Samuel Pupo vence bateria na repescagem do El Salvador Pro. Foto: WSL / Aaron Hughes
A sexta-feira (4) foi intensa no El Salvador Pro 2025, com a realização das baterias de repescagem masculina e feminina em ondas limpas de 3 a 4 pés em Punta Roca. A WSL optou por uma programação compacta, que resultou nas primeiras eliminações do evento e definiu os confrontos do Round dos 32 e das oitavas de final.
Samuel Pupo deu um show na sua bateria e somou 14.07 pontos, sua melhor atuação da temporada até agora. “Acho que havia alguma pressão, mas tentei encarar como se fosse minha primeira bateria no evento. Queria resetar a mente e mostrar meu surfe”, disse Samuel, que agora busca embalar nos próximos eventos do ano.
Também avançaram os brasileiros Miguel Pupo e Alejo Muniz. Miguel estava em terceiro até os minutos finais, mas achou uma onda 7.10 para virar sobre Edgard Groggia, que acabou eliminado. O destaque da bateria foi o wildcard local Bryan Perez, que venceu com notas 7.33 e 6.80. “Só quero me divertir, pegar boas ondas e curtir com minha família e meu técnico que estão aqui comigo”, disse Perez, ovacionado pela torcida local.
Na bateria seguinte, o norte-americano Levi Slawson venceu com 7.00 pontos. Mesmo surfando com lesão no tornozelo, ele superou Alejo Muniz, que avançou em segundo, e eliminou o australiano Liam O’Brien.
Alejo Muniz garantiu sua vaga no Round dos 32 com uma atuação consistente na repescagem em Punta Roca. Foto: WSL / Aaron Hughes
No feminino, a campeã mundial júnior de 2024 Luana Silva somou 13.00 pontos (7.00 + 6.00) e venceu sua bateria contra Alyssa Spencer e Sally Fitzgibbons. “Esse pico tem muitos fatores: calor, pedras, sol direto. Às 7h da manhã o sol bate na cara e atrapalha muito a leitura da onda”, explicou Luana, agora nas oitavas.
Com isso, o Brasil segue com nove atletas no masculino e Luana Silva no feminino. Já estavam garantidos no Round 3: Filipe Toledo, Italo Ferreira, João Chianca, Yago Dora, Deivid Silva e Ian Gouveia.
Luana Silva vence sua bateria da repescagem e está classificada para as oitavas de final do El Salvador Pro. Foto: WSL / Aaron Hughes
Round 3 – Masculino
Yago Dora (BRA) x Samuel Pupo (BRA)
Connor O’Leary (JAP) x Seth Moniz (EUA)
Griffin Colapinto (EUA) x Matthew McGillivray (AFS)
Rio Waida (IND) x Marco Mignot (FRA)
Ethan Ewing (AUS) x Levi Slawson (EUA)
João Chianca (BRA) x Joel Vaughan (AUS)
Kanoa Igarashi (JAP) x Crosby Colapinto (EUA)
Jack Robinson (AUS) x George Pittar (AUS)
Italo Ferreira (BRA) x Bryan Perez (ESA)
Ramzi Boukhiam (MAR) x Jackson Bunch (EUA)
Jordy Smith (AFS) x Deivid Silva (BRA)
Leonardo Fioravanti (ITA) x Ryan Callinan (AUS)
Barron Mamiya (EUA) x Alejo Muniz (BRA)
Jake Marshall (EUA) x Cole Houshmand (EUA)
Miguel Pupo (BRA) x Ian Gouveia (BRA)
Filipe Toledo (BRA) x Alan Cleland (MEX)
Oitavas de final – Feminino
Caitlin Simmers (EUA) x Luana Silva (BRA)
Sawyer Lindblad (EUA) x Lakey Peterson (EUA)
Gabriela Bryan (EUA) x Alyssa Spencer (EUA)
Erin Brooks (CAN) x Bella Kenworthy (EUA)
Molly Picklum (AUS) x Kirra Pinkerton (EUA)
Brisa Hennessy (CRC) x Vahine Fierro (FRA)
Caroline Marks (EUA) x Isabella Nichols (AUS)
Tyler Wright (AUS) x Bettylou Sakura Johnson (EUA)
Miguel Pupo avança em segundo lugar em sua bateria da repescagem e segue firme na disputa em El Salvador. Foto: WSL / Emma Sharon
Edgard Groggia é eliminado na repescagem em Punta Roca. Foto: WSL / Aaron Hughes
Previsão das ondas
O sábado (5) será um dos dias mais fracos da janela, com séries de 2 a 4 pés. O domingo (6) traz leve melhora, com ondas de 3 a 4 pés. A segunda (7) e a terça (8) devem ter ondas mais consistentes, com séries de até 4 pés ou mais.
