmo diante de tantas dificuldades, Fábio segue ligado ao surfe e à sua comunidade, mantendo uma escolinha no Titanzinho sempre que as condições físicas permitem. Humilde, simples e extremamente querido, ele representa uma geração e uma história que ajudam a entender o surfe brasileiro para além de títulos e rankings.