Yago Dora vence Samuel Pupo em condições irregulares no MEO Rip Curl Pro Portugal. Foto: WSL / Manel Geada
O MEO Rip Curl Pro Portugal, terceira etapa do Championship Tour da World Surf League, teve um dia de condições extremas no mar, que levaram à paralisação do evento logo após a terceira bateria do Round 3 masculino. O novo swell começou a ganhar força ao longo do dia, tornando o mar cada vez mais instável e desafiador. A WSL chegou a fazer uma nova chamada para tentar a retomada da competição, mas optou por manter o evento OFF pelo restante do dia.
Apenas três baterias aconteceram antes da paralisação. Yago Dora e Samuel Pupo foram os únicos brasileiros a competir. A disputa entre os dois aconteceu no pior momento do mar, com ondas inconsistentes e difíceis de surfar. No fim, Yago Dora avançou com 7,57 pontos, enquanto Samuel Pupo ficou com 7,10 pontos e foi eliminado. Após a bateria, Yago lamentou que a disputa tenha ocorrido em condições tão difíceis, afirmando que sente muito pelo compatriota, mas que faz parte do jogo.
Jack Robinson protagoniza a melhor atuação do dia em Peniche. Foto: WSL / Manel Geada
Antes da paralisação, o dia começou promissor, especialmente com a excelente atuação de Jack Robinson, que somou 15,67 pontos na abertura do Round 3 masculino.
Além das condições desafiadoras do mar, o dia foi marcado por disputas intensas entre as mulheres. Um dos destaques foi Erin Brooks, que eliminou a líder do ranking mundial, Caitlin Simmers, em uma das baterias mais equilibradas da competição. Já Molly Picklum brilhou ao fazer o maior somatório (12.93) entre as mulheres, garantindo vaga na semifinal.
Erin Brooks derrota Caitlin Simmers, líder do ranking da WSL. Foto: WSL / Laurent Masurel
Resultados das quartas de final feminino
Caroline Marks (11,10) x Johanne Defay (8,60)
Molly Picklum (12,93) x Tyler Wright (7,93)
Erin Brooks (12,67) x Caitlin Simmers (12,40)
Gabriela Bryan (7,70) x Bella Kenworthy (6,06)
Com esses resultados, as semifinais femininas estão definidas:
1. Caroline Marks x Molly Picklum 2. Erin Brooks x Gabriela Bryan
Samuel Pupo perde para Yago no pior momento do mar nesta segunda-feira. Foto: WSL / Manel Geada
Resultados do Round 3 masculino até a paralisação
Jack Robinson (15,67) x Ian Gentil (2,83)
Liam O’Brien (9,80) x Crosby Colapinto (8,40)
Yago Dora (7,57) x Samuel Pupo (7,10)
As demais baterias do Round 3 masculino ainda não aconteceram e aguardam a próxima chamada da WSL.
Molly Picklum tem a melhor atuação entre as mulheres na segunda-feira. Foto: WSL / Laurent Masurel
Próximas baterias do Round 3 masculino
Jake Marshall x Imaikalani deVault
Ethan Ewing x Gatien Delahaye
Connor O’Leary x Cole Houshmand
Filipe Toledo x Alejo Muniz
Jordy Smith x Alan Cleland
Italo Ferreira x Jorgann Couzinet
Ramzi Boukhiam x Joel Vaughan
Rio Waida x Deivid Silva
Kanoa Igarashi x Matthew McGillivray
Griffin Colapinto x Marco Mignot
Miguel Pupo x Seth Moniz
Leo Fioravanti x Jackson Bunch
Barron Mamiya x Edgard Groggia
Segundo o Surfline, a tendência é de ventos e ondulação intensa ao longo da semana em Peniche. Foto: WSL / Manel Geada
Previsão das ondas para os próximos dias
A expectativa é de que o mar continue exigente em Peniche, com momentos de melhora pontual. Segundo o Surfline, a tendência é de ventos e ondulação intensa ao longo da semana:
Terça-feira (19): Ondas entre 10-15 pés pela manhã, diminuindo para 8-10 pés à tarde. O início do dia deve ter boas condições, mas o vento onshore se intensifica ao longo da tarde, tornando o mar mais mexido e irregular.
