Entrevistas
People on Tour: bastidores com Pedro Burckauser
Pedro Burckauser revela como criou o People on Tour e mostra os bastidores do circuito mundial, sua relação com a WSL e os atletas.
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7 meses atrásem

Pedro Burckauser é o criador do canal People on Tour. Foto: Arquivo pessoal
O canal People on Tour (@peopleontour) se tornou uma das vozes mais autênticas e queridas do surfe brasileiro e mundial. Por trás dele está Pedro Burckauser (@burckauser), um apaixonado pelo esporte que começou fotografando torcedores nas etapas da elite mundial e, com o tempo, passou a circular nos bastidores mais íntimos do circuito. De registros fotográficos ao conteúdo audiovisual com linguagem própria, Pedro construiu uma marca leve, bem-humorada e, ao mesmo tempo, profundamente conectada com a realidade dos atletas.
Nesta entrevista exclusiva, ele fala sobre as origens do canal People on Tour, as dificuldades com acessos no início, sua relação com os surfistas, o desafio de se manter no circuito, e até mesmo a escolha de não se expor visualmente, mantendo sua presença centrada na narrativa — e na voz.
Confira a entrevista completa abaixo.

Pedro Burckauser acompanha de perto a conquistra do tri mundial de Gabriel Medina em 2021. Foto: People on Tour
Conta um pouco da origem do People on Tour. Qual era a proposta inicial do canal e quando você percebeu que aquilo podia se tornar algo muito maior?
A proposta inicial era basicamente registrar pessoas felizes nas etapas do Tour, simples assim.
Eu havia acabado de sair de um término de casamento e, após um período de luto e tristeza, eu sentia muita necessidade de estar em um ambiente leve, rodeado de pessoas felizes, e como eu sempre fui um grande fã das competições de surfe, me vi também motivado pelo o que a nova geração do Brasil começava a mostrar.
Nunca imaginei, naquele momento, que o perfil iria se tornar o que acabou se tornando.
Teve algum vídeo ou momento específico que você considera a virada de chave pro canal ganhar força e se projetar de vez?
Sem dúvida o momento divisor de águas foi quando passei a filmar e editar os vídeos.
Durante os dois primeiros anos o perfil era apenas de registros fotográficos, e foi somente após eu começar a filmar e editar os vídeos, que o perfil começou a ganhar um reconhecimento maior.
Sou muito grato ao Bruno Tessari, filmmaker que já trabalhava com surfe e que foi o primeiro a me alertar sobre o que ele havia notado no primeiro vídeo que postei: “Cara, os meninos entregam para sua lente algo que eles não entregam para nós. Tem algo na relação de vocês que os deixam mais à vontade. Continue a filmar eles, tem coisa aí.”
Naquele momento eu não conseguia notar essa diferença, mas resolvi acreditar no conselho e hoje sou muito grato ao conselho que ele me deu.
O registro em vídeo possibilitou entregar para os fãs um lado mais real do nosso dia a dia no Tour, não só as alegrias das vitórias, mas também o convívio, os perrengues e os bons momentos das viagens.

Pedro ao lado do bicampeão mundial Filipe Toledo. Foto: People on Tour
Com o tempo, você saiu de um conteúdo voltado pros fãs e bastidores da praia pra se tornar um cara que circula no coração do tour. Como foi construir esse espaço com os atletas e ganhar a confiança de tanta gente?
Acredito que tenha sido uma construção natural de quem passa o ano viajando com as mesmas pessoas e compartilhando das mesmas experiências. São muitos eventos, muitos aeroportos, muitas caronas (risos).
Também acredito que a responsabilidade que sempre tive em relação ao material que registro também tenha sido importante para ganhar essa confiança. Nunca me vi como um jornalista que tem a obrigação de passar a notícia, o que me levou ao Tour foi a minha paixão. No Tour, eu sou e sempre serei um fã, e acho que é isso que o perfil traduz: a visão de um fã.
Você desenvolveu relações de amizade reais com muitos atletas, mas ao mesmo tempo está ali registrando momentos de pressão, de derrota, de polêmica. Já teve situações em que foi difícil equilibrar esse envolvimento com a responsabilidade de registrar e publicar?
Não sinto nenhum tipo de conflito nesse sentido. O perfil é um espelho da minha paixão pelo surfe brasileiro e pelo Tour, portanto toda e qualquer postagem, naturalmente passa antes por esse filtro.
Como disse anteriormente, não me cobro jornalisticamente, essa não é minha posição. O perfil é entretenimento e sempre vai refletir a minha visão de fã.
E sobre ciúmes? Às vezes rola de o atleta achar que você deu mais espaço pro outro, ou ficou de fora de algum conteúdo importante?
(Risos) Sim, isso às vezes acontece, mas sempre de forma natural e leve.