O destaque fica para os dias 10 a 12 de abril, quando um swell sólido deve atingir Punta Roca, prometendo as maiores ondas da temporada até agora.
Próxima chamada
Sábado, às 9h15 (horário de Brasília), com tentativa de início às 9h33
As condições serão checadas no início da manhã, mas as chances de baterias rolarem ainda são consideradas baixas. Caso o campeonato avance, a tendência é começar pelas oitavas de final do feminino, com o Round 3 masculino ficando em espera.
Seguimos acompanhando tudo diretamente de Punta Roca. Qualquer novidade, você vê primeiro aqui na AOS Mídia e no nosso canal exclusivo de notícias:
No podcast Fala Papah, Jadson André revela episódios de racismo vividos em aeroportos e fala sobre preconceito, julgamento pela aparência e experiências marcantes na carreira. Foto: WSL / Thiago Diz
O surfista Jadson André, um dos nomes da geração que colocou o Brasil na elite do surf mundial, falou abertamente sobre episódios de racismo que já enfrentou ao longo da carreira. O relato foi feito durante participação no podcast Fala Papah e trouxe à tona situações vividas principalmente em aeroportos, durante viagens para competições internacionais.
Acostumado a viajar pelo mundo competindo no mais alto nível do surf profissional, Jadson contou que já foi questionado ao entrar em filas de prioridade em check-ins de companhias aéreas. Segundo ele, em diversas ocasiões ouviu que estaria “na fila errada”, julgamento feito com base apenas na aparência e na forma como estava vestido.
Um dos episódios mais marcantes aconteceu no Aeroporto de Guarulhos. O surfista relatou que estava em uma fila para resolver um problema de bagagem quando foi ofendido por uma mulher que se recusou a aceitar a orientação que ele deu sobre a ausência de prioridade naquele atendimento. A situação escalou a ponto de Jadson procurar a Polícia Federal, que abordou a mulher e ofereceu a possibilidade de registrar ocorrência.
Além desse caso, o atleta mencionou outras situações constrangedoras vividas em aeroportos. Em uma delas, após ser tratado de maneira inadequada por um funcionário, acabou recebendo um upgrade de classe como tentativa de reparação. Jadson destacou que passou a se vestir de forma mais formal durante viagens justamente para evitar novos julgamentos precipitados.
Durante a conversa, o surfista também refletiu sobre os limites entre denúncia legítima e exageros nas redes sociais. Ele reconheceu que o racismo e a xenofobia são realidades presentes na sociedade, mas ponderou que é importante manter equilíbrio ao tratar do tema.
O episódio reforça um debate que vai além do esporte. A trajetória de Jadson André mostra que o preconceito pode atingir qualquer pessoa, independentemente da carreira ou do reconhecimento profissional.
O episódio completo está disponível no canal do podcast Fala Papah:
Christian Bezerra, COO da WPS, fala sobre classificação olímpica do surfe para 2028. Foto: Reprodução
As propostas que podem alterar os critérios de classificação do surfe para os Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028 viraram um dos assuntos mais debatidos do esporte no cenário internacional. A notícia ganhou repercussão em diferentes mídias digitais após a AOS Mídia publicar o tema em primeira mão, trazendo ao público as informações iniciais sobre as mudanças discutidas nos bastidores.
O assunto agora entra em um novo capítulo com uma entrevista exclusiva no Fala Papah!, podcast apresentado por Ader Oliveira, gravada e publicada no canal do YouTube do projeto. O convidado é Christian Bezerra, COO da WPS (World Professional Surfers), entidade que representa os surfistas profissionais e atua como ponte institucional em pautas que envolvem os atletas do Championship Tour (CT).
Quem é a WPS e por que a opinião dela pesa
A WPS é uma organização que representa os interesses dos surfistas profissionais, especialmente os atletas que competem na elite mundial. Na entrevista, Christian comenta como essas propostas são percebidas do ponto de vista de quem está diretamente ligado ao dia a dia dos atletas e ao impacto que qualquer mudança pode gerar na preparação, no calendário e no caminho até a vaga olímpica.
