Finalistas do QS 1.000 do WSL Señoritas Open Pro em Punta Hermosa, Peru. Foto: WSL / Lorenzo Bazo
O WSL Señoritas Open Pro chegou ao fim na Praia de Señoritas, em Punta Hermosa, com domínio dos surfistas brasileiros e peruanos. O evento, válido pelo Qualifying Series 1000 (QS 1000) e Pro Junior 1000, contou com disputas intensas e público presente para prestigiar os talentos sul-americanos. O Brasil conquistou os títulos no QS masculino e no Pro Junior masculino, enquanto o Peru levou as vitórias no QS feminino e no Pro Junior feminino.
Daniella Rosas vence no QS Feminino
A peruana Daniella Rosas brilhou mais uma vez e conquistou o título do QS 1000 feminino, vencendo sua compatriota Arena Rodriguez na final. Com uma atuação sólida ao longo da competição, Rosas foi ovacionada pelo público ao ser carregada nos ombros após a vitória. Na cerimônia de premiação, ela expressou sua alegria e gratidão por mais um título em Señoritas.
Nas semifinais, Rosas superou Isidora Bultó (Chile), enquanto Rodriguez derrotou a brasileira Maria Eduarda Cesar, garantindo que a final fosse 100% peruana. Nas quartas de final, Cesar havia eliminado a chilena Estela López, garantindo um bom resultado para o Brasil.
Weslley Dantas leva a melhor na categoria masculina do QS. Foto: WSL / Lorenzo Bazo
Weslley Dantas brilha e fatura o QS Masculino
No QS 1000 masculino, o Brasil fez dobradinha no pódio. Weslley Dantas surfou com potência para vencer Lucas Silveira na grande final e conquistar seu primeiro título da WSL no Peru. Dantas destacou a importância do evento e sua conexão com a onda de Señoritas, onde compete desde jovem.
Nas semifinais, Dantas eliminou Matheus Neves, enquanto Silveira venceu Ryan Kainalo, confirmando um pódio totalmente brasileiro. Já nas quartas de final, Matheus Neves venceu Lucca Mesinas (Peru), enquanto Kainalo superou Alonso Correa (Peru).
Lucas Silveira fica com o vice-campeonato. Foto: WSL / Lorenzo Bazo
Rickson Falcão domina no Pro Junior Masculino
O Brasil também dominou a categoria Pro Junior 1000 masculino, com Rickson Falcão superando Gabriel Klaussner na final. Ambos os surfistas garantiram importantes pontos no ranking da WSL.
Nas semifinais, Falcão passou por Matheus Neves, enquanto Klaussner eliminou Cauet Frazão, garantindo que os quatro primeiros colocados fossem brasileiros. Nas quartas de final, Matheus Neves venceu Maximiliano Saenz (Equador), e Cauet Frazão superou Luan Ferreyra (Brasil).
Finalistas do Pro Junior 1.000 em Señoritas. Foto: WSL / Lorenzo Bazo
Catalina Zariquiey conquista o Pro Junior Feminino
A jovem peruana Catalina Zariquiey, de apenas 15 anos, venceu o Pro Junior 1000 feminino ao derrotar Vera Jarisz (Argentina) na final. Demonstrando grande talento e consistência, Zariquiey reafirmou o alto nível das novas gerações do surfe peruano.
Nas semifinais, a campeã superou Brianna Barthelmess (Peru), enquanto Jarisz venceu Arena Rodriguez (Peru). O Brasil teve duas representantes nas quartas de final, com Isabelle Nalu e Maria Eduarda Cesar chegando até essa fase.
Rickson Falcão comemora a vitória no Pro Junior. Foto: WSL / Lorenzo Bazo
Deu Brasil na Expression Session
Antes das finais, o evento contou com o Expression Session apresentado pela Volkswagen, no qual os surfistas realizaram manobras radicais para animar o público. O brasileiro Luan Ferreyra foi o vencedor desta exibição especial.