Pedro Burckauser celebra a vitória de Italo Ferreira na etapa de Peniche, Portugal, em 2019. Foto: People on Tour
A gente já viu alguns conteúdos seus surgirem em momentos muito delicados — baterias polêmicas, julgamentos contestados, até o acidente do Filipe com o fotógrafo Thiago Diz. E mesmo assim, os próprios atletas confiam e falam com você, ou deixam você filmar. O que você acha que faz com que eles se sintam à vontade contigo nesses momentos?
Acredito que a relação que foi construída ao longo desses anos no Tour seja a base da confiança mútua que existe entre nós. Eles sabem que podem contar comigo, que sempre estarei ao lado deles. Viajar o Tour não é fácil e muitas vezes nos sentimos sozinhos, e saber que temos pessoas que podemos confiar e contar ao nosso lado é importante.
Em algumas dessas situações mais tensas, você consegue transformar o peso em leveza. Isso é natural pra você ou é algo que você já entendeu como uma estratégia de comunicação do People on Tour?
O canal é uma extensão da minha personalidade, sou muito transparente e o que sai no perfil nada mais é do que muito das minhas características. Gosto de fazer as pessoas se sentirem bem, gosto de fazê-las rir, e mesmo não tendo muito sucesso em todas as vezes que me proponho a isso, sigo na tentativa (risos).
Você é um cara emocional, torcedor, coração. Já vimos você desabafando nos comentários, mostrando esse lado mais envolvido mesmo. Como você tenta controlar isso nos momentos em que a emoção bate mais forte?
(Risos) Na verdade foram bem raros esses momentos. Lembro exatamente, ao longo de todos esses anos, as únicas 3 vezes nas quais eu “transbordei” e acabei falando mais do que deveria.
Mas acho também que vivemos em um ambiente competitivo e no qual a paixão também faz parte do jogo, e que, portanto, invariavelmente, essas situações podem acontecer. Cabe a todos que estamos lá no dia a dia dos eventos, tentar sempre ao máximo possível controlar o lado passional e buscar sempre uma atitude mais profissional.
Durante muito tempo, sua presença no canal era totalmente invisível. Mais recentemente, sua voz passou a aparecer com mais frequência nos vídeos, mas o rosto continua fora de cena. Por que essa escolha de não se expor visualmente? É uma decisão pensada ou mais instintiva? Você já sentiu que isso te limita de alguma forma ou encara como parte da identidade do People on Tour?
Sempre tive uma gigantesca dificuldade em me expor, sou realmente bastante tímido com quem não conheço e só me sinto mais à vontade quando sei um pouco mais da pessoa.
Além disso, quando iniciei os registros dos atletas, sempre tive em mente que esses registros não seriam sobre mim, e sim sobre eles, a maior geração da história do surfe mundial.
O que eu não imaginava é que o resultado sairia tão autoral ao ponto de o próprio nome do perfil se confundir comigo (deixei de ser Pedro e virei o People rs).

