Abertura do Hang Loose Surf Attack 2025 pode ter quatro dias de competição na Praia do Tombo, Guarujá (SP). Foto: Munir El Hage.
A organização do Hang Loose Surf Attack divulgou nesta sexta-feira (30) a lista oficial de atletas pré-inscritos para a primeira etapa do circuito 2025, que será realizada na Praia do Tombo, em Guarujá (SP), entre os dias 12 e 15 de junho (podendo ser iniciada no dia 13).
O volume de inscritos impressiona: foram quase 250 pedidos de vaga, confirmando a relevância do circuito na formação de novos talentos do surfe brasileiro.
Com base nessa alta demanda, a organização confirma a intenção de iniciar o campeonato na quinta-feira (12/06), com quatro dias de evento. Entretanto, essa decisão está condicionada ao pagamento dentro do prazo estipulado.
Prazos e orientações
Todos os atletas listados abaixo têm vaga garantida, desde que efetuem o pagamento até as 18h do dia 6 de junho. Caso o número de inscritos pagos permita realizar o evento em apenas três dias, o campeonato será realizado de 13 a 15 de junho, como originalmente previsto.
A organização reforça a importância de que Associações e atletas de outros estados realizem os pagamentos o quanto antes, para que seja possível divulgar com antecedência o cronograma e as baterias.
O documento com as instruções completas de pagamento foi enviado junto da lista para as Associações.
Regras para Associações
Cada associação é responsável por garantir que seus atletas inscritos façam o pagamento até o prazo limite.
Em caso de desistência de algum atleta, a associação deve substituí-lo por outro nome da mesma equipe dentro do período permitido.
A ausência de pagamento implica exclusão automática da bateria.
Após o encerramento do prazo, somente atletas com pagamento confirmado serão incluídos nas baterias.
Cada associação poderá inscrever até 6 atletas por categoria. Havendo sobra de vagas, as associações poderão ser chamadas a inscrever mais atletas.
A ordem de prioridade para preenchimento de vagas será definida com base na ordem de chegada dos pedidos.
Os nomes devem ser enviados por e-mail para bukaosurf@gmail.com, identificando a associação e a categoria correspondente.
Em caso de conflito de informações ou excesso de atletas, a organização poderá rever a composição das baterias.
Premiação do Hang Loose Surf Attack
Cada etapa distribui R$ 16.200,00 em prêmios em dinheiro (exceto para a categoria Sub 12). Os campeões gerais do circuito ainda ganham passagens aéreas e kits de equipamentos Hang Loose.
Hospedagem recomendada – Praia do Tombo
Para facilitar a estadia de atletas e acompanhantes durante a 1ª etapa do Hang Loose Surf Attack, listamos abaixo algumas pousadas próximas à Praia do Tombo indicadas pela organização do evento:
Tombowl
Contato: Thiago – (11) 97324-4092
Reserva do Tombo
Contato: Renato – (13) 99604-2838
Pousada do André
Contato: André – (13) 97413-6930
Calendário 2025 (em atualização)
Etapa
Data
Local
1ª Etapa
13–15 jun (pode iniciar em 12 jun)
Praia do Tombo — Guarujá (SP)
2ª Etapa
Data a definir
Itamambuca — Ubatuba (SP)
3ª Etapa
Data a definir
Maresias — São Sebastião (SP)
Acompanhe todas as atualizações, listagens, cronogramas e resultados pelo canal AOS Mídia.
No podcast Fala Papah, Jadson André revela episódios de racismo vividos em aeroportos e fala sobre preconceito, julgamento pela aparência e experiências marcantes na carreira. Foto: WSL / Thiago Diz
O surfista Jadson André, um dos nomes da geração que colocou o Brasil na elite do surf mundial, falou abertamente sobre episódios de racismo que já enfrentou ao longo da carreira. O relato foi feito durante participação no podcast Fala Papah e trouxe à tona situações vividas principalmente em aeroportos, durante viagens para competições internacionais.
Acostumado a viajar pelo mundo competindo no mais alto nível do surf profissional, Jadson contou que já foi questionado ao entrar em filas de prioridade em check-ins de companhias aéreas. Segundo ele, em diversas ocasiões ouviu que estaria “na fila errada”, julgamento feito com base apenas na aparência e na forma como estava vestido.
Um dos episódios mais marcantes aconteceu no Aeroporto de Guarulhos. O surfista relatou que estava em uma fila para resolver um problema de bagagem quando foi ofendido por uma mulher que se recusou a aceitar a orientação que ele deu sobre a ausência de prioridade naquele atendimento. A situação escalou a ponto de Jadson procurar a Polícia Federal, que abordou a mulher e ofereceu a possibilidade de registrar ocorrência.
Além desse caso, o atleta mencionou outras situações constrangedoras vividas em aeroportos. Em uma delas, após ser tratado de maneira inadequada por um funcionário, acabou recebendo um upgrade de classe como tentativa de reparação. Jadson destacou que passou a se vestir de forma mais formal durante viagens justamente para evitar novos julgamentos precipitados.
Durante a conversa, o surfista também refletiu sobre os limites entre denúncia legítima e exageros nas redes sociais. Ele reconheceu que o racismo e a xenofobia são realidades presentes na sociedade, mas ponderou que é importante manter equilíbrio ao tratar do tema.
O episódio reforça um debate que vai além do esporte. A trajetória de Jadson André mostra que o preconceito pode atingir qualquer pessoa, independentemente da carreira ou do reconhecimento profissional.