A competição teve grande apoio de marcas como Monster Energy, Wong, Isdin, Volkswagen e LATAM Airlines Peru, além do respaldo da PROMPERÚ e da Municipalidade de Punta Hermosa. A RDV Surf, organizadora do evento, reforçou o compromisso de continuar trazendo eventos da WSL para o Peru, promovendo o crescimento do surfe na região.
Matheus Neves fica em terceiro nas duas categorias. Foto: WSL / Lorenzo Bazo
Resultados do WSL Señoritas Open Pro
QS 1000 Masculino
1 Weslley Dantas (BRA) 2 Lucas Silveira (BRA) 3 Matheus Neves (BRA) 3 Ryan Kainalo (BRA) 5 Lucca Mesinas (PER) 5 Alonso Correa (PER) 5 Kaue Germano (BRA) 5 Franco Radziunus (ARG)
No podcast Fala Papah, Jadson André revela episódios de racismo vividos em aeroportos e fala sobre preconceito, julgamento pela aparência e experiências marcantes na carreira. Foto: WSL / Thiago Diz
O surfista Jadson André, um dos nomes da geração que colocou o Brasil na elite do surf mundial, falou abertamente sobre episódios de racismo que já enfrentou ao longo da carreira. O relato foi feito durante participação no podcast Fala Papah e trouxe à tona situações vividas principalmente em aeroportos, durante viagens para competições internacionais.
Acostumado a viajar pelo mundo competindo no mais alto nível do surf profissional, Jadson contou que já foi questionado ao entrar em filas de prioridade em check-ins de companhias aéreas. Segundo ele, em diversas ocasiões ouviu que estaria “na fila errada”, julgamento feito com base apenas na aparência e na forma como estava vestido.
Um dos episódios mais marcantes aconteceu no Aeroporto de Guarulhos. O surfista relatou que estava em uma fila para resolver um problema de bagagem quando foi ofendido por uma mulher que se recusou a aceitar a orientação que ele deu sobre a ausência de prioridade naquele atendimento. A situação escalou a ponto de Jadson procurar a Polícia Federal, que abordou a mulher e ofereceu a possibilidade de registrar ocorrência.
Além desse caso, o atleta mencionou outras situações constrangedoras vividas em aeroportos. Em uma delas, após ser tratado de maneira inadequada por um funcionário, acabou recebendo um upgrade de classe como tentativa de reparação. Jadson destacou que passou a se vestir de forma mais formal durante viagens justamente para evitar novos julgamentos precipitados.
Durante a conversa, o surfista também refletiu sobre os limites entre denúncia legítima e exageros nas redes sociais. Ele reconheceu que o racismo e a xenofobia são realidades presentes na sociedade, mas ponderou que é importante manter equilíbrio ao tratar do tema.
O episódio reforça um debate que vai além do esporte. A trajetória de Jadson André mostra que o preconceito pode atingir qualquer pessoa, independentemente da carreira ou do reconhecimento profissional.
O episódio completo está disponível no canal do podcast Fala Papah:
Christian Bezerra, COO da WPS, fala sobre classificação olímpica do surfe para 2028. Foto: Reprodução
As propostas que podem alterar os critérios de classificação do surfe para os Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028 viraram um dos assuntos mais debatidos do esporte no cenário internacional. A notícia ganhou repercussão em diferentes mídias digitais após a AOS Mídia publicar o tema em primeira mão, trazendo ao público as informações iniciais sobre as mudanças discutidas nos bastidores.
O assunto agora entra em um novo capítulo com uma entrevista exclusiva no Fala Papah!, podcast apresentado por Ader Oliveira, gravada e publicada no canal do YouTube do projeto. O convidado é Christian Bezerra, COO da WPS (World Professional Surfers), entidade que representa os surfistas profissionais e atua como ponte institucional em pautas que envolvem os atletas do Championship Tour (CT).
Quem é a WPS e por que a opinião dela pesa
A WPS é uma organização que representa os interesses dos surfistas profissionais, especialmente os atletas que competem na elite mundial. Na entrevista, Christian comenta como essas propostas são percebidas do ponto de vista de quem está diretamente ligado ao dia a dia dos atletas e ao impacto que qualquer mudança pode gerar na preparação, no calendário e no caminho até a vaga olímpica.