Pedro e o 11 vezes campeão mundial Kelly Slater. Foto: People on Tour
O People on Tour sempre teve uma identidade muito própria — desde a linguagem visual, a edição, o tom das legendas e até o jeito de escrever nos stories. Como você foi construindo essa estética e esse jeito tão característico de se comunicar?
Na questão das legendas, escolhas de fontes, jeito de filmar, forma de editar, tudo isso foi realmente muito natural, nunca estudei maneiras de entregar o conteúdo, simplesmente fui decidindo e fazendo (e por isso que tem muita coisa ruim também rs).
Mas é impossível não citar o trabalho primoroso do designer Marcello Gemmal na criação da logo e em várias decisões acerca dos produtos em colab com outras marcas (camisetas, bonés, bermudas, etc). Acredito que essa identidade visual que envolve a logomarca é diferencial na construção dessa história.
Você costuma brincar com os próprios erros, rir de si mesmo e transformar falhas em conteúdo. Isso sempre fez parte da proposta ou foi algo que foi acontecendo?
Como disse anteriormente, o perfil é reflexo da minha personalidade, sou muito transparente e acredito que tenho uma certa facilidade em “traduzir” aquilo que acontece na minha vida em conteúdo digital. Por gostar de fazer as pessoas rirem e se sentirem bem, não me sinto envergonhado de rir das minhas vaciladas (risos).
O People on Tour virou também uma marca que vai além dos vídeos. Você já promoveu festas e criou outros tipos de conexão com a galera. Isso é um projeto paralelo ou você vê como uma extensão natural do canal?
Sim, vejo como algo natural ao que já foi construído. Pelo tamanho que a marca atingiu e pela comunidade que ela criou, percebo que existe espaço para voos maiores. As festas em Saquarema e em Portugal já são uma realidade e espero que possamos fazer cada vez mais e com inúmeros parceiros.

Vibe pura com Yago Dora, vencedor da etapa de Peniche, Portugal, em 2025. Foto: People on Tour
A gente sabe que acompanhar o tour mundial tem um custo alto — financeiro, físico e emocional. Como é viver isso na prática? Já teve momentos em que você pensou em parar ou sentiu que não ia conseguir continuar?
Todo ano repito que talvez esse seja o último (risos). Ninguém acredita mais em mim (risos).
Mas respondendo sua pergunta, sim. Principalmente pelo lado financeiro pois dependo de parcerias para cobrir os custos, então estou sempre na correria perturbando as marcas para fecharmos trabalhos.
Quais são as etapas do CT que mais funcionam pra você, tanto em retorno comercial quanto em conteúdo? E tem alguma que historicamente é mais difícil de trabalhar ou ter retorno comercial?
A etapa de maior retorno comercial é sem dúvida a do Brasil, com praticamente todas as marcas querendo trabalhar de alguma forma durante aquele período. Na parte de conteúdo, acho que o Taiti é sempre uma viagem que costuma entregar boas histórias (risos).
Eu lembro de uma vez, em Saquarema, que a gente tava trocando ideia e você falou: “meu canal não é de mídia, é de entretenimento” (risos). E eu brinquei falando que essa era uma boa jogada pra não assustar a galera, porque quando fala em mídia ou jornalismo, o povo já fica meio travado (risos). Você ainda se enxerga assim, mais como entretenimento do que como mídia?
Sim, sem dúvida. Nunca me propus a fazer jornalismo no perfil, mas entendo que muitas vezes ao pegar algum depoimento, acabo cobrindo um lado importante nesse sentido, embora não seja o objetivo do perfil.

