Atual líder do CBSurf Pro Tour 2022, Tainá Hinckel será uma das atrações do Dream Tour 2023. Foto: Pablo Jacinto
Em 2023, o surf nacional ganhará um novo circuito promovido pela Confederação Brasileira de Surf (CBSurf). Batizado de “Dream Tour”, o circuito dos sonhos terá 64 atletas profissionais na categoria masculina e 24 na feminina, que disputarão um total de seis etapas ao longo da temporada. Ao término do ano, o melhor atleta no ranking será declarado campeão brasileiro de surf profissional.
Em recente comunicado, a CBSurf detalhou alguns critérios do Dream Tour 2023. O ranking do Circuito contará os cinco melhores resultados de cada atleta, o que dará ao surfista a chance de descartar o seu pior resultado na temporada.
Os 64 atletas do Circuito na categoria masculina serão definidos da seguinte maneira: os 50 melhores do ranking do CBSurf Pro 2022, 12 atletas classificados pela segunda divisão do Circuito Brasileiro, a Taça Brasil 2022 e dois surfistas convidados.
Já na categoria feminina, participam do Dream Tour as Top 16 do CBSurf Pro 2022, 7 classificadas pela segunda divisão (Taça Brasil 2022) e uma convidada.
Krystian Kymerson comanda o ranking da elite brasileira na categoria masculina. Foto: Pablo Jacinto
Casos de dupla classificação e substituições
Caso um atleta esteja apto a se classificar pelos dois rankings (CBSurf Pro e Taça Brasil), ele usará a vaga da primeira divisão, abrindo espaço para o próximo atleta no ranking da divisão de acesso (Taça Brasil).
A CBSurf explicou também os critérios de substituição dos atletas. Quem não puder participar da(s) etapa(s) por algum motivo será substituído por outro surfista do mesmo ranking que ele se classificou.
Maratona de eventos
Até o momento, a Confederação Brasileira de Surf não divulgou o calendário de 2023. No momento, faltam duas etapas para o término do CBSurf Pro Tour 2022 (Xangri-lá-RS e Taíba-CE) e duas para a finalização da Taça Brasil (Ubatuba-SP e Paracuru-CE).
Os líderes do ranking são Krystian Kymerson (ES) e Tainá Hinckel (SC) no CBSurf Pro Tour, e os atletas Luel Felipe (PE) e Monik Santos (PE) na Taça Brasil.
Ao todo, já foram promovidas quatro etapas de cada circuito. A nova gestão da CBSurf finalizou também seu circuito de base com três etapas e o festival brasileiro de surf adaptado.
Nesta sexta (14), a entidade deu início ao Circuito CBSurf Master, para atletas com idade acima de 35 anos. A etapa de abertura acontece na praia de Itacoatiara, em Niterói (RJ). Mais dois eventos serão promovidos este ano (Búzios-RJ e Pontal do Paraná-PR).
Também estão previstas mais duas etapas do Circuito Brasileiro de Longboard / SUP (três já foram disputadas) e o Brasileiro em Água Doce, na Ilha dos Mosqueiros-PA.
Para ver o calendário completo da entidade, clique aqui.
No Fala Papah, Pinga e Daniel Cortez analisam a formação da Brazilian Storm e projetam possível gap de até 10 anos no surfe brasileiro. Foto: Reprodução
O debate sobre um possível gap no surfe brasileiro ganhou força no Fala Papah após as análises de Luiz Henrique Pinga e Daniel Cortez sobre base, mercado e formação de atletas.
A fala surgiu dentro de um debate mais amplo sobre mercado, surfwear, investimento e formação de atletas. O tema repercutiu rapidamente entre profissionais do setor e também começou a circular fora do Brasil, levantando um ponto central: o surfe brasileiro não virou potência por acaso.
“Não foi à toa”: o que sustentou a Brazilian Storm
No recorte, os convidados lembram que a fase vitoriosa do Brasil foi consequência de um ecossistema mais sólido no passado: equipes estruturadas dentro das marcas, programas consistentes de base, viagens com atletas, ações estratégicas e um calendário nacional forte, que criava experiência competitiva.