O ponto central: calendário, meritocracia e previsibilidade
Durante a conversa, Christian destaca que o CT funciona como a principal plataforma competitiva do surfe profissional, com eventos ao longo do ano em diferentes condições e formatos. Para ele, qualquer alteração que aumente a dependência de eventos específicos pode criar cenários de maior imprevisibilidade e exigir ainda mais logística dentro de um calendário já muito intenso.
A discussão, portanto, não é apenas sobre números de vagas. Ela passa pela busca de um modelo que equilibre representatividade global, critérios esportivos, planejamento e justiça competitiva para quem está disputando a elite.
Debate internacional e interesse comum no melhor cenário
O processo olímpico envolve várias entidades e interesses diferentes. A ISA tem papel central por ser a federação internacional reconhecida pelo Comitê Olímpico Internacional. Já a WSL organiza o principal circuito profissional do esporte. No meio disso, a visão dos atletas e de seus representantes é uma peça importante para que o sistema final não gere distorções e preserve o nível técnico do surfe olímpico.
No Fala Papah, Pinga e Daniel Cortez analisam a formação da Brazilian Storm e projetam possível gap de até 10 anos no surfe brasileiro. Foto: Reprodução
O debate sobre um possível gap no surfe brasileiro ganhou força no Fala Papah após as análises de Luiz Henrique Pinga e Daniel Cortez sobre base, mercado e formação de atletas.
A fala surgiu dentro de um debate mais amplo sobre mercado, surfwear, investimento e formação de atletas. O tema repercutiu rapidamente entre profissionais do setor e também começou a circular fora do Brasil, levantando um ponto central: o surfe brasileiro não virou potência por acaso.
“Não foi à toa”: o que sustentou a Brazilian Storm
No recorte, os convidados lembram que a fase vitoriosa do Brasil foi consequência de um ecossistema mais sólido no passado: equipes estruturadas dentro das marcas, programas consistentes de base, viagens com atletas, ações estratégicas e um calendário nacional forte, que criava experiência competitiva.
Daniel Cortez cita, por exemplo, o período em que “a gente tinha 10 atletas” na equipe da Volcom, com um programa completo de desenvolvimento.
Já Pinga reforça um ponto essencial da formação:
“Tem que aprender a perder para começar a ganhar.”
Segundo ele, os circuitos nacionais e os formatos de transição ajudavam os jovens a entender o jogo do alto rendimento, preparando-os mentalmente e tecnicamente para o cenário mundial.
Por que eles acreditam que vem um “gap”
Na conversa, os participantes deixaram claro que não se trata de “caça às bruxas” nem de responsabilizar apenas um lado. Para eles, houve uma soma de fatores que foram alterando o ecossistema ao longo do tempo. No entanto, ele reconhece que o mercado de surfwear e o ambiente estrutural do esporte têm parcela importante nesse cenário.
Daniel Cortez complementa a análise com uma visão externa:
“Eu tô vendo o que tá rolando lá fora… os caras estão fazendo exatamente isso que a gente fez ali atrás e parou de fazer.”
A lógica apresentada no debate é direta: enquanto o Brasil reduziu parte da estrutura que sustentava a base, outros países passaram a investir justamente nesse modelo.
Austrália e Europa no radar
Cortez aponta a Austrália como exemplo de retomada estrutural. Já Pinga amplia o olhar e menciona o crescimento europeu, citando Espanha (especialmente as Canárias), além da evolução de Portugal e o surgimento de jovens talentos em diferentes centros do continente.
A leitura feita no episódio não é de que o surfe brasileiro perdeu relevância, mas de que o jogo internacional evoluiu — e que, sem investimento consistente na base, pode haver um intervalo significativo entre a geração atual e a próxima leva dominante.
Investir na base e pensar no longo prazo
No fim do trecho, eles reforçam que não existe um único culpado. Foram mudanças, decisões e adaptações ao longo do tempo que moldaram o cenário atual.
E também resumem o alerta: sem estrutura sólida e investimento contínuo, o país pode enfrentar um período de transição mais longo do que se imagina.
O debate não soa como pessimismo, mas como reflexão estratégica.