Segundo Pedro Burckauser, a proposta inicial do People on Tour era basicamente registrar pessoas felizes nas etapas do Circuito Mundial da WSL
Hoje, principalmente na etapa do Brasil, a gente vê muitos influenciadores que não acompanham o circuito durante o ano inteiro, mas acabam sendo chamados para ações de marcas, ganhando espaço e visibilidade. Como é pra você, que vive o tour o ano inteiro, competir no mercado com esses nomes? Mesmo tendo amizade com vários deles, isso te afeta de alguma forma no trabalho ou na forma como você se posiciona?
Penso que quando uma marca contrata algum influenciador para trabalhar, muitos fatores são levados em consideração, não acredito que a longevidade no Tour ou o número de coberturas em eventos sejam os fatores determinantes para a escolha de quem vai ser escolhido. O mundo dos influenciadores gira muito mais ao redor de números de engajamento e o posicionamento do mesmo como marca.
Dito isto, acredito que quanto mais tivermos pessoas e trabalhos rolando no mercado do surfe, melhor para todos.
O mercado do surfe passou por muitas mudanças nos últimos anos. Tradicionalmente, eram as marcas de surfwear quem mais sustentavam o esporte. Hoje, a maior parte do investimento vem de marcas de fora do surfe, as chamadas não endêmicas. Como você enxerga essa mudança? Isso impacta diretamente o seu trabalho também?
Tenho muita dificuldade em analisar o mercado de surfe no Brasil, pois esse lado comercial é algo no qual ainda sofro ao tentar gerenciar. Se tenho alguma facilidade pelo lado criativo na produção dos conteúdos, ainda me falta entendimento quando o assunto é mercado. Bora pra próxima pergunta (risos).
Durante muito tempo, você mesmo brincava com as dificuldades de acesso — a famosa saga da pulseira (risos). Como era o seu trabalho naquela época, com as limitações que você enfrentava, e como foi essa transição até se aproximar mais da WSL e conquistar esse espaço nos bastidores? O que mudou de lá pra cá na sua rotina e na relação com o tour?
Sim, a questão dos acessos sempre foi uma novela engraçada da minha vida no Tour (risos). Ora através dos atletas, ora através da própria WSL, conseguir o acesso era sempre uma missão que eu nunca sabia ao certo como terminaria — cada evento uma nova aventura.
Hoje fico feliz com a parceria que tenho com a WSL, e saber que sou entendido como um bom colaborador ao trabalho deles me enche de orgulho.
Competições
Fala Papah! recebe Jessé Mendes direto das Maldivas
No segundo episódio do Fala Papah!, Ader Oliveira entrevista Jessé Mendes, ex-integrante da elite mundial, direto das Maldivas.
Publicado
4 meses atrásem
11/11/2025Por
aos-midia
Jessé Mendes marca presença no segundo episódio do Fala Papah!, produzido por AOS Midia. Foto: Reprodução
O jornalista Ader Oliveira apresenta o segundo episódio do podcast Fala Papah!, com uma conversa exclusiva com Jessé Mendes, ex-integrante da elite mundial do surfe e primeiro brasileiro da história a integrar o time internacional de comentaristas da World Surf League na equipe de língua inglesa.
A entrevista foi gravada durante o Four Seasons Maldives Surfing Champions Trophy 2025, evento especial que reúne grandes nomes do surfe mundial na paradisíaca ilha de Kuda Huraa, nas Maldivas.
Representando o Brasil, Jessé teve bom desempenho, terminando em terceiro lugar na classificação geral. Ele chegou à final da categoria triquilha, enfrentando o taitiano Michel Bourez, que acabou vencendo a competição.
Jessé esteve nas Maldivas acompanhado da esposa Tatiana Weston-Webb, e o casal viveu uma semana de sonho no resort do Four Seasons, entre ondas perfeitas, boas risadas e muita história para contar. Toda essa atmosfera foi registrada de perto pela equipe da AOS Mídia, que acompanhou cada detalhe do evento e das gravações do episódio.
Durante a conversa, Jessé falou sobre sua trajetória no circuito mundial, o surfe feminino, as mudanças de bandeira entre atletas após a entrada do esporte nas Olimpíadas e o motivo de ter parado de competir cedo. Comentou ainda seu novo papel como comentarista da WSL e a experiência de representar a Itália nas competições internacionais.
O episódio também revela um lado mais pessoal de Jessé, que contou sobre a filha que está para nascer com Tatiana e compartilhou momentos de bastidores e reflexões sobre o futuro.
O Fala Papah! é um podcast produzido pelo canal AOS Mídia. O episódio ficará disponível a partir das 20 horas desta terça-feira, no YouTube e também no Spotify.
Apoio:
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