Daniel Cortez cita, por exemplo, o período em que “a gente tinha 10 atletas” na equipe da Volcom, com um programa completo de desenvolvimento.
Já Pinga reforça um ponto essencial da formação:
“Tem que aprender a perder para começar a ganhar.”
Segundo ele, os circuitos nacionais e os formatos de transição ajudavam os jovens a entender o jogo do alto rendimento, preparando-os mentalmente e tecnicamente para o cenário mundial.
Por que eles acreditam que vem um “gap”
Na conversa, os participantes deixaram claro que não se trata de “caça às bruxas” nem de responsabilizar apenas um lado. Para eles, houve uma soma de fatores que foram alterando o ecossistema ao longo do tempo. No entanto, ele reconhece que o mercado de surfwear e o ambiente estrutural do esporte têm parcela importante nesse cenário.
Daniel Cortez complementa a análise com uma visão externa:
“Eu tô vendo o que tá rolando lá fora… os caras estão fazendo exatamente isso que a gente fez ali atrás e parou de fazer.”
A lógica apresentada no debate é direta: enquanto o Brasil reduziu parte da estrutura que sustentava a base, outros países passaram a investir justamente nesse modelo.
Austrália e Europa no radar
Cortez aponta a Austrália como exemplo de retomada estrutural. Já Pinga amplia o olhar e menciona o crescimento europeu, citando Espanha (especialmente as Canárias), além da evolução de Portugal e o surgimento de jovens talentos em diferentes centros do continente.
A leitura feita no episódio não é de que o surfe brasileiro perdeu relevância, mas de que o jogo internacional evoluiu — e que, sem investimento consistente na base, pode haver um intervalo significativo entre a geração atual e a próxima leva dominante.
Investir na base e pensar no longo prazo
No fim do trecho, eles reforçam que não existe um único culpado. Foram mudanças, decisões e adaptações ao longo do tempo que moldaram o cenário atual.
E também resumem o alerta: sem estrutura sólida e investimento contínuo, o país pode enfrentar um período de transição mais longo do que se imagina.
O debate não soa como pessimismo, mas como reflexão estratégica.
Douglas Silva e Laura Raupp são os campeões brasileiros profissionais de 2025. Foto: Marcio David / Foco Radical
A temporada 2025 do Corona Cero Dream Tour Floripa chegou ao fim com a consagração de dois nomes que deixaram sua marca na história do surfe nacional. Douglas Silva e Laura Raupp encerraram o ano como campeões brasileiros da Confederação Brasileira de Surf, cada um com uma trajetória de destaque e resultados expressivos ao longo do circuito.
No masculino, Douglas Silva viveu um desfecho dramático. Eliminado antes da final, o pernambucano dependia de um tropeço de Renan Pulga para conquistar o bicampeonato consecutivo. Pulga avançou com força até a bateria decisiva, superando Michael Rodrigues nas quartas e Mateus Sena nas semifinais. Para se tornar campeão brasileiro, contudo, precisava vencer Adriano de Souza na final. O campeão mundial de 2015 brilhou novamente e impediu a virada de ranking. Com o vice na etapa, Pulga também terminou como vice-campeão brasileiro, enquanto Douglas vibrou ao confirmar seu segundo título seguido.
Com essa conquista, Douglas Silva se tornou apenas o terceiro atleta da história a atingir o bicampeonato consecutivo no surfe brasileiro, repetindo feitos de Peterson Rosa e Leonardo Neves. Ele descreveu o momento como a realização de um sonho, fruto de muita dedicação, treinos e confiança.
Renan Pulga (vice), Douglas Silva, Laura Raupp e Juliana dos Santos (vice) são premiados na Praia Mole. Foto: Marcio David / Foco Radical
No feminino, Laura Raupp dominou completamente a temporada. A catarinense venceu as etapas da Praia do Borete, Itamambuca e o primeiro Dream Tour Floripa, mantendo 100 por cento de aproveitamento nas baterias computadas no ranking. A derrota nas semifinais para Tainá Hinckel neste domingo foi sua única queda no ano, mas não afetou a classificação final. Laura já era campeã antecipada com uma das campanhas mais expressivas da história da CBSurf.