O episódio completo está disponível no canal do podcast Fala Papah:
Lapo Coutinho fala sobre o câncer, dor e decisões difíceis em entrevista ao Fala Papah. Foto: Reprodução
Lapo Coutinho abriu o coração em um dos trechos mais impactantes já exibidos no canal Fala Papah. Na conversa, o lendário baiano falou de forma direta e sincera sobre o câncer, os desafios do tratamento e as decisões difíceis que precisou tomar ao longo da jornada.
O momento é marcado por reflexões profundas sobre dor, qualidade de vida, família e espiritualidade. Durante o episódio, Lapo compartilha como estava encarando a evolução da doença no período da gravação e revela quais eram suas prioridades naquele momento delicado.
Entre os pontos mais fortes da conversa, ele destaca que sua principal missão era não sentir dor. A frase resume o estado emocional e físico que vivia naquele instante. Ao longo do trecho, também aborda o impacto do diagnóstico na família, os medos naturais e o esforço para manter serenidade diante da incerteza.
A entrevista não tem caráter médico e não pretende orientar decisões clínicas. Trata-se do relato pessoal de Lapo Coutinho sobre sua própria experiência. É um registro honesto de um momento específico de sua trajetória.
Após a gravação do episódio, Lapo optou por iniciar tratamento com quimioterapia diante da evolução do quadro. A atualização reforça que decisões relacionadas ao câncer são complexas e podem mudar conforme o acompanhamento médico e o avanço da doença.
O corte publicado no canal Fala Papah destaca a dimensão humana da história. Mais do que discutir procedimentos, o vídeo apresenta uma reflexão sobre coragem, fé e enfrentamento.
O trecho completo está disponível no YouTube do Fala Papah e integra um dos episódios mais assistidos do canal, que tem se consolidado como espaço para conversas profundas dentro do universo do surfe e além dele.
Assista ao vídeo e acompanhe outras entrevistas no canal:
Ex integrante da elite mundial, Fábio Silva relembra no Fala Papah por que abandonou o WCT em 1997 e fala sobre saúde, família e sua origem no Titanzinho. Foto: Reprodução.
O novo episódio do podcast Fala Papah, já disponível no YouTube, traz um dos relatos mais emblemáticos e humanos da história do surfe brasileiro. Cria da comunidade do Titanzinho, em Fortaleza, o cearense Fábio Silva revisita sua trajetória no esporte, marcada por talento, ascensão precoce, decisões difíceis e desafios que extrapolaram as competições.
Nos anos 1990, Fábio foi apontado como uma das grandes promessas do surfe nacional. Campeão brasileiro nas categorias de base, vice campeão brasileiro profissional em 1996 e vencedor de uma etapa do WQS na França em 1997, ele conquistou vaga na elite mundial naquele mesmo ano. Em sua temporada de estreia no WCT, figurava entre os 44 melhores surfistas do planeta e ocupava a 38ª colocação após cinco etapas disputadas.
Foi nesse contexto que Fábio surpreendeu o surfe brasileiro ao abandonar o circuito mundial em julho de 1997. À época, o surfista explicou que o desgaste das viagens constantes, a distância da família, o nascimento da filha, a dificuldade com o idioma inglês e o desejo de retomar os estudos pesaram na decisão. Ele renegociou contratos e optou por seguir competindo nos circuitos nacionais.
No episódio do Fala Papah, gravado em dezembro de 2025 nas ruas do Titanzinho, em frente ao mar que moldou sua história, Fábio revisita essa escolha com maturidade. Ele reflete sobre como aquela decisão, tomada em um contexto diferente, hoje pode ser compreendida à luz de temas que ganharam força no esporte, como saúde mental, bem estar e identidade.
No podcast, Fábio revela um detalhe pouco conhecido daquele momento. Ele chegou a embarcar para a etapa de Jeffreys Bay, na África do Sul, uma das mais tradicionais do circuito mundial. A decisão de abandonar a elite, porém, foi tomada ainda durante a viagem.
Sozinho, sem dominar o inglês, pressionado pelo ambiente do circuito e emocionalmente fragilizado, Fábio desembarcou no aeroporto de Johannesburgo e optou por retornar ao Brasil antes mesmo de seguir para a praia. Ele não chegou a competir nem a entrar no mar. A escolha foi feita ainda no avião, na ida, em um momento silencioso e decisivo da sua carreira.
Um episódio que ajuda a entender o peso psicológico enfrentado por atletas em uma época em que temas como saúde mental, acolhimento e adaptação cultural praticamente não existiam no esporte de alto rendimento.
Além da carreira esportiva, Fábio fala abertamente sobre os obstáculos enfrentados fora da água. De origem humilde, criado em uma comunidade periférica, ele precisou lidar com dificuldades financeiras, limitações estruturais e preconceito por ser nordestino, mesmo após alcançar reconhecimento internacional.
O episódio também aborda momentos delicados de saúde. Fábio relembra a trombose venosa sofrida em 2015, inicialmente confundida com um AVC, que causou paralisia temporária do lado esquerdo do corpo. Após tratamento e fisioterapia intensa, conseguiu se recuperar sem sequelas. Cerca de dez anos depois, em 2025, voltou a enfrentar um novo quadro de trombose, desta vez nas pernas e nos pés, após uma longa viagem de ônibus do Sergipe ao Ceará, o que motivou uma grande mobilização de apoio no meio do surfe.
Mesmo diante de tantas dificuldades, Fábio segue ligado ao surfe e à sua comunidade, mantendo uma escolinha no Titanzinho sempre que as condições físicas permitem. Humilde, simples e extremamente querido, ele representa uma geração e uma história que ajudam a entender o surfe brasileiro para além de títulos e rankings.