
Erin Brooks, de apenas 16 anos, tenta representar o Canadá nas Olimpíadas de 2024. Foto: ISA / Pablo Franco
Um dos maiores talentos do surfe mundial, Erin Brooks teve o seu pedido de cidadania negado pelo governo federal do Canadá, segundo o site CBC. A atleta, de apenas 16 anos, ainda tem esperança de representar o país nas Olimpíadas de 2024, na França, e deve recorrer da decisão.
Siga o nosso canal no WhatsApp e ative as notificações para receber as notícias!
Brooks nasceu no Texas (EUA) e cresceu no Havaí, mas possui laços canadenses por meio do seu pai, Jeff, tem dupla cidadania (Estados Unidos e Canadá).
Através de uma carta, o Ministério da Imigração, Refugiados e Cidadania do Canadá alegou que Brooks “não é apátrida, não enfrentará dificuldades especiais e incomuns se não receber a cidadania canadense e não prestou serviços de valor excepcional ao Canadá.”
O Surf Canada revelou ao canal CBC que a atleta e seus familiares pretendem recorrer da decisão.
No momento, Erin Brooks está em Saquarema (RJ) disputando o Challenger Series da World Surf League. A atleta, inclusive está nas quartas de final da etapa e irá enfrentar a norte-americana Sawyer Lindblad neste sábado.

Erin é um dos maiores talentos da nova geração do surfe mundial. Foto: ISA / Sean Evans
O imbróglio veio à tona no mês de junho, quando a Confederação de Surf do Caribe contestou as medalhas obtidas por Erin Brooks no ISA Games e também a classificação para os Jogos Pan-Americanos de Santiago, competição classificatória para as Olimpíadas.
A Confederação tomou conhecimento de que a atleta ainda não estava com sua nacionalidade regularizada pelo Canadá e enviou uma notificação para a International Surfing Association (ISA) pedindo que todas as suas medalhas e também a vaga no Pan fossem retiradas.
“Qual foi o documento comprobatório de cidadania canadense que credenciou a Sra. Erin Brooks a participar dos eventos mencionados? Por favor anexe o documento com a resposta ao pedido e a data de carregamento (upload)”, questionou, na ocasião, o dirigente Andrés Porras, presidente da Confederação de Surf do Caribe.
“Qual foi o amparo legal para permitir a participação do atleta nos referidos eventos? Se sou colombiano, mas me sinto venezuelano, posso competir pela Venezuela nos eventos da ISA mesmo que não tenha cidadania venezuelana?”, acrescentou Porras.

A surfista teve sua elegibilidade suspensa pela ISA até conseguir provar sua cidadania com um documento verificado do governo do Canadá. Foto: ISA / Sean Evans
O problema com a regularização da nacionalidade teria ocorrido porque as leis do país mudaram nos últimos anos e o pai de Erin, que é filho de canadense, nunca residiu no País.
Nos últimos três anos, a família teria solicitado diretamente ao ministro da Imigração canadense a concessão de cidadania excepcional por ter valor exemplar ou excepcional para o Canadá.
Eles até contam com o apoio do Comitê Olímpico do Canadá, mas essas exceções são extremamente raras.
Pela ISA, Erin Brooks conquistou a medalha de ouro no Mundial Júnior e a prata no ISA Games, além da classificação para o Pan no Chile.
As regras da entidade apontam que um(a) atleta só pode representar determinado país se tiver passaporte ou carteira de identidade nacional.
Depois do protesto da Confederação de Surf do Caribe, a ISA reconheceu que houve um erro administrativo no caso e que Erin Brooks ainda não estava apta para representar o Canadá em seus eventos.
Com isso, a elegibilidade da atleta foi suspensa até que ela consiga provar sua cidadania com um documento verificado do governo do Canadá.