Tainá Hinckel, por sua vez, marcou presença decisiva na reta final. Ela havia vencido a etapa da Taça Brasil na Guarda do Embaú, chegou à final da penúltima etapa do Dream Tour e encerrou o ano com uma vitória imponente sobre Juliana dos Santos na Praia Mole. O resultado a colocou junto do recorde de Laura como surfistas com mais vitórias em uma única temporada de Dream Tour.
Os títulos de Douglas e Laura fecham um ciclo vitorioso e abrem caminho para a nova fase do surfe brasileiro. Em 2026, o Dream Tour dará lugar ao SURF BRASIL, com formato ampliado e mais oportunidades para atletas de todo o país.
Tainá Hinckel e Adriano de Souza vencem a quarta e última etapa do Circuito. Foto: Marcio David / Foco Radical
Resultados da quarta e última etapa do Dream Tour 2025
Masculino
1º Adriano de Souza (SP)
2º Renan Pulga (SP)
3º Mateus Sena (RN)
3º Wesley Leite (SP)
Feminino
1º Tainá Hinckel (SC)
2º Juliana dos Santos (CE)
3º Mariana Areno (RJ)
3º Laura Raupp (SC)
Adriano de Souza vence etapa do Dream Tour aos 38 anos. Foto: Marcio David / Foco Radical
Aos 38 anos, Adriano de Souza escreveu um capítulo marcante da história do surfe brasileiro. No domingo, 16 de novembro, o campeão mundial de 2015 conquistou sua primeira vitória no Corona Cero Dream Tour Floripa, ao dominar as ondas pequenas da Praia Mole e superar o paulista Renan Pulga na grande final. A vitória de Mineirinho encerrou com brilho a temporada 2025 da Confederação Brasileira de Surf.
Adriano entrou na etapa como convidado e havia passado longe das fases decisivas nas etapas anteriores. Mas na Praia Mole, tudo mudou. Ele venceu Alex Ribeiro nas quartas de final e superou Wesley Leite nas semifinais. Depois, anotou as maiores marcas do dia, incluindo uma nota 7,33 e o somatório de 13,33 pontos, para conquistar um título inédito no Dream Tour. Esta foi a premiação mais alta da carreira dele no cenário nacional, com 50 mil reais e 10 mil pontos no ranking da etapa.
Adriano e família. Foto: Marcio David / Foco Radical
A vitória de Mineirinho também teve papel decisivo na definição do título brasileiro. Renan Pulga precisava vencer o evento para superar o pernambucano Douglas Silva na corrida pelo campeonato. O paulista derrotou Michael Rodrigues nas quartas e Mateus Sena nas semifinais, mas parou diante da experiência de Adriano de Souza. Com o vice na etapa e no ranking, viu o título escapar na última bateria da temporada.
Douglas Silva, que acompanhava tudo da área dos atletas, comemorou intensamente ao ver Adriano levantar o troféu. Com o resultado, ele se tornou o primeiro bicampeão brasileiro consecutivo da CBSurf, igualando feitos históricos de Peterson Rosa e Leonardo Neves. O pernambucano celebrou o momento como a realização de um sonho após anos de dedicação e treinamento.
Finalistas da etapa na Praia Mole (SC). Foto: Marcio David / Foco Radical
No feminino, o domingo também foi de performances marcantes. Tainá Hinckel derrotou a já campeã brasileira Laura Raupp nas semifinais e venceu Juliana dos Santos na decisão, igualando o recorde de quatro vitórias no Dream Tour em uma única temporada.
A vitória de Adriano de Souza, combinada com a disputa intensa pelo título brasileiro, encerrou a temporada 2025 com emoção, história e uma celebração de legado na Praia Mole.
Resultados da quarta e última etapa do Dream Tour 2025
Masculino
1º Adriano de Souza (SP)
2º Renan Pulga (SP)
3º Mateus Sena (RN)
3º Wesley Leite (SP)
Feminino
1º Tainá Hinckel (SC)
2º Juliana dos Santos (CE)
3º Mariana Areno (RJ)
3º Laura Raupp (SC)