A canadense Sanoa Dempfle-Olin e o peruano Lucca Mesinas saíram vitoriosos no Vans Jack’s Surfboards Pro apresentado pela 805, evento QS 4.000 válido pela temporada 2025/2026 da World Surf League (WSL). Em ondas pequenas e desafiadoras de 0,5 a 1 metro, ambos atletas conquistaram vitórias importantes que os colocam na liderança do ranking norte-americano do Qualifying Series.
Dempfle-Olin derrotou Ella McCaffray (EUA) na final feminina e conquistou seu segundo título na carreira. Já Mesinas confirmou o favoritismo com uma atuação dominante frente a Taro Watanabe (EUA), garantindo seu segundo título consecutivo no evento em Huntington Beach.
Sanoa Dempfle-Olin lidera ranking após vitória sólida na final
Recém-classificada para o Challenger Series 2025, Sanoa Dempfle-Olin vem se consolidando como uma das grandes promessas do surfe feminino. Com sua poderosa abordagem de backside, ela superou nomes fortes como Rubiana Brownell (CRC) nas quartas de final e a local Bailey Turner (EUA) na semifinal, antes de dominar a final contra McCaffray.
Com um somatório de 12.84 pontos, Dempfle-Olin assumiu o controle da bateria nos primeiros 10 minutos, destacando-se com uma nota 7.17. McCaffray, que precisava de uma nota quase perfeita (9.67), não teve oportunidades nas condições inconsistentes do mar.
“Ganhar um QS 4.000 logo no começo da temporada me dá muita confiança para o Challenger”, disse Dempfle-Olin. “Ter um começo rápido foi chave em todas as minhas baterias.”
Lucca Mesinas conquista título em reedição da final de 2024
Campeão regional norte-americano na temporada passada, Lucca Mesinas mostrou porque é um dos nomes mais experientes da competição. Ele repetiu a final do ano anterior contra Taro Watanabe e, mais uma vez, saiu com a vitória – desta vez com 13.04 pontos contra 12.93 do norte-americano.
A disputa foi apertada até o fim. Após Watanabe virar a bateria com um 6.93, Mesinas precisava de um 7.05. Apesar da tensão nos momentos finais, a vitória do peruano foi confirmada por decisão dividida dos juízes.
“Fiquei nervoso ali no fim, mas me sinto muito feliz por conquistar essa vitória novamente aqui em Huntington”, comemorou Mesinas.
No caminho até o título, o ex-CT superou Kolohe Andino nas quartas de final com um forte desempenho (14.17 pontos) e bateu Dimitri Poulos na semifinal.
Destaques adicionais: Ella McCaffray e Taro Watanabe somam pontos importantes
Ella McCaffray começou bem a temporada 2025/2026 com sua sétima final de QS, depois de eliminar Sara Freyre nas quartas e Lilie Kulber nas semifinais. Aos 21 anos, a surfista de Encinitas sonha com o retorno ao Challenger Series em 2026.
Já Taro Watanabe, de 22 anos, também inicia a temporada com confiança após garantir sua nona final de QS. Ele derrotou Taj Lindblad e Kade Matson antes de perder por margem mínima para Mesinas.
Fu Wax Air Show agita o evento com manobras aéreas
Entre as semifinais e finais, o Fu Wax Air Show, apresentado pela U.S. Air Force Special Warfare, trouxe momentos eletrizantes. Zoey Kaina, de apenas 14 anos, brilhou novamente ao conquistar seu segundo título consecutivo no evento. No masculino, Taj Lindblad levou a melhor sobre Nolan Rapoza com um aéreo impressionante.
Próxima etapa do QS norte-americano: Virginia Beach Pro
A temporada 2025/2026 do Qualifying Series na América do Norte segue com o Virginia Beach Pro QS 2.000, entre os dias 20 e 24 de agosto em Virginia Beach, Virgínia.
Final – Feminino 1: Sanoa Dempfle-Olin (CAN) 12.84 x 3.17 Ella McCaffray (EUA)
Final – Masculino 1: Lucca Mesinas (PER) 13.04 x 12.93 Taro Watanabe (EUA)
Semifinais – Feminino 1: Ella McCaffray (EUA) 11.07 x 10.50 Lilie Kulber (EUA) 2: Sanoa Dempfle-Olin (CAN) 8.57 x 7.53 Bailey Turner (EUA)
Quartas de final – Feminino 1: Ella McCaffray (EUA) 10.46 x 5.10 Sara Freyre (EUA) 2: Lilie Kulber (EUA) 12.30 x 11.20 Reid Van Wagoner (EUA) 3: Bailey Turner (EUA) 13.67 x 10.43 Chelsea Tuach (BAR) 4: Sanoa Dempfle-Olin (CAN) 12.76 x 8.60 Rubiana Brownell (CRC)
Quartas de final – Masculino 1: Kade Matson (EUA) 13.23 x 12.70 Jabe Swierkocki (EUA) 2: Taro Watanabe (EUA) 12.03 x 11.17 Taj Lindblad (EUA) 3: Lucca Mesinas (PER) 14.17 x 10.84 Kolohe Andino (EUA) 4: Dimitri Poulos (EUA) 14.40 x 13.10 Owen Moss (EUA)
Fu Wax Air Show – Vencedores Feminino: Zoey Kaina (EUA) Masculino: Taj Lindblad (EUA)
Rafinha Fernandes, de 9 anos, enfrenta tratamento intenso contra o câncer no Havaí. Campanha citada no Fala Papah! aceita apoio via PIX e GoFundMe.
A comunidade do surfe tem se unido em uma grande corrente de solidariedade para apoiar Rafinha Fernandes, um menino de 9 anos que enfrenta um tratamento intenso contra o câncer no Havaí. A campanha ganhou ainda mais visibilidade após ser citada em um trecho do podcast Fala Papah!, durante a conversa com Lapo Coutinho, quando o programa abriu espaço para um pedido direto de ajuda à família.
Rafinha é filho do baiano Fabrício Fernandes, surfista apaixonado que vive há anos na ilha de Maui. Conhecido por sua ligação com o oceano e com a comunidade do surfe, Fabrício enfrenta ao lado da família o momento mais difícil de sua vida. Amigos descrevem Rafinha como uma criança alegre, carinhosa e cheia de energia, que segue demonstrando força e leveza mesmo diante de uma rotina marcada por hospitais, exames e sessões de quimioterapia.
Atualmente, Fabrício trabalha no restaurante de Yuri Soledade, big rider brasileiro com forte ligação com o Havaí. Sensibilizado com a situação, Yuri tem ajudado a família da melhor forma possível, oferecendo apoio, acolhimento e mobilizando sua rede de contatos para fortalecer a campanha. O gesto reforça a importância da união dentro da comunidade do surfe, especialmente para brasileiros que vivem fora do país.
Rafinha Fernandes, 9 anos, é descrito pela família como um menino alegre, carinhoso e cheio de vida, mesmo enfrentando uma rotina intensa de tratamento contra o câncer no Havaí.
De acordo com informações divulgadas na campanha internacional, Rafinha entrou, a partir de 15 de dezembro, em uma segunda fase de quimioterapia intensiva, com aplicações diárias e, em alguns dias, até três tipos diferentes de medicação, incluindo quimioterapia intravenosa, injeções e medicamentos orais. Em atualização recente, a família informou que o dia 29 de dezembro foi um dos mais desafiadores até agora, com quimioterapia espinhal e retirada de líquido da medula.
Essa etapa é crítica e fisicamente desgastante. O sistema imunológico de Rafinha oscila constantemente, deixando-o altamente vulnerável a infecções. Por isso, a partir de janeiro, ele precisará permanecer em isolamento rigoroso, com contato restrito aos cuidadores imediatos e à equipe médica, pelo tempo que for necessário.
Diante do impacto emocional e financeiro, a família iniciou campanhas de financiamento coletivo para ajudar a custear despesas médicas, deslocamentos, alimentação adequada e garantir que os pais possam permanecer ao lado do filho durante todo o tratamento. O pedido feito no Fala Papah! reforça o papel do jornalismo e dos projetos independentes em transformar audiência em apoio real, lembrando que o surfe também é comunidade, empatia e cuidado.
Mesmo em meio a sessões de quimioterapia e longos períodos no hospital, Rafinha segue demonstrando coragem e leveza, inspirando familiares, amigos e toda a comunidade do surfe.
Como ajudar
Para quem está no Brasil, é possível contribuir via PIX:
Qualquer contribuição faz diferença. E para quem não puder ajudar financeiramente, compartilhar a campanha já é uma forma poderosa de ampliar o alcance e fortalecer a rede de apoio à família.
Ex-head judge da WSL no Havaí, Lapo Coutinho conta histórias inéditas sobre Pipeline, conflitos no North Shore, jiu-jitsu e sua batalha pela vida no Fala Papah!.
O quinto episódio do podcast Fala Papah! traz uma conversa intensa, histórica e cheia de bastidores com Lapo Coutinho, baiano que se tornou um dos grandes embaixadores do Brasil no Havaí e personagem central de momentos marcantes do surfe no arquipélago.
Ex-juiz e head judge da World Surf League no Havaí, Lapo viveu de dentro a transformação do surfe profissional no North Shore de Oahu. Ao longo do episódio, ele compartilha histórias inéditas dos bastidores do circuito mundial e do convívio intenso em uma das regiões mais simbólicas e complexas da cultura do surfe.
Entre os relatos mais impressionantes está a permissão polêmica que conseguiu para realizar um evento exclusivo para brasileiros na mítica Banzai Pipeline. A iniciativa exigiu diálogo, enfrentamento de resistências e muita habilidade para lidar com a tensão existente entre locais e estrangeiros em um dos picos mais respeitados do planeta.
O episódio também mergulha na relação de Lapo com o lendário Fast Eddie, figura conhecida no North Shore, além de episódios duros vividos fora d’água que ajudam a dimensionar o que é morar por anos no Havaí, onde o respeito é conquistado diariamente.
Outro tema abordado é o crescimento do jiu-jitsu no Havaí, com passagens marcantes ligadas à família Gracie e à forma como a arte suave passou a influenciar relações, respeito e até conflitos no arquipélago. Lapo relembra ainda episódios históricos de tensão entre havaianos e brasileiros, contextualizando um período delicado da presença brasileira no surfe havaiano.
Em um momento mais pessoal, Lapo fala sobre seu pai, o cientista Elsimar Coutinho, referência mundial na ciência, e encerra o episódio com um depoimento forte sobre sua própria batalha pela vida, enfrentando o retorno de um câncer com franqueza, lucidez e coragem.
O episódio do Fala Papah! está disponível nas principais plataformas de áudio e vídeo, incluindo Spotifye YouTube, ampliando o alcance da conversa para diferentes públicos. A proposta do podcast é registrar histórias reais e profundas do surfe brasileiro e mundial, com entrevistas conduzidas pelo jornalista Ader Oliveira, criador da AOS Mídia, e patrocínio da Nature Barr.
Tour da WSL será reformulado e terá o retorno de Pipeline como palco da grande final. Foto: WSL / Brent Bielmann
A temporada 2026 vai marcar os 50 anos do surfe profissional e, para celebrar esse marco, a World Surf League (WSL) anunciou uma profunda reformulação no formato do Championship Tour (CT). O calendário passará a contar com 12 etapas, divididas entre temporada regular e pós-temporada, e o mundial voltará a ser decidido no lendário Pipe Masters, no Havaí.
A decisão de reinserir Pipeline como palco da grande final atende a um desejo antigo de fãs, atletas e da própria história do esporte. “Pipeline sempre teve um papel especial na história do surfe, e nossos fãs deixaram claro que querem ver os momentos mais importantes do esporte acontecerem ali”, afirmou Ryan Crosby, CEO da WSL.
Novo formato do CT
A temporada começará em abril e vai até dezembro, começando na Austrália e terminando no Havaí. As nove primeiras etapas compõem a temporada regular, da qual participarão 36 homens e 24 mulheres. Os surfistas levarão consigo os sete melhores resultados entre as nove etapas para a fase seguinte.
Ao fim dessa primeira fase, os 24 melhores homens e 16 melhores mulheres avançam para duas etapas classificatórias da pós-temporada: Abu Dhabi e Peniche. Em seguida, todos os surfistas do CT — inclusive os que não se classificaram — retornarão para disputar o Pipe Masters, que valerá 15.000 pontos, 1,5 vez mais que os eventos padrão.
A pontuação final será definida pela soma dos nove melhores resultados ao longo das 12 etapas. Isso significa que o título será decidido por consistência ao longo do ano e desempenho nas etapas decisivas, sem o formato Final 5 usado nos últimos anos.
Além disso, os oito melhores colocados no ranking antes de Pipeline terão vantagem competitiva no chaveamento da etapa final.
Etapa final passará a valer 15 mil pontos e terá participação de todos os atletas que ficarem depois do corte. Foto: WSL / Tony Heff
Calendário completo do CT 2026
Temporada regular
CT1 – Bells Beach (Victoria, Austrália)
CT2 – Margaret River (Austrália Ocidental, Austrália)
CT3 – Snapper Rocks (Queensland, Austrália)
CT4 – Punta Roca (El Salvador)
CT5 – Saquarema (Brasil)
CT6 – Jeffreys Bay (África do Sul)
CT7 – Teahupo’o (Taiti)
CT8 – Cloudbreak (Fiji)
CT9 – Lower Trestles (Califórnia, EUA)
Pós-temporada 10. CT10 – Surf Abu Dhabi (Emirados Árabes Unidos) 11. CT11 – Peniche (Portugal) 12. CT12 – Pipe Masters (Havaí, EUA) Observação: Todos os atletas do CT retornam para disputar o Pipe Masters, independentemente da classificação no ranking. Etapa decisiva com 15.000 pontos em jogo.
A partir de 2026, todas as baterias serão eliminatórias. Foto: WSL / Brent Bielmann
Mudanças adicionais no formato
Uma das mudanças mais relevantes é a eliminação das rodadas de não eliminação em todos os eventos do CT. Com isso, cada bateria passa a ser decisiva desde o início, elevando a tensão competitiva e abrindo mais espaço para baterias de impacto em condições ideais.
Outra novidade é a expansão da elite feminina, que passará a contar com 24 surfistas, em vez das 18 atuais. A medida amplia a representatividade global e oferece mais oportunidades para atletas mulheres no circuito principal.
A WSL também confirmou que o evento Pipe Masters passa a fazer parte oficial do Championship Tour, com os direitos da marca sendo transferidos pela Vans à liga. A empresa segue como parceira oficial de calçados e vestuário do evento.
Esclarecimento importante sobre o ranking e o corte
Embora os surfistas que forem cortados após a nona etapa fiquem fora das duas etapas da pós-temporada (Abu Dhabi e Peniche), todos retornam para disputar o Pipe Masters, inclusive aqueles que não passaram pelo corte.
Porém, apenas os classificados após o corte seguem na disputa pelo título mundial. Quem foi cortado pode participar de Pipeline, mas não estará matematicamente na briga pelo título.
Ainda assim, essa última etapa vale 15.000 pontos, e o desempenho em Pipeline pode ser decisivo para a classificação do atleta para o CT de 2027, já que o ranking final do ano será formado pela soma dos nove melhores resultados entre as 12 etapas do ano, e não apenas da temporada regular.
As etapas de Abu Dhabi e Peniche, por sua vez, ajudam a definir o posicionamento dos atletas que seguem na corrida pelo título, influenciando o chaveamento da grande final e a composição do Top 8, que terá vantagem no sorteio das baterias em Pipeline.
Qualificação segue inalterada
O sistema de qualificação para o CT permanece o mesmo: os surfistas continuam subindo por meio do sistema de três níveis, que começa pelo Qualifying Series (QS), passa pelo Challenger Series (CS) e culmina no acesso ao CT.
Mais informações sobre a qualificação e o calendário completo do CS devem ser divulgadas nos próximos meses.