O ponto central: calendário, meritocracia e previsibilidade
Durante a conversa, Christian destaca que o CT funciona como a principal plataforma competitiva do surfe profissional, com eventos ao longo do ano em diferentes condições e formatos. Para ele, qualquer alteração que aumente a dependência de eventos específicos pode criar cenários de maior imprevisibilidade e exigir ainda mais logística dentro de um calendário já muito intenso.
A discussão, portanto, não é apenas sobre números de vagas. Ela passa pela busca de um modelo que equilibre representatividade global, critérios esportivos, planejamento e justiça competitiva para quem está disputando a elite.
Debate internacional e interesse comum no melhor cenário
O processo olímpico envolve várias entidades e interesses diferentes. A ISA tem papel central por ser a federação internacional reconhecida pelo Comitê Olímpico Internacional. Já a WSL organiza o principal circuito profissional do esporte. No meio disso, a visão dos atletas e de seus representantes é uma peça importante para que o sistema final não gere distorções e preserve o nível técnico do surfe olímpico.
No Fala Papah, Pinga e Daniel Cortez analisam a formação da Brazilian Storm e projetam possível gap de até 10 anos no surfe brasileiro. Foto: Reprodução
O debate sobre um possível gap no surfe brasileiro ganhou força no Fala Papah após as análises de Luiz Henrique Pinga e Daniel Cortez sobre base, mercado e formação de atletas.
A fala surgiu dentro de um debate mais amplo sobre mercado, surfwear, investimento e formação de atletas. O tema repercutiu rapidamente entre profissionais do setor e também começou a circular fora do Brasil, levantando um ponto central: o surfe brasileiro não virou potência por acaso.
“Não foi à toa”: o que sustentou a Brazilian Storm
No recorte, os convidados lembram que a fase vitoriosa do Brasil foi consequência de um ecossistema mais sólido no passado: equipes estruturadas dentro das marcas, programas consistentes de base, viagens com atletas, ações estratégicas e um calendário nacional forte, que criava experiência competitiva.
Daniel Cortez cita, por exemplo, o período em que “a gente tinha 10 atletas” na equipe da Volcom, com um programa completo de desenvolvimento.
Já Pinga reforça um ponto essencial da formação:
“Tem que aprender a perder para começar a ganhar.”
Segundo ele, os circuitos nacionais e os formatos de transição ajudavam os jovens a entender o jogo do alto rendimento, preparando-os mentalmente e tecnicamente para o cenário mundial.
Por que eles acreditam que vem um “gap”
Na conversa, os participantes deixaram claro que não se trata de “caça às bruxas” nem de responsabilizar apenas um lado. Para eles, houve uma soma de fatores que foram alterando o ecossistema ao longo do tempo. No entanto, ele reconhece que o mercado de surfwear e o ambiente estrutural do esporte têm parcela importante nesse cenário.
Daniel Cortez complementa a análise com uma visão externa:
“Eu tô vendo o que tá rolando lá fora… os caras estão fazendo exatamente isso que a gente fez ali atrás e parou de fazer.”
A lógica apresentada no debate é direta: enquanto o Brasil reduziu parte da estrutura que sustentava a base, outros países passaram a investir justamente nesse modelo.
Austrália e Europa no radar
Cortez aponta a Austrália como exemplo de retomada estrutural. Já Pinga amplia o olhar e menciona o crescimento europeu, citando Espanha (especialmente as Canárias), além da evolução de Portugal e o surgimento de jovens talentos em diferentes centros do continente.
A leitura feita no episódio não é de que o surfe brasileiro perdeu relevância, mas de que o jogo internacional evoluiu — e que, sem investimento consistente na base, pode haver um intervalo significativo entre a geração atual e a próxima leva dominante.
Investir na base e pensar no longo prazo
No fim do trecho, eles reforçam que não existe um único culpado. Foram mudanças, decisões e adaptações ao longo do tempo que moldaram o cenário atual.
E também resumem o alerta: sem estrutura sólida e investimento contínuo, o país pode enfrentar um período de transição mais longo do que se imagina.
O debate não soa como pessimismo, mas como reflexão estratégica.