Quarta-feira (20): Mar irregular com ondas entre 8-12 pés, ventos moderados a fortes prejudicando a qualidade das condições. O swell será misto, com ondulação de oeste e sudoeste se combinando.
Quinta-feira (21): Ondas entre 10-15 pés, porém com mar desorganizado e ventos moderados a fortes, tornando o surfe difícil.
Sexta-feira (22): Condições semelhantes ao dia anterior, com 10-15 pés e vento onshore, mantendo o mar agitado e sem boa formação.
Fim de semana (23-24): Expectativa de melhora gradual, com tendência de ventos mais fracos e melhor formação das ondas. O mar deve começar a se organizar melhor no domingo.
Dias finais da janela (24-25): As condições exatas ainda são incertas, mas há uma tendência favorável de ondulação remanescente de oeste-noroeste, combinada com ventos mais fracos, o que pode gerar boas oportunidades para a reta final da competição.
A WSL marcou a próxima chamada para terça-feira às 3h45 (horário de Brasília), com possível início às 4h05.
Acompanhe todas as atualizações e a cobertura completa do MEO Rip Curl Pro Portugal no AOS Mídia.
No podcast Fala Papah, Jadson André revela episódios de racismo vividos em aeroportos e fala sobre preconceito, julgamento pela aparência e experiências marcantes na carreira. Foto: WSL / Thiago Diz
O surfista Jadson André, um dos nomes da geração que colocou o Brasil na elite do surf mundial, falou abertamente sobre episódios de racismo que já enfrentou ao longo da carreira. O relato foi feito durante participação no podcast Fala Papah e trouxe à tona situações vividas principalmente em aeroportos, durante viagens para competições internacionais.
Acostumado a viajar pelo mundo competindo no mais alto nível do surf profissional, Jadson contou que já foi questionado ao entrar em filas de prioridade em check-ins de companhias aéreas. Segundo ele, em diversas ocasiões ouviu que estaria “na fila errada”, julgamento feito com base apenas na aparência e na forma como estava vestido.
Um dos episódios mais marcantes aconteceu no Aeroporto de Guarulhos. O surfista relatou que estava em uma fila para resolver um problema de bagagem quando foi ofendido por uma mulher que se recusou a aceitar a orientação que ele deu sobre a ausência de prioridade naquele atendimento. A situação escalou a ponto de Jadson procurar a Polícia Federal, que abordou a mulher e ofereceu a possibilidade de registrar ocorrência.
Além desse caso, o atleta mencionou outras situações constrangedoras vividas em aeroportos. Em uma delas, após ser tratado de maneira inadequada por um funcionário, acabou recebendo um upgrade de classe como tentativa de reparação. Jadson destacou que passou a se vestir de forma mais formal durante viagens justamente para evitar novos julgamentos precipitados.
Durante a conversa, o surfista também refletiu sobre os limites entre denúncia legítima e exageros nas redes sociais. Ele reconheceu que o racismo e a xenofobia são realidades presentes na sociedade, mas ponderou que é importante manter equilíbrio ao tratar do tema.
O episódio reforça um debate que vai além do esporte. A trajetória de Jadson André mostra que o preconceito pode atingir qualquer pessoa, independentemente da carreira ou do reconhecimento profissional.
O episódio completo está disponível no canal do podcast Fala Papah:
Christian Bezerra, COO da WPS, fala sobre classificação olímpica do surfe para 2028. Foto: Reprodução
As propostas que podem alterar os critérios de classificação do surfe para os Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028 viraram um dos assuntos mais debatidos do esporte no cenário internacional. A notícia ganhou repercussão em diferentes mídias digitais após a AOS Mídia publicar o tema em primeira mão, trazendo ao público as informações iniciais sobre as mudanças discutidas nos bastidores.
O assunto agora entra em um novo capítulo com uma entrevista exclusiva no Fala Papah!, podcast apresentado por Ader Oliveira, gravada e publicada no canal do YouTube do projeto. O convidado é Christian Bezerra, COO da WPS (World Professional Surfers), entidade que representa os surfistas profissionais e atua como ponte institucional em pautas que envolvem os atletas do Championship Tour (CT).
Quem é a WPS e por que a opinião dela pesa
A WPS é uma organização que representa os interesses dos surfistas profissionais, especialmente os atletas que competem na elite mundial. Na entrevista, Christian comenta como essas propostas são percebidas do ponto de vista de quem está diretamente ligado ao dia a dia dos atletas e ao impacto que qualquer mudança pode gerar na preparação, no calendário e no caminho até a vaga olímpica.
O ponto central: calendário, meritocracia e previsibilidade
Durante a conversa, Christian destaca que o CT funciona como a principal plataforma competitiva do surfe profissional, com eventos ao longo do ano em diferentes condições e formatos. Para ele, qualquer alteração que aumente a dependência de eventos específicos pode criar cenários de maior imprevisibilidade e exigir ainda mais logística dentro de um calendário já muito intenso.
A discussão, portanto, não é apenas sobre números de vagas. Ela passa pela busca de um modelo que equilibre representatividade global, critérios esportivos, planejamento e justiça competitiva para quem está disputando a elite.
Debate internacional e interesse comum no melhor cenário
O processo olímpico envolve várias entidades e interesses diferentes. A ISA tem papel central por ser a federação internacional reconhecida pelo Comitê Olímpico Internacional. Já a WSL organiza o principal circuito profissional do esporte. No meio disso, a visão dos atletas e de seus representantes é uma peça importante para que o sistema final não gere distorções e preserve o nível técnico do surfe olímpico.
No Fala Papah, Pinga e Daniel Cortez analisam a formação da Brazilian Storm e projetam possível gap de até 10 anos no surfe brasileiro. Foto: Reprodução
O debate sobre um possível gap no surfe brasileiro ganhou força no Fala Papah após as análises de Luiz Henrique Pinga e Daniel Cortez sobre base, mercado e formação de atletas.
A fala surgiu dentro de um debate mais amplo sobre mercado, surfwear, investimento e formação de atletas. O tema repercutiu rapidamente entre profissionais do setor e também começou a circular fora do Brasil, levantando um ponto central: o surfe brasileiro não virou potência por acaso.
“Não foi à toa”: o que sustentou a Brazilian Storm
No recorte, os convidados lembram que a fase vitoriosa do Brasil foi consequência de um ecossistema mais sólido no passado: equipes estruturadas dentro das marcas, programas consistentes de base, viagens com atletas, ações estratégicas e um calendário nacional forte, que criava experiência competitiva.
Daniel Cortez cita, por exemplo, o período em que “a gente tinha 10 atletas” na equipe da Volcom, com um programa completo de desenvolvimento.
Já Pinga reforça um ponto essencial da formação:
“Tem que aprender a perder para começar a ganhar.”
Segundo ele, os circuitos nacionais e os formatos de transição ajudavam os jovens a entender o jogo do alto rendimento, preparando-os mentalmente e tecnicamente para o cenário mundial.
Por que eles acreditam que vem um “gap”
Na conversa, os participantes deixaram claro que não se trata de “caça às bruxas” nem de responsabilizar apenas um lado. Para eles, houve uma soma de fatores que foram alterando o ecossistema ao longo do tempo. No entanto, ele reconhece que o mercado de surfwear e o ambiente estrutural do esporte têm parcela importante nesse cenário.
Daniel Cortez complementa a análise com uma visão externa:
“Eu tô vendo o que tá rolando lá fora… os caras estão fazendo exatamente isso que a gente fez ali atrás e parou de fazer.”
A lógica apresentada no debate é direta: enquanto o Brasil reduziu parte da estrutura que sustentava a base, outros países passaram a investir justamente nesse modelo.
Austrália e Europa no radar
Cortez aponta a Austrália como exemplo de retomada estrutural. Já Pinga amplia o olhar e menciona o crescimento europeu, citando Espanha (especialmente as Canárias), além da evolução de Portugal e o surgimento de jovens talentos em diferentes centros do continente.
A leitura feita no episódio não é de que o surfe brasileiro perdeu relevância, mas de que o jogo internacional evoluiu — e que, sem investimento consistente na base, pode haver um intervalo significativo entre a geração atual e a próxima leva dominante.
Investir na base e pensar no longo prazo
No fim do trecho, eles reforçam que não existe um único culpado. Foram mudanças, decisões e adaptações ao longo do tempo que moldaram o cenário atual.
E também resumem o alerta: sem estrutura sólida e investimento contínuo, o país pode enfrentar um período de transição mais longo do que se imagina.
O debate não soa como pessimismo, mas como reflexão